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Sá de Miranda


107.


Alma, que fica por fazer desd’hoje
na vida mais, se a vã minha esperança,
que sempre sigo, que me sempre foge,
já quanto a vista alcança e não alcança?

Fortuna que fará? Roube, despoje,
prometa doutra parte em abastança,
que tem com que m’alegre, ou com que anoje?
tanto tempo há que dei mão à balança.

Chorei dias e noites, chorei anos,
e fui ouvido ao longe, pelo escuro
gritando, acrecentar muito em meus danos.

Agora, que farei? Por amor juro
de tornar a cantar fora d’enganos
e, por muito do mal, posto em seguro.


em Obras Completas - Volume I, texto fixado, notas e prefácio pelo Professor M. Rodrigues Lapa, Lisboa: Sá da Costa Editora, 1960, p. 306.

Um poema de Sá de Miranda


Do passado arrependido,
seguro doutro erro tal,
seja o perdido, perdido,
e do mal, o menos mal.
Faça-se o que vós mandais:
não nos ouça mais ninguém,
que do mal vosso e do bem,
não sei qual quisesse mais.

em Obras Completas - Volume I, Lisboa: Sá da Costa Editora, 1960, p. 13