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Versões: e. e. cummings


pode não ser sempre assim; e por isso digo
que se os teus lábios, que amei, tocarem
outros, e os teus dedos apertarem o seu
coração como o meu até há pouco tempo;
se noutro rosto o teu doce cabelo repousar
num silêncio que conheço, ou algumas
palavras se contorcerem ou, em absoluto,
permanecerem desarmadas frente ao mar;

se tal acontecer, repito: se tal acontecer ―
tu do meu coração, envia-me uma palavra simples;
para que vá ter com ele, lhe segure as mãos,
e diga, Aceita esta felicidade que te dou.
Depois desviarei o olhar, e ouvirei dum pássaro
uma terrível melodia, vinda das terras perdidas.


e. e. cummings«it may not always be so; and i say», 100 Selected Poems, New York: Grove Press, 1994, p. 9.

Versões: e. e. cummings


a minha querida e velha etcetera e tal
tia lucy durante a mais recente

guerra conseguia e acima
de tudo dizia-te sem qualquer problema
a razão de andarem todos

à pancada,
a minha irmã

isabel fez centenas
(e
centenas) de meias para
não falar de camisas antipulgas protectores-de-orelhas

etcetera e tal luvas etcetera e tal, a minha
mãe tinha esperança

que eu morresse etcetera e tal
com bravura obviamente dizia o meu pai
que costumava tagarelar sobre como seria
um privilégio e se ao menos ele
pudesse enquanto

eu etcetera e tal deitado sossegado
na lama profunda et

cetera e tal
(a sonhar,
et
cetera e tal, com
o teu sorriso
olhos joelhos e com o teu etcetera e tal)



e. e. cummings, « my sweet old etcetera», 100 Selected Poems, New York: Grove Press, Inc., 1994, p. 32.

Versões: e. e. cummings


já que sentir vem primeiro
quem prestar atenção
à sintaxe das coisas
nunca te beijará por inteiro;

mas por inteiro enlouquecer
enquanto Primavera houver no mundo

o meu sangue aprova,
e beijos são melhor destino
do que sabedoria
juro por todas as flores, senhora. Não chores
― pois o meu melhor pensamento é menos
do que as tuas pestanas a dizer

fomos feitos um para o outro: por isso
ri, deita-te nos meus braços
sabendo que a vida não é um parágrafo

E a morte nenhum parêntesis


e. e. cummings, «since feeling is first», 100 Selected Poems, New York: Grove Press, Inc., 1994, p. 35.

Um poema de e.e. cummings

já que sentir é primeiro
quem presta alguma atenção
à sintaxe das coisas
nunca há-de beijar-te por inteiro;

por isso ensandecer
enquanto a Primavera está no mundo
o meu sangue aprova,
e beijos são melhor fado
que sabedoria
senhora eu juro por toda a flor. Não chores
— o melhor movimento do meu cérebro vale menos que
o teu palpitar de pálpebras que diz

somos um para o outro: então
ri, reclinada nos meus braços
que a vida não é um parágrafo

E a morte julgo nenhum parêntesis


em xix poemas, selecção, tradução e notas de Jorge Fazenda Loureiro, Lisboa: Assírio & Alvim, colecção Gato Maltês, nº 27, 2ª edição, 1998, p. 39.