À memória de
Chamava-se
Maomé Cheabe
Descendente
dos emires dos nómadas
suicida
porque não tinha já
pátria
Amou a França
e mudou de nome
Foi Marcel
mas não era francês
e não sabia já
viver
na tenda dos seus
onde se escuta a cantilena
do Corão
saboreando um café
E não sabia
soltar
o canto
do seu abandono
Acompanhei-o
junto com a patroa ao hotel
onde habitávamos
em Paris
no n.º 5 da Rue des Carmes
murcha viela em descida
Repousa
no cemitério de Ivry
subúrbio que parece
sempre em dia
de uma
feira levantada.
E talvez eu só
ainda saiba
que viveu.
em Poesia do Século XX, antologia, tradução, prefácio e notas de Jorge de Sena, Porto: Edições ASA, 3ª edição, 2003, pp. 232-233.
6.1.10
Um poema de Giuseppe Ungaretti
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poemário,
séculos XX - XXI
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