Mostrar mensagens com a etiqueta Antonio Orihuela. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Antonio Orihuela. Mostrar todas as mensagens

Versões: Antonio Orihuela



Eu nasci no ano em que Peter Townshend escreveu “My Generation” para os Who.

Eu, que coloquei todo o meu corpo fora da janela do carro do meu pai
enquanto ele fazia a chiar a curva da Cuesta de las Doblas,
em San Lucar, Sevilha.

Eu, que dancei slows em Palos de La Frontera.

Que morria de vergonha quando falava ao telefone
mas telefonava à minha namorada quatro vezes por dia.

Eu que atropelei um Guarda Civil com um Seiscentos
e que capotei na estrada entre Lucena e Bonares numa Dyane,
que dei quatro voltas dentro de um 850 no regresso de Trigueros.

Eu, que tirei mais soutiens do que cuecas,
que amei todo o ser vivo
que o tempo me ofereceu.

Eu, que continuo a passear pela praia
assobiando ao fantasma do meu cão

em novembro

as ondas como se nada disto
tivesse acontecido, realmente…

… Hoping to die before I get old.


Antonio Orihuela, «Yo nasci…», Comiendo terra, Biblioteca Babab,www.babab.com/biblioteca, Setembro de 2000, pp. 89-90

Versões: Antonio Orihuela


Cada vez mais, vejo gente
com uma venda
a tapar-lhes os olhos.

Até já vi gente que
afastando-lhes um pouco a venda

a voltaram a colocar correctamente.



Antonio Orihuela, «Cada vez, veo más gente…», em Comiendo tierra, Biblioteca Babab,www.babab.com/biblioteca, Setembro de 2000, p. 32.

Versões: Antonio Orihuela


Escrevo
para não dar um tiro na cabeça.

E até escrever
se transforma às vezes
num tiro na cabeça.


Antonio Orihuela, «Escribo…», Comiendo tierra, Biblioteca Babab,www.babab.com/biblioteca, Setembro de 2000, p. 31.

Versões: Antonio Orihuela


Democracia Vigiada

Um atentado levou Adolfo Suárez ao poder.
Um atentado levou Felipe González ao poder.
Um atentado levou José María Aznar ao poder.
Um atentado levou José Luis Rodríguez Zapatero ao poder.

Enquanto houver dinamite,
para quê confiar nas urnas?


Antonio Orihuela, «Democracia Vigilada», Todo el mundo está en otro lugar, Tenerife: Ediciones Baile del Sol, 2011.

Versões: Antonio Orihuela

Permanecerá

aquele caminho, na vila
escura, na noite com cães.

Onde eu gritei a minha raiva,

e tu revolveste
com a tua mão
o meu peito.


Antonio Orihuela, «Quedará...», Comiendo terra, Biblioteca Babab, www.babab.com/biblioteca, Setembro de 2000, p. 19.