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Al Berto


7.

é no silêncio
que melhor ludibrio a morte

não
já não me prendo a nada
mantenho-me suspenso neste fim de século
reaprendo os dias para a eternidade
porque onde termina o corpo deve começar
outra coisa outro corpo

ouço o rumor do vento
vai
alma vai
até onde quiseres ir


em O Medo, Lisboa: Contexto, 1ª edição, 1987, p. 565.

Um poema de Al Berto


1

pernoitas em mim
e se acaso te toco a memória… amas
ou finges morrer

pressinto o aroma luminoso dos fogos
escuto o rumor da terra molhada
a fala queimada das estrelas

… é noite ainda
o corpo ausente instala-se vagarosamente
envelheço com a nómada solidão das aves

já não possuo a brancura oculta das palavras
e nenhum lume irrompe para beberes…


em «Rumor dos Fogos» (1983), in O Medo, Lisboa: Contexto, 1987, p. 371.