Telegrama
Nesta fotografia sou eu
com cara de assustado
a olhar para uma parede em ruína
quando o comboio parou numa estação
qualquer que eu já me esqueci.
Sim, eu, a mão que segura o queixo,
e a cabeça a ter-se sempre na posição
de quem começa um novo começo.
Podes colocá-la numa moldura azul,
junto à comida dos passarinhos.
em E como ficou chato ser moderno, Torres Vedras: Livrododia Editores, 2007, p. 33.