Arte da Fuga (1)


Foram anos de escrita clandestina em cadernos de capa negra. Penso que nunca devia ter abandonado esses cadernos, as suas linhas. Sim, eram de linhas, ainda hoje tenho alguma dificuldade em escrever nas folhas brancas. Não recordo o que escrevi. Sei que foram o refúgio contra as noites adolescentes sem borbulhas na cara (tive essa sorte). Lembro o assombro da leitura de O Processo. Inverno. A noite cerrada lá fora. O livro de bolso nas mãos (obrigado Europa-América, fizeste mais pela minha formação do que anos a ouvir os monólogos dos professores!), a música na aparelhagem oferecida no aniversário anterior. O disco no prato. Load up your guns*. Inconscientemente, era o que fazia.



* era assim que eu entendia a letra.

1 comentário:

André Benjamim disse...

Esses livros da Europa-América deram cabo da minha visão... durante anos quase todos os livros que comprava eram da Europa-América, da colecção livros de bolso. Primeiro namorava a edição a sério, com letras grandes e bonitas, devidamente espaçadas, que davam vontade de ser lidas... Depois ficava-me pelo mais barato... Prometi a mim mesmo que nunca mais compraria livros da Europa-América a não sei em casos verdadeiramente excepcionais: no caso de não haver mais nenhuma outra edição! E há quase dez anos que cumpro a promessa...