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Decidi dar o salto para o médio formato. Tendo em conta que uma câmara digital de médio formato é demasiado cara e não tenho nenhum rim para dispensar, há um mês comprei uma Bronica ETRS. Veio de Itália muito bem embrulhada no jornal diário Il ManifestoRecebi hoje as primeiras digitalizações do Ilford HP5 400. Como suspeitava, das 15 fotos possíveis tenho duas ou três apresentáveis. Tenho de treinar melhor a focagem manual, que exige muita paciência. A foto que apresento é a melhor de todas. Estou, no geral, satisfeito.

"A luz surge em lugares secretos" (Dylan Thomas), Avenida Gomes Pereira, Lisboa, 28 de Março 2025

 





CPLP


Algo que nunca irei entender é o preço dos livros, em Portugal, de editoras brasileiras. Um exemplo: o livro "A luta de classes", de Domenico Losurdo, custa no Brasil R$ 97. Em euros dá 15,62 €. Mas em Portugal o preço do livro é de 33,62 €. E o mesmo talvez aconteça no Brasil em relação aos livros publicados em Portugal. Penso que o acréscimo será devido às famosas tarifas alfandegárias. Mas, o Brasil, "país irmão" (como é costume dizer), não faz parte da CPLP? Portugal não faz parte da CPLP? Um dos princípios da CPLP é a "promoção da cooperação mutuamente vantajosa". Onde está ela, ao nível editorial, para os leitores?

Meter medo - João Rodrigues

 




Há toda uma economia política construída com base na redistribuição do medo de cima para baixo na pirâmide social, exigindo propaganda sem fim. 

Erodir os Estado sociais, construídos nacionalmente, é o objetivo de classe, de resto inscrito na lógica institucional da UE. 

A economia de guerra é mais um meio, se bem que particularmente perigoso, exigindo criar inimizades constantes, deflacionar a diplomacia e inflacionar os interesses capitalistas que lucram com a destruição. 

Redistribuir o medo de baixo para cima, reduzindo-o globalmente nesse processo, exige hoje articular a luta pela paz com a defesa do Estado social e o resgate da soberania democrática.




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Maria João Marques, colunista do Público e comentadora na SIC, decidiu brindar-nos com esta frase na sua recente coluna no jornal Público. A soez insinuação de que a esquerda é apologista de agressões e violações, ou que as desvaloriza, não é novidade nesta senhora. Em 2024, a propósito da libertação de Assange, escreveu na rede social X: "(...) a extrema esquerda está a celebrar um muito provável abusador sexual.". Maria João Marques é um bom exemplo do vazio que ganhou palco e debita "opinião".


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Tenho visto por aí muitos comentários de malta que está sempre muito preocupada com o PCP. Dizem que o PCP tem de evoluir pois não vai lá com este tipo de discurso, porque o PCP faz falta e não é bom se desaparecer do parlamento. Para essa malta tenho uma simples pergunta: e votar no PCP? Votam?

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Nunca irei esquecer a época da Troika. Nunca esquecerei que estive, no total, perto de 11 meses desempregado. Nunca esquecerei aquele que foi o Primeiro-Ministro. Pedro Passos Coelho é, para mim, a Margaret Thatcher portuguesa. O que sinto por ele está no mesmo patamar em que Thatcher esteve para a classe trabalhadora do Reino Unido. E vocês? Estão preparados para o regresso de Passos Coelho? E de braço dado com o CH?

Mahmoud Khalil

 






The arrest of Palestinian advocate Mahmoud Khalil for campaigning for an end to the oppression and genocide of Palestinians, would be un-American if the US state were devoted to ending exploitation and oppression. But inasmuch as it is ruled by and for an exploiting and oppressing class, Khalil’s arrest is American to the core.


Stephen Gowans
em What's Left

Lí por aí


Não há volta a dar: são 4500 euros por mês no orçamento familiar, enquanto primeiro-ministro, mas já antes como líder do PSD, entregues por uma sociedade que tem negócios que dependem de confirmação estatal.  Não querem eleições? Ainda bem. Demita-se o PM e apresente o partido um nome para formar novo governo. Está o caso resolvido. Com eleições, será um merecido massacre: 4500 euros vezes quantos meses? O líder de um partido de governo a ser subvencionado por uma empresa que tem negócios com o Estado? Onde é que há ponta por onde se pegue?... Como disse António Filipe ¾ eleito deputado também com o meu voto, felizmente ¾, ninguém é obrigado a ser primeiro-ministro.

Ricardo António Alves
em Abencerragem

Os números da mentira dos senhores da guerra - Nuno Ramos de Almeida


Numa carta enviada aos líderes europeus, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs um plano de rearmamento, com cinco pontos, com o intuito de gastar 800 mil milhões de euros. Em primeiro lugar está «o aumento do investimento de cada Estado-membro em defesa a nível nacional», gastando mais 1,5% do PIB. Para isso, Bruxelas propôs regras orçamentais mais flexíveis, de forma a que o aumento do investimento não desencadeie um procedimento por défice excessivo.

Será também criado um novo instrumento com 150 mil milhões de euros em empréstimos para investir em armamento, como mísseis, munição, drones, anti-drones, entre outros. Neste ponto, Von der Leyen referiu ainda que os países podem ter de aumentar o seu apoio à Ucrânia.

O objectivo declarado, deste plano, é o combate à ameaça russa e defender a Ucrânia. Mas esta operação de corrida aos armamentos e de deriva para a guerra baseia-se em várias mentiras e numa ilegalidade.

A Comissão Europeia não pode traçar metas de gastos militares para os 27 Estados que a compõem, as questões de defesa, no tratado da União Europeia, são da exclusiva responsabilidade de cada um dos Estados-membros.

Portugal gasta 1,55% do seu PIB em gastos de defesa, assumiu que até 2029 iria atingir os 2%, o que significa despender cerca de 6 mil milhões de euros. Com a proposta da União Europeia passaria a gastar, pelo menos, mais 4,5 mil milhões de euros, uma soma superior a 10 mil milhões de euros e 3,5% do PIB.

Se formos obrigados a cumprir a «meta» agora exigida por Donald Trump, temos de gastar 5% do PIB, perto de 15 mil milhões de euros, uma verba equivalente aos gastos orçamentados para o Serviço Nacional de Saúde. O que significa que esta corrida aos armamentos iria, pura e simplesmente, acabar com o Estado Social.

Esta «ordem» ilegal da Comissão Europeia baseia-se na afirmação de que a Rússia vai invadir a União Europeia (UE) e que os países da Europa Ocidental se encontram desarmados perante o poderio militar ofensivo da Rússia.

Um argumento bastante contraditório em relação ao que nos têm «vendido» nos últimos anos, de que a Rússia não tinha capacidade de ganhar a guerra da Ucrânia. «Têm de tirar os chips das máquinas de lavar roupa, para os colocar nos mísseis», garantiram-nos. E agora dizem-nos, com igual convicção, que, em poucas semanas, a Rússia pode invadir toda a União Europeia.

Mas aquilo que não nos dizem é que, actualmente, os gastos militares dos 27 países da UE, somados aos do Reino Unido, são quatro vezes maiores do que os da Rússia, cerca de 400 mil milhões de euros contra 100 mil milhões de euros de uma Rússia em guerra. A estes gastos estratosféricos a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pretende somar mais 800 mil milhões de euros.

Segundo Emmanuel Todd, no seu livro sobre a derrota do Ocidente, o PIB da Rússia somado com o da Bielorrússia é 3,3% do PIB das potências ocidentais (UE, Reino Unido, Estados Unidos da América, Japão, Coreia do Sul, Canadá, Austrália e Nova Zelândia). Uma desproporção gigante aumentada pelo facto de os EUA gastarem mais de 800 mil milhões de euros por ano em despesas militares.

Diz-se, nos Estados Unidos da América, que as pessoas que têm um grande martelo acham que todos os problemas são pregos. Aqueles que apostam na militarização da União Europeia querem garantir a aceitação do regresso de uma guerra mundial em terras europeias.

A forma acrítica como os órgãos de comunicação social têm registado esta perigosa corrida aos armamentos, preparando as respectivas opiniões públicas para aceitar uma guerra que pode acabar com o planeta, parece repetir a dinâmica narrada por um conhecido escritor britânico.

O efeito de manada que se assiste no pseudo-jornalismo dos grandes acontecimentos mundiais faz lembrar uma história contada no livro O Enviado Especial, de Evelyn Waugh, sobre um grande repórter que é enviado para cobrir um conflito nos Balcãs. Na época, as deslocações eram feitas de comboio. O admirável jornalista adormece e sai na estação errada, o que no meio da confusão da região significa que desembarcou na capital de uma outra república. Já que lá está, começa a enviar telexes sobre uma crise, um conflito que se vai transformar numa guerra civil.

Perante a publicação destas notícias, outros jornais mandam jornalistas. Ao entrarem no país não vêem nada disso, mas como o grande repórter continuava a enviar textos sobre a guerra civil que avançava, para não perderam perante a concorrência, fazem o mesmo e expedem um conjunto de notícias cada vez mais graves. Perante as peças dos jornais, a bolsa despenha-se, o governo desse país demite-se e o país entra finalmente em guerra civil. Como vêem, a ficção é uma pálida imitação da realidade que assistimos hoje.


em AbrilAbril
em linha no dia 10 de Março 2025

Terreno em pousio, Almeirim, 04 de Março 2025

 






Versões: Alejandra Pizarnik


O vento morre na minha ferida.
A noite mendiga o meu sangue.



em Poesía Completa, Lumen, 2000, p. 86.

RHPEC

 





Tivemos o PREC e agora temos o RHPEC (Reescrita da História de Portugal em Curso). Só faltava mais esta: o 11 de Março de 1975 ser um "golpe comunista"!


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O PCP apresentou uma moção de censura e os comentadores, da direita à esquerda, disseram que estava a fazer um favor ao Governo, pois este não teria de apresentar uma moção de confiança, já que a não aprovação da moção de censura estava mais do que garantida. Pedro Nuno Santos chegou mesmo a dizer que o PCP tinha mordido o isco do Governo. Vai disto, o Governo apresenta uma moção de confiança. E o PS "apela" ao Governo que a retire.

No meio de tudo isto, o ministro Adjunto e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, veio admitir que o Governo poderá retirar a moção de confiança, caso o PS se mostre satisfeito com os esclarecimentos dados e retire a proposta de comissão de inquérito. Mas o ministro da Presidência, Leitão Amaro, considera que a votação de uma moção de confiança “parece, neste momento, inevitável” e que é mesmo para avançar.

Entretanto, a IL — que considerava há poucos dias que Montenegro tinha conflitos de interesses «inaceitáveis» e estava em «fim de linha» (palavras do seu líder Rui Rocha) — veio ontem dar a sua confiança ao Governo.

Pergunto: afinal quem é que mordeu o quê?

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Depois da humilhação na Casa Branca, que tanta comoção trouxe, pelos vistos o acordo sobre os minerais está próximo. O acordo sobre a paz é que é do catano.