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Rui Baião


De rastos

Chão polido, palavras tontas, grandes cães. À escuta,
a inocência em tal estado de graça, castigauma dor dupla.
Desculpa, o que faço comigo. Mas quanto ao que está,
estamos falados: uma fractura imposta, uma coleira
ao pescoço, um açaimo na fala. Agora é já tarde,
se for para nunca. D'olhos fechados, surdo
mudo a fechadura. Atenção aos batimentos,
atenção aos bastidores. um espanto,
estes canais de cálcio!...


em Barbearia Tiqqun, Lisboa: Ed. Viúva Frenesi, 2017, p. 17.

Um poema de Rui Baião


Provas globais

Nunca ninguém me falara
em coca mariachi, nem do aço
azul do vinho, nem tão-pouco
de linhaça, ou lágrimas.
Tantas vezes caí onde o cálice
em hélice nunca cedera a nortadas.
Luz grande reduz a biqueira
ao desejo de ouvir música
preta, ímanes miseráveis
ávidos de melodiosa ira. O tema
era: cidadania para massagistas.
Nunca ninguém nos ensinou nada de nada.


em Nuez (com fotografias de Paulo Nozolino), Lisboa: Frenesi, 2003, p.9.

Um poema de Rui Baião



Ligado às máquinas a morte
vive vegetal aos quadradinhos.
Coisas leves dada à boca dos velhotes.
Soro & sonda. Vota em hóstia a irmãzinha
dos cerelaques. Ris-te ao portal
que dá para a bênção da gadeza.
É como nos filmes, limpa-se
a trampa aos gansos, tosse-se
o que haja ainda de pleura para tossir.
Em telha vã, quem lhes dera
fazer tropelia e prognósticos. Rumores,
a quem à sede queria ser
o próprio outro.

em Nuez (com fotografias de Paulo Nozolino), Lisboa: Frenesi, 2003, p. 7.