Da poesia (7)


É claro que ao defender isto eu poderei cair naquilo que alguns chamam de banalização da poesia. Sempre considerei este termo infeliz, pois ele deriva duma mentalidade que ainda acredita na sacralização e divinização da poesia, estando esta apenas acessível a alguns. Nada é mais errado. A poesia ao ser está acessível a todos. Não é necessário conhecer uma qualquer ciência oculta para a poder decifrar, pois todas as tentativas para decifrar a poesia são, quanto a mim, inúteis: a poesia nunca foi, nem é, indecifrável. Ela apenas é.

3 comentários:

Anónimo disse...

Acho que uma vez também escreveste que não há boa ou má poesia, apenas poesia. A poesia, sendo poesia, é automaticamente boa, porque a má poesia não existe, e não existe porque nunca chega a ser poesia. De modo que, como dizes, a poesia é, apenas.
No entanto, às vezes temos de nos refugiar no argumento batido de "não gosto mas sei que é bom" porque não nos atrevemos a dizer que determinado poeta ou poema são maus. Se não são maus, porque é que não gostamos deles? Não sei responder, mas na verdade consigo reconhecer este sentimento de não gostar de algo que é bom, que é poesia ou literatura e que em princípio deveria gostar.
Estou a desviar-me do assunto do post. Tudo isto para apenas dizer que concordo - a poesia é.

manuel a. domingos disse...

olá Rita!

A ideia por mim defendida, e que tu referes no inicio, na verdade é do Henrique Fialho, e está no livro O Meu Cinzeiro Azul.

Concordo com aquilo que dizes e entendo-te muito bem.

Volta sempre

A. Pedro Ribeiro disse...

mas existe uma certa poesia hermética com a qual não simpatizo.