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Um poema de Luís Filipe Cristóvão


Telegrama

Nesta fotografia sou eu
com cara de assustado
a olhar para uma parede em ruína

quando o comboio parou numa estação
qualquer que eu já me esqueci.

Sim, eu, a mão que segura o queixo,
e a cabeça a ter-se sempre na posição
de quem começa um novo começo.

Podes colocá-la numa moldura azul,
junto à comida dos passarinhos.

em E como ficou chato ser moderno, Torres Vedras: Livrododia Editores, 2007, p. 33.