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Um poema de Frederico Pedreira


Último Mergulho

Pela noite é quando tudo sossega, e
é isto o que tenho: mão ágil no pescoço,
a gravata e algum choro arrancados.

Como retomar um verão mais ou menos distante,
agora, com os joelhos perto um do outro
sobre a cama e no rosto a frescura das
algas que ficaram do último mergulho,
como entrar nessa curva fora do tempo?

Olho em volta, faço
alguns embelezamentos pela casa:
uma morna avança na aparelhagem
com a pressa disfarçada da morte,
coisa que a ti certamente levaria ao sono
pelo atalho mais florido.


em Quinteto (Catarina Barros, Tatiana Faia, Maria João Lopes Fernandes, Frederico Pedreira e Paulo Tavares), Lisboa: Artefacto, 2012, p. 32.