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Um poema de Gomes Leal

A Bela Flor Azul

Quem saberá, «signora» onde terá
nascido esse belo lírio branco?

Velha Comédia Italiana

Eu não sou o fatal e triste Baudelaire,
Mas analiso o Sol e decomponho as rosas,
As rijas e imperiais dálias gloriosas,
— E o lírio que parece o seio da mulher.

Tudo o que existe ou foi, morre para nascer.
Na campa dão-se bem as plantas graciosas.
E, um dia, na floresta harmónica das Cousas,
Quem sabe o que serei, quando deixar de ser!

A Morte sai da Vida — a Vida que é um sonho!
A flor da podridão, o belo do medonho,
E a todos cobrirá o místico cipreste!...

E, ó minha Esfinge, a flor pálida e azul no meio,
Que ontem tinhas no baile e que trouxeste ao seio,
— Levantei-a dum chão onde passara a Peste.

em Antologia Literária Comentada: Do Romantismo ao Simbolismo, coordenação de Maria Ema Tarracha Ferreira, Lisboa: Editorial Aster, s.d., pp. 277-278