Memória futura (3)


No passado Domingo li Aprendiz na cave fresca do Com Calma ali para os lados de Benfica, na rua República da Bolívia. Tive dois amigos de longa data presentes e um amigo recente. Ouviram com paciência o meu sotaque, a minha má dicção. Foi uma leitura sofrível, pois li muito mal os poemas (como é meu costume). Depois da leitura houve conversa sobre os meus poemas e a minha maneira de estar nos poemas. Do andar de cima ouviam-se vozes e música. Ainda estivemos, à-vontade, uma hora à conversa.

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Chego demasiado cansado a casa depois de um dia de aulas. Hoje, por exemplo, irei chegar depois das oito da noite, pois irei ter a segunda sessão de uma acção de formação (em horário pós-laboral: 17h-20h). E quando chego a casa não apetece fazer nada: nem ouvir música, nem ler, nem ver televisão. Só me apetece deitar e fechar os olhos. Mas, de que serve esta constante queixa quando apenas tenho um trabalho e não dois? De que serve esta ladainha constante? 

Ensino Recorrente



Memória futura (2)


A cobardia sempre foi algo que existiu. Nada se pode fazer contra ela. Há aqueles que são cobardes por natureza, isto é, nada podem fazer contra isso; é algo que lhes é natural, como ter olhos castanhos ou azuis. Depois há aqueles que são cobardes conforme a situação, isto é, escolhem a cobardia se for do interesse deles, se disso conseguirem retirar alguma vantagem. Este último tipo de cobardia, nos dias de hoje, transparece, ainda mais, com o advento das redes sociais, com a sua massificação, tendo em conta que este último tipo de cobardia foi tornada pública. Isto é: da mesma maneira que sabemos quem está connosco, ou quem está contra nós, também sabemos quem decidiu não estar connosco e quem decidiu não estar contra nós. Só que este acto de não estar faz parte duma estratégia. E não há nada pior do que uma cobardia pensada, calculada. A verdade é que esse género de cobardia ganha um outro nome: filha-da-putice. 

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Talvez a horticultura seja um futuro para mim. Dedicar-me a ela. Plantar e semear tudo com cuidado e, depois, ver como tudo à minha volta morre, sem eu conseguir fazer nada.

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Sinto os pulmões a apertar ligeiramente. Sinal para estar atento. O tempo quente previsto não ajudará. E mesmo na companhia de telfast e pulmicort aqua, terei uns dias difíceis pela frente. A minha sorte é não fumar. Ou, então, o meu azar. Ainda não cheguei a uma conclusão sobre este assunto. Como, na realidade, ainda não concluí nada sobre nada.

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Prova de Aferição de Educação Física. Estou eu e a sala vazia. Devido ao calor, as janelas abertas mais a porta. Os estores vibram com o vento. Há silêncio.  No pátio e em todas as salas. Só ouço os estores a vibrar com o vento. Um relógio parado na parede à minha frente marca as seis e cinquenta e cinco. 

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Hoje, nem o banho me acordou. Nem o café. Na televisão deram as mesmas notícias de ontem, como se no mundo e no país nada houvesse de novo. Os olhos ardem. Sinto um zumbido na cabeça. O cansaço é. Demasiada luz também.

Estados Filosóficos (116)


Quem cita para justificar o seu próprio pensamento: acabará nota de rodapé.

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Tenho uma Nikon D50. Comprei-a em 2008 e ainda funciona bem. O único problema é apenas suportar cartões de memória SD até 2GB. Mais do que isso: recusa. Andei pelas lojas do costume e nada. Agora só se vendem cartões de 8GB ou superiores. Tive de recorrer à net. Mandei vir via Amazon espanhola. Aconselho. Tudo vem do espaço europeu e o serviço foi rápido: comprei na quinta-feira passada e chegou ontem. E o mais importante: o cartão funciona.

Hoje | Livraria Tigre de Papel | 18h30m



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Livros (161)




De todos os situacionistas, Vaneigem é o autor que mais li até hoje. Este As Heresias é diferente de tudo aquilo que lhe li. É, todavia, um livro muito interessante. Explora os vários heréticos que percorreram os séculos, gente que nunca se vergou ao poder estabelecido, que nunca se calou e que pagou com a vida por isso. No fundo, Vaneigem faz a apologia de uma maneira de pensar e de agir, custe o que custar. Afinal, talvez não seja assim um livro tão diferente como os outros que lhe li.

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Ao levantar o estore um enorme arco-íris. Começava no meio do bairro e ia quase até ao mar. Tirei uma foto e partilhei numa rede social, pois dito ninguém acredita.

Memória futura (1)



O seguinte texto é um comentário (por mim escrito e publicado no dia 10-03-2009 [dez de Março de dois mil e nove]) no antigo blogue Insónia, dirigido pelo Henrique Manuel Bento Fialho. O referido comentário valeu-me uma espera na Rua de São Filipe Nery, em finais de 2010. Escusado será dizer quem me esperava. Diogo Vaz Pinto indignou-se comigo e esperou por mim na rua. E eu, num momento de "mea culpa" (vestígios da minha educação católica), pedi-lhe desculpa. Não por medo, mas porque considerei que os seus argumentos eram válidos. Entre vários argumentos, perguntou-me se eu achava bem “andar por aí a chamar imbecil às pessoas”. Devo dizer que, na altura, concordei com ele. Mal eu sabia o que me esperava e o que nos esperava.



Emxº. Senhor Diogo Vaz Pinto:

Não pensei muito antes de escrever aquilo que agora vou escrever, e, de certeza, o Senhor vai notar isso.

Não tenho qualquer problema em dizer que o Senhor me parece ser um imbecil. O mesmo se aplicará a mim, pois estou a ter trabalho em comentar um comentário seu, o que é uma imbecilidade, mas vou correr esse risco.

Gostava muito de saber se o Senhor teria a mesma opinião em relação ao Senhor Nuno Júdice, caso este não tivesse pegado ao colo na sua "Criatura". Sinceramente gostava de saber isso. Mas se não me quiser responder está no seu direito.

Tudo aquilo que aponta ao Henrique (reparo que não trato o Henrique por Senhor, pois conheço-o pessoalmente e considero-o meu amigo), no seu muito imbecil comentário, é tudo aquilo que o Senhor é no seu comentário. Não sei que águas o movem, não quero saber e quero distância delas. Não sei se existe alguma disputa com o Henrique. Talvez ele não tenha escrito o que o Senhor queria que ele escrevesse sobre a sua "Criatura". Mas às vezes acontece: nem todos gostam daquilo que nós gostamos, nem todos acham genial aquilo que nós escrevemos, nem todos são amigos dos nossos papás, nem todos gostam de ver as botas lambidas por um arrivista qualquer.

O meu imbecil comentário ao seu imbecil comentário já vai demasiado longo para o meu gosto, pois gosto de poucas palavras. Bastava-me dizer: o Senhor Diogo Vaz Pinto é um imbecil. E ficaria por aí. E é o que vou fazer.

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Rui Manuel Amaral diz aqui uma grande verdade. Nunca li um livro completo do filósofo alemão. Foram dois os motivos: aquilo que li não compreendi o suficiente para continuar; e fartei-me de o ver citado nos textos de António Guerreiro. 

Aviso a todos os Anónimos


A partir de hoje escusam de fazer, neste blogue, comentários críticos, ou insultuosos, sobre Diogo Vaz Pinto. Se o quiserem criticar, ou insultar, dêem a cara, isto é, assinem com o Vosso nome, aquele que os Vossos pais escolheram. E, mesmo assim, só publicarei os primeiros. Nunca os segundos. 

Estados Filosóficos (115)


No que diz respeito à Literatura, Pintura, Cinema e Música, todo aquele que não reconhece e assume a sua própria ignorância é, verdadeiramente, ignorante.

Livros (160)




Não sou grande conhecedor de cinema, isto é, não sei desenvolver um discurso elaborado sobre teoria cinematográfica e coisas desse género. Nunca fui grande apreciador do chamado cinema de autor. Começo agora a estar mais aberto a isso e penso que foi necessário chegar a esta idade, fazendo o percurso que fiz, para o concluir. É-me, sem dúvida, necessário. Assim sendo, posso afirmar que nunca vi um único filme de Pedro Costa e comprei este livro porque o encontrei barato (custou-me 4 euros). Todavia, foi um livro que li com muito agrado. Posso dizer que é um livro muito, muito bom. E abriu-me o apetite para começar a ver os filmes de Pedro Costa. Vamos ver se consigo.

Em repeat



Cosey Fanni Tutti
Tutti
Conspiracy International
2019

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Às vezes o início do dia, a manhã e as suas ruas como uma composição de Bartsch. Caminhar ligeiro. Observar tudo em redor. Experimentar a brisa fresca no rosto. Sentir. Sentir o mundo no seu eixo. E sorrir brevemente.