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Manuel de Freitas
Hermenêutica
para o Rui Caeiro
Um crítico literário disse
que Rimbaud fazia festas à pila
(e por isso escreveu "Dévotion").
Houve outro que disse que não.
em Game Over, Lisboa: & etc, 2002, p. 47.
Um poema de Manuel de Freitas
III (Grande Hotel de Paris)
para a Inês Dias
A morte, claro. Existem porém
dias grandes, irredutíveis a versos,
em que a indecisão da luz
nos açoita de felicidade.
São dias raros, futuras
imagens do nada, o suficiente
para que a palavra amor substitua
o primeiro cigarro da manhã.
Chegámos tarde. O quarto 203
trazia-me de novo o teu corpo.
E até a música dos sinos
vinha deitar-se connosco.
em A Flor dos Terramotos, Lisboa: Averno, 1ª edição, 2005, p. 27
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