Um poema de Thomas Bernhard

A manhã traz um grande saco

A manhã traz um grande saco.
---Eu digo-lhe: tu és tão velha
que não precisas de me desprezar.
---Os teus sapatos estão rotos.
O teu casaco já um dia foi meu...

---Estou sentado no tugúrio e espero por ti,
não como a anciã, não como as crianças, não
---como o pároco que, depois da homilia,
desce ao vinho e transforma a terra.
---Eu recebo-te com o chicote,
trémulo, vil e frágil
---como um cardo na orla do sol.

em Na Terra e no Inferno, tradução e introdução de José A. Palma Caetano, Lisboa: Assírio & Alvim, documenta poética / 57, 2000, p. 55.

1 comentário:

benjamim machado disse...

infelizmente ainda não conheço a poesia de bernhard, ao contrário dos romances e peças, mas gostei do poema.

abraço