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Muitas vezes lembro o rio aos dezasseis anos. Foi, talvez, o melhor dos Verões. Aos dezasseis anos todas as promessas são para sempre: amigos para sempre, amo-te para sempre, felizes para sempre. Depois, com o envelhecer, cada um segue o seu caminho. Quantos amigos – desses para sempre – me restam? Dois. Três, nas melhores das hipóteses. A única coisa que realmente permanece é o rio aos dezasseis anos. O rio. O rio dos corpos sobre as pedras quentes, dos mergulhos da “Carvalha” (só um ou dois é que conseguiam), do chouriço e da febra nas brasas, dos cigarros fumados com tiques de adulto, da sueca, às vezes do silêncio. O rio. Sim, ele permanecerá para sempre. E eu nele, também.


Foto: José Branco

1 comentário:

Olinda P. Gil © disse...

Infelizmente não tive rio aos 16 anos. Mas houve sem dúvida outros lugares dos quais eu podia pensar assim