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Versões: D.H. Lawrence


O Optimista

O optimista constrói um abrigo, fecha-se lá dentro
e pinta as paredes de azul cor do céu
e tranca a porta
e diz que está no paraíso.


D.H. Lawrence, «The Optimist», em The Complete Poems of D.H.Lawrence, Ware: Wordsworth Editions, 2002, p. 370.

Versões: D.H. Lawrence



Ó! Que alguém comece uma Revolução!

Ó! Que alguém comece uma Revolução!
não pelo dinheiro
mas para perdermos tudo.

Ó! Que alguém comece uma Revolução!
não para os trabalhadores terem o poder
mas para acabar com eles
e termos um mundo de homens.

D.H. Lawrence, «O! Start a Revolution», em The Complete Poems of D.H.Lawrence, Ware: Wordsworth Editions, 2002, p. 370.

Versões: D.H. Lawrence


Cigano

Eu, o homem do cachecol vermelho,
          Irei dar-te tudo o que tenho, os ganhos da última semana.
Leva tudo e compra um anel de prata
          E casa comigo, acalma os meus desejos.

Quanto ao resto, quando casados estivermos
          Irei trabalhar muito por ti
Transpirado, entrarei numa casa para estar junto a ti,
          E fecharás as portas atrás de mim.


D. H. Lawrence, «Gipsy», em The Complete Poems of D.H.Lawrence, Ware: Wordsworth Editions, 2002, p. 11.

Versões: D.H. Lawrence

Autocomiseração

Nunca vi um animal selvagem
ter pena de si mesmo.
Um pássaro cairá gelado e morto de um ramo
sem nunca ter pena de si mesmo.


D.H. Lawrence, «Self-Pity», em The Complete Poems of D.H.Lawrence, Ware: Wordsworth Editions, 2002, p. 382.

Um poema de D.H. Lawrence


Democracia

Sou democrata na medida em que amo o livre sol dos homens
e aristocrata na medida em que detesto as possessivas tacanhas [criaturas.

Amo o sol em qualquer,
quando o vejo na fronte,
claro, sem temor, ainda que frágil.

Mas, quando vejo os pardos homens prósperos,
hórridos e cadavéricos, inteiramente sem sol,
como obscenos escravos prósperos saracoteando-se mecânicamente,
então sou mais que radical, desejo a guilhotina.

E quando vejo os que trabalham,
pálidos e vis como insectos, às corridas
e como piolhos vivendo, com dinheiro contado
e sem nunca erguer os olhos,
então, como Tibério, desejo que a multidão tivera uma cabeça
para decepá-la de um só golpe.
Eu penso que, quando as gentes perderam totalmente o sol,
não têm direito a existir.

em Poesia do Século XX, antologia, tradução, prefácio e notas de Jorge de Sena, Porto: Edições ASA, 3ª edição, 2003, p.190.