27.12.09

Um poema de Manuel de Freitas


III (Grande Hotel de Paris)


para a Inês Dias


A morte, claro. Existem porém
dias grandes, irredutíveis a versos,
em que a indecisão da luz
nos açoita de felicidade.

São dias raros, futuras
imagens do nada, o suficiente
para que a palavra amor substitua
o primeiro cigarro da manhã.

Chegámos tarde. O quarto 203
trazia-me de novo o teu corpo.
E até a música dos sinos
vinha deitar-se connosco.


em A Flor dos Terramotos, Lisboa: Averno, 1ª edição, 2005, p. 27


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