Mostrar mensagens com a etiqueta Stephen Crane. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Stephen Crane. Mostrar todas as mensagens

Versões: Stephen Crane


XIX

Um deus irado
Batia num homem;
Esmurrava-o aos berros
Com retumbantes socos
Que se ouviam por toda a terra.
Todas as pessoas apareceram a correr.
O homem gritava e lutava,
E mordia com força os pés do deus.
As pessoas gritavam,
“Ah, que homem terrível!”
E –
“Ah, que deus formidável!”


Stephen Crane, «XIX», em The Black Riders & Other Lines (1895), retirado da Electronic Text Center, University of Virginia Library.


Versões: Stephen Crane

 LIX


Ao caminhar pelo céu,
Um homem vestido de negro
Encontrou um ser luminoso.
Ansioso, acelerou o passo;
Ajoelhou-se em devoção.
“Meu Deus,” disse ele.
Mas o ser não o reconheceu.


Stephen Crane, «LIX», em The Black Riders & Other Lines (1895), retirado da Electronic Text Center, University of Virginia Library.

Versões: Stephen Crane


LVI

Um homem temia encontrar um assassino;
Outro encontrar uma vítima.
Um era mais sábio do que o outro.


Stephen Crane, «LVI», em The Black Riders & Other Lines (1895), retirado da Electronic Text Center, University of Virginia Library.

Versões: Stephen Crane

XIII

Se há uma testemunha para a minha vidinha,
Para as minhas pequenas angústias e lutas,
Ele vê um tolo;
E não é prudente aos deuses ameaçar os tolos.

 
Stephen Crane, «XIII», em The Black Riders & Other Lines (1895), retirado da Electronic Text Center, University of Virginia Library.

Versões: Stephen Crane


XXIV

Vi um homem que perseguia o horizonte;
Às voltas e às voltas apressado.
Tudo aquilo me desesperou;
Fui ter com ele.
“É inútil,” disse-lhe,
“Nunca será possível –“

“Mentiroso,” gritou,
E fugiu.

Stephen Crane, «XXIV», em The Black Riders & Other Lines (1895), retirado da Electronic Text Center, University of Virginia Library.

Versões: Stephen Crane


XXXI

Muitos trabalhadores
Construíram uma grande bola de pedra
No topo de uma montanha.
Depois foram para o vale mais abaixo,
E contemplaram a sua obra.
“É magnífica,” disseram;
Adoravam a coisa.

De repente, ela mexeu-se:
Caindo sobre eles;
Esmagando-os por completo.
Mas alguns ainda conseguiram gritar.

Stephen Crane, «XXXI», em The Black Riders & Other Lines (1895), retirado da Electronic Text Center, University of Virginia Library.

Um poema de Stephen Crane


É BOA A GUERRA

Não chores, rapariga, é boa a guerra.
Lá porque o teu rapaz ergueu as mãos ao céu
E a galope o cavalo se perdeu,
Não chores, não.
É boa a guerra.

Tambores de regimento rufam roucos,
E esta gente sequiosa de lutar
Nasceu para a recruta e p’ra morrer.
A inexplicada glória os sobrevoa,
É grande o deus da guerra, e é seu reino
Um campo com milhares a apodrecer.

Não chores, criancinha, é boa a guerra.
Porque o teu pai tombou na lama da trincheira,
Esfacelado o peito e já sem vida,
Não chores, não.
É boa a guerra.

Bandeiras crepitando esvoaçantes,
Águias douradas, rubras! Esta gente
Nasceu para a recruta e p’ra morrer.
Mostrai-lhe as eficácias do massacre,
Dizei-lhe a excelência de matar,
De um campo com milhares a apodrecer.

Mãe cujo amor é qual botão mesquinho
Na esplêndida mortalha do teu filho,
Não chores, não.
É boa a guerra.
em Poesia do Século XX, antologia, tradução, prefácio e notas de Jorge de Sena, Porto: Edições ASA, 3ª edição, 2003, p. 136.