Mostrar mensagens com a etiqueta Wallace Stevens. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Wallace Stevens. Mostrar todas as mensagens

Versões: Wallace Stevens


Da Superfície das Coisas

I

Do meu quarto, o mundo está longe de ser compreensível;
Mas enquanto caminho verifico que é feito de quatro montes e uma nuvem.


II

Da minha varanda, observo o ar amarelado,
Leio o que escrevi,
“A Primavera é como uma rapariga a despir-se”.


III

A árvore dourada é azul.
O cantor cobriu-se com a sua capa.
A lua está nos vincos da capa.



Wallace Stevens, «Of the Surface of Things», Collected Poems, London: Faber and Faber, 2006, pp. 50-51.

Versões: Wallace Stevens


Seis Paisagens Significativas

VI

Racionalistas, a usar chapéus quadrados,
Pensam, em quartos quadrados,
A olhar para o chão,
A olhar para o tecto.
Limitam-se
Aos triângulos rectângulos.
Se experimentassem rombóides,
Cones, curvas e elipses ―
Como, por exemplo, a elipse da meia-lua ―
Os racionalistas usariam chapéus de abas largas.



Wallace Stevens, «Six Significant Landscapes» - VI, Collected Poems, Londres: Faber and Faber, 2006, p. 66.

Versões: Wallace Stevens


Seis Paisagens Significativas

III

Meço-me
Junto a uma grande árvore.
Descubro que sou mais alto,
Pois consigo chegar ao sol,
Com os meus olhos;
E consigo chegar ao mar
Com os meus ouvidos.
Ainda assim, não gosto
Da maneira como as formigas trepam
Pela minha sombra acima.



Wallace Stevens, «Six Significant Landscapes - III», Collected Poems, London: Faber and Faber, 2006, p. 65.

Versões: Wallace Stevens


Tatuagem


A luz como aranha.
Caminha sobre a água.
Caminha sobre arestas de neve.
Caminha sob as tuas pestanas
E prepara a sua teia ―
As suas duas teias.

As teias dos teus olhos
Estão presas
Aos teus ossos e carne
Como vigas ou erva.

São filamentos dos teus olhos
Na superfície da água
E nas arestas da neve.


Wallace Stevens, «Tattoo», Collected Poems, London: Faber and Faber, 2006, pp. 70-71.