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Um poema de Maria da Encarnação Baptista



Despedida


Ergueu-se e disse.

"E não te esqueças!

Abre primeiro as portas e janelas
que dão sobre os caminhos
e arranca as tuas ervas...

Depois então irás
a casa do vizinho.

Adeus..."

Voltou atrás:

"Todos te esperam..."

E há desde aí
uma cegueira a mais em equilíbrios
nas enredadas cordas estendidas.



em Hora Entendida (1951), retirado de Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa (org. Maria Alberta Menéres e E.M. de Melo e Castro), 2ª edição revista, actualizada e com uma nova introdução, Lisboa: Livraria Morais Editora, Colecção Círculo de Poesia, 1961, p. 23.