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Um poema de Vitorino Nemésio


Bases

Não negarei poesia de antes
Com poesia de depois
Mas sim direi com moléculas:
Fosse eu o niño dos bois!
Sim, o menino da aguilhada
Do meu bisavô boeiro:
Dono de bois,
Dono de bois,
Cheirando fusco de pêlo,
Raspa de chifre, bosta de vaca,
Verde erva verde no leite branco,
Azul azul do céu rogado
Em genes meus cromossomado:
O céu do mar, amplo de lua
Como coisa que fosse tua.
Que fosse tua
Como eu já sou
Nem de ninguém nem de nada,
Apenas tinta encarnada,
Pobre guanina mutada
Na Dupla Hélice nada.

em Limite de idade, Lisboa: Editorial Estúdios Cor, Colecção Auditorium, s.d., pp. 23-24.