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Tenho uma Nikon D50. Comprei-a em 2008 e ainda funciona bem. O único problema é apenas suportar cartões de memória SD até 2GB. Mais do que isso: recusa. Andei pelas lojas do costume e nada. Agora só se vendem cartões de 8GB ou superiores. Tive de recorrer à net. Mandei vir via Amazon espanhola. Aconselho. Tudo vem do espaço europeu e o serviço foi rápido: comprei na quinta-feira passada e chegou ontem. E o mais importante: o cartão funciona.

Hoje | Livraria Tigre de Papel | 18h30m



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Livros (161)




De todos os situacionistas, Vaneigem é o autor que mais li até hoje. Este As Heresias é diferente de tudo aquilo que lhe li. É, todavia, um livro muito interessante. Explora os vários heréticos que percorreram os séculos, gente que nunca se vergou ao poder estabelecido, que nunca se calou e que pagou com a vida por isso. No fundo, Vaneigem faz a apologia de uma maneira de pensar e de agir, custe o que custar. Afinal, talvez não seja assim um livro tão diferente como os outros que lhe li.

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Ao levantar o estore um enorme arco-íris. Começava no meio do bairro e ia quase até ao mar. Tirei uma foto e partilhei numa rede social, pois dito ninguém acredita.

Para memória futura



O seguinte texto é um comentário (por mim escrito e publicado no dia 10-03-2009 [dez de Março de dois mil e nove]) no antigo blogue Insónia, dirigido pelo Henrique Manuel Bento Fialho. O referido comentário valeu-me uma espera na Rua de São Filipe Nery, em finais de 2010. Escusado será dizer quem me esperava. Diogo Vaz Pinto indignou-se comigo e esperou por mim na rua. E eu, num momento de "mea culpa" (vestígios da minha educação católica), pedi-lhe desculpa. Não por medo, mas porque considerei que os seus argumentos eram válidos. Entre vários argumentos, perguntou-me se eu achava bem “andar por aí a chamar imbecil às pessoas”. Devo dizer que, na altura, concordei com ele. Mal eu sabia o que me esperava e o que nos esperava.



Emxº. Senhor Diogo Vaz Pinto:

Não pensei muito antes de escrever aquilo que agora vou escrever, e, de certeza, o Senhor vai notar isso.

Não tenho qualquer problema em dizer que o Senhor me parece ser um imbecil. O mesmo se aplicará a mim, pois estou a ter trabalho em comentar um comentário seu, o que é uma imbecilidade, mas vou correr esse risco.

Gostava muito de saber se o Senhor teria a mesma opinião em relação ao Senhor Nuno Júdice, caso este não tivesse pegado ao colo na sua "Criatura". Sinceramente gostava de saber isso. Mas se não me quiser responder está no seu direito.

Tudo aquilo que aponta ao Henrique (reparo que não trato o Henrique por Senhor, pois conheço-o pessoalmente e considero-o meu amigo), no seu muito imbecil comentário, é tudo aquilo que o Senhor é no seu comentário. Não sei que águas o movem, não quero saber e quero distância delas. Não sei se existe alguma disputa com o Henrique. Talvez ele não tenha escrito o que o Senhor queria que ele escrevesse sobre a sua "Criatura". Mas às vezes acontece: nem todos gostam daquilo que nós gostamos, nem todos acham genial aquilo que nós escrevemos, nem todos são amigos dos nossos papás, nem todos gostam de ver as botas lambidas por um arrivista qualquer.

O meu imbecil comentário ao seu imbecil comentário já vai demasiado longo para o meu gosto, pois gosto de poucas palavras. Bastava-me dizer: o Senhor Diogo Vaz Pinto é um imbecil. E ficaria por aí. E é o que vou fazer.

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Rui Manuel Amaral diz aqui uma grande verdade. Nunca li um livro completo do filósofo alemão. Foram dois os motivos: aquilo que li não compreendi o suficiente para continuar; e fartei-me de o ver citado nos textos de António Guerreiro. 

Aviso a todos os Anónimos


A partir de hoje escusam de fazer, neste blogue, comentários críticos, ou insultuosos, sobre Diogo Vaz Pinto. Se o quiserem criticar, ou insultar, dêem a cara, isto é, assinem com o Vosso nome, aquele que os Vossos pais escolheram. E, mesmo assim, só publicarei os primeiros. Nunca os segundos. 

Estados Filosóficos (115)


No que diz respeito à Literatura, Pintura, Cinema e Música, todo aquele que não reconhece e assume a sua própria ignorância é, verdadeiramente, ignorante.

Livros (160)




Não sou grande conhecedor de cinema, isto é, não sei desenvolver um discurso elaborado sobre teoria cinematográfica e coisas desse género. Nunca fui grande apreciador do chamado cinema de autor. Começo agora a estar mais aberto a isso e penso que foi necessário chegar a esta idade, fazendo o percurso que fiz, para o concluir. É-me, sem dúvida, necessário. Assim sendo, posso afirmar que nunca vi um único filme de Pedro Costa e comprei este livro porque o encontrei barato (custou-me 4 euros). Todavia, foi um livro que li com muito agrado. Posso dizer que é um livro muito, muito bom. E abriu-me o apetite para começar a ver os filmes de Pedro Costa. Vamos ver se consigo.

Em repeat



Cosey Fanni Tutti
Tutti
Conspiracy International
2019

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Às vezes o início do dia, a manhã e as suas ruas como uma composição de Bartsch. Caminhar ligeiro. Observar tudo em redor. Experimentar a brisa fresca no rosto. Sentir. Sentir o mundo no seu eixo. E sorrir brevemente.

Uma imagem para o dia



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No outro dia disse a um amigo que estou desde o início do ano a tentar acabar de ler vários livros. Isto é: este ano ainda não consegui terminar a leitura de um único livro. Comecei com O Tango de Satanás. Interrompi. Passei para Auto-de-Fé. Interrompi. Lisboa na rua. Interrompido. Heresias. Idem. Agora ando a ler um livro com entrevistas ao realizador Pedro Costa. Penso que irei concluir. Mas nada é certo.

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Tenho alguns prazeres. Um deles é ver a minha barba crescer. O branco há muito que tomou conta dela. Dizem que me dá uma ar envelhecido. Antes isso do que sábio, algo que não sou nem serei (e isto não é falsa modéstia, caro Anónimo). E dá-me prazer todos os dias de manhã, depois do banho tomado, escovar e secá-la; depois passar um óleo hidratante e voltar a escovar, pentear. É um pequeno prazer que tenho, antes de enfrentar o mundo e as suas camelices. Depois de passar a porta da rua podem tirar-me muita coisa. Mas não me tiram os cinco minutos que passei a cuidar da minha barba.

Discos (301)



Silver Ghosts
(instrumental)

Craig Taborn


Ontem, com o primeiro calor, o gato preferiu ficar junto à janela quase aberta, onde a sombra mora durante todo o dia. Quando cheguei a casa apenas me pediu biscoitos, para depois voltar para esse lugar de onde vigia a cidade. Nem deu pelo piano de Taborn. Ou talvez sim. Seja como for: a verdade é que aprecia a leve brisa que, às vezes, entra pela janela quase aberta. E, quando lhe passo a mão pelo dorso, mia baixinho um miar muito dele e que eu traduzo como "estou bem, sim".

Lí por aí


De um crítico poeta espero que malhe com propriedade na poesia de outro poeta e não que malhe no poeta. Descrever como “um estilo literariamente armado até aos dentes” ataques ad hominem gratuitos, desequilibrados, infundados e recorrentes denuncia uma arrogância preocupante. Não fales em literatura. Não blasfemes.


Pensamento do dia



David Torn
At least there was nothing
Only Sky
ECM
2015

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Convém sempre ler as letras pequenas. Explico. No passado dia vinte e três de Março fiz uma compra de quatro CDs num site sediado na Irlanda, isto é, dentro da União Europeia. Os CDs chegaram a Portugal no passado dia 12 de Abril e eu, dia 15 de Abril, recebi uma carta dos CTT para iniciar o processo de desalfandegamento. Estranhei, mas iniciei o processo no dia 18 de Abril. Tudo foi feito online. Na semana passada, dia 2, fui informado de que o volume iria ser desalfandegado. Fiquei todo satisfeito. No passado dia  9 de Maio recebi um aviso dos CTT para ir levantar a minha encomenda e que a mesma teria um custo de 30€. Fiquei surpreendido. Afinal eu tinha mandado vir os CDs da Irlanda, dentro da União Europeia e livre de qualquer pagamento. Entrei em contacto com o site e fui logo informado: o site está "sediado" na Irlanda, mas o armazém é nos Estados Unidos da América. E mais: fui informado de tudo isso e aceitei essas condições quando cliquei no botão "I Agree". Cada um dos CDs que comprei ficou a um preço unitário de 24.50€, depois do desalfandegamento. E eu aprendi uma grande lição.

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Aqui a maior parte das salas de aula estão forradas com cortiça. Alguém se lembrou que seria um bom isolamento acústico. Esqueceram que também é isolamento térmico. E quando colocado do lado errado da parede, isto é, do lado de dentro, pode tornar uma divisão num pequeno forno, onde, lentamente, vamos assando o dia.

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Trabalhar com pessoas tem um inconveniente: às vezes temos de falar com elas e ouvir aquilo que têm para dizer. E isso é difícil, principalmente num dia como o de hoje, em que tudo me enerva, incluindo a luz do sol. Mas o pior são, sem dúvida, as pessoas. As pessoas deveriam aprender a estar caladas e a não quererem mostrar que são sempre inteligentes ou sempre divertidas ou o raio-que-as parta. Um pouco de silêncio e de depressão ficava-lhes melhor.

Ensino Recorrente



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Às vezes, na sala dos professores, quando quero que me deixem em paz e nada me perguntem, coloco os auscultadores nos ouvidos e finjo ligá-los ao telemóvel. Nada ouço. Nada escuto. Ninguém fala comigo. Ninguém pergunta. Ninguém procura respostas.

Li por aí


Gosto de despojar os objectos de ostentações. É mais ou menos o contrário da publicidade ou da arte contemporânea mais empreendedora (ver Joana Vasconcelos nos dois casos): restituir vulgaridade às coisas, deitar por terra o prestígio acumulado (vale a pena analisar os antecedentes latinos da palavra prestígio). É por isso que, entre outros gestos, prefiro comprar flores imperfeitas na rua ou na drogaria da avenida de França e a revista Electra na tabacaria da Fonte da Moura. Ontem caprichei no desempenho do exercício. À tarde, quando fui para casa, meti a revista de papéis finos no saco junto com o guarda-chuva vermelho ainda húmido e o tupperware sujo de sopa. O pensamento, a crítica e a reflexão precisam tanto de discurso como de chão.