Ontem, depois das partitas, ainda tive tempo para um pouco de A Arte da Fuga, na transcrição para piano de Sokolov (cheguei a ela através de um amigo recente). Não conhecia esta versão. Sempre gostei muito da versão para quarteto de cordas. Ouvi-a, pela primeira vez, a acompanhar bailado contemporâneo. Ficou-me. Depois o cd que comprei perdeu-se no tempo e nas sucessivas mudanças. Bach é, para mim, um compositor de Verão. Isto é: gosto muito de o ouvir quando o tempo começa a aquecer. Há, em algumas peças, a frescura necessária para tardes quentes e noites à penumbra de um candeeiro.
(...)
Enquanto ouço Bach e as suas partitas completas (BWV825-BWV830), sopra um ligeiro vento e o gato já pediu duas vezes biscoitos. Olho pela janela e vejo as pessoas que se arrastam com o calor pela rua. Acabei há pouco de beber uma infusão gelada de chá verde e romã. Nem todos os dias pode ser vinho branco ou vinho verde.
(...)
Hoje, depois das aulas e duma reunião de directores de turma, irei buscar uns livros de Camus que ainda não tenho. Encontrei-os num livreiro alfarrabista a um preço convidativo e decidi comprá-los. Camus é um dos meus escritores preferidos e isso não é segredo para ninguém. Estou muito longe de ter lido tudo aquilo que Camus escreveu, mas caminho para lá. Lembro-me da primeira vez que li A Peste. Tinha estado um dia quente, muito semelhante ao de hoje, e eu tinha chegado do Poço dos Moinhos. O livro também tinha chegado nesse dia, via Círculo de Leitores. Depois do banho tomado, sentei-me no terraço já com o sol atrás do Fragão do Corvo. Passados três dias tinha o livro lido. Agora, demoro algumas semanas a terminar um.
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Parece que começa hoje a Feira do Livro de Lisboa. Tento lá ir todos os anos se estou por perto. Lá irei este ano, nem que seja para comer uma Bola da Praia. Mas cada vez mais aquilo tem muito pouco de livro e cada vez mais tem muito de fogueira das vaidades. Chega a ser confrangedor ver alguns escritores sentados à mesa à espera que alguém lhes peça uma dedicatória no livro que acabaram de comprar. E não estou a falar em autores como Lobo Antunes, ou sucedâneos, apesar de também ser confrangedor olhar para eles. Estou a falar naqueles autores que ninguém conhece e que publicam em lugares como a Chiado, ou sucedâneos, e que são enganados (sim: enganados é a palavra certa) com promessas que nunca serão cumpridas e com aquela frase que sempre desejaram ouvir: "vai estar na Feira do Livro de Lisboa!". São esses que ardem mais lentamente, na braseira da vaidade, porque nem fogueira chegam a ter.
Memória futura (3)
No passado Domingo li Aprendiz na cave fresca do Com Calma ali para os lados de Benfica, na rua República da Bolívia. Tive dois amigos de longa data presentes e um amigo recente. Ouviram com paciência o meu sotaque, a minha má dicção. Foi uma leitura sofrível, pois li muito mal os poemas (como é meu costume). Depois da leitura houve conversa sobre os meus poemas e a minha maneira de estar nos poemas. Do andar de cima ouviam-se vozes e música. Ainda estivemos, à-vontade, uma hora à conversa.
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Chego demasiado cansado a casa depois de um dia de aulas. Hoje, por exemplo, irei chegar depois das oito da noite, pois irei ter a segunda sessão de uma acção de formação (em horário pós-laboral: 17h-20h). E quando chego a casa não apetece fazer nada: nem ouvir música, nem ler, nem ver televisão. Só me apetece deitar e fechar os olhos. Mas, de que serve esta constante queixa quando apenas tenho um trabalho e não dois? De que serve esta ladainha constante?
Memória futura (2)
A cobardia sempre foi algo que existiu. Nada se pode fazer contra ela. Há aqueles que são cobardes por natureza, isto é, nada podem fazer contra isso; é algo que lhes é natural, como ter olhos castanhos ou azuis. Depois há aqueles que são cobardes conforme a situação, isto é, escolhem a cobardia se for do interesse deles, se disso conseguirem retirar alguma vantagem. Este último tipo de cobardia, nos dias de hoje, transparece, ainda mais, com o advento das redes sociais, com a sua massificação, tendo em conta que este último tipo de cobardia foi tornada pública. Isto é: da mesma maneira que sabemos quem está connosco, ou quem está contra nós, também sabemos quem decidiu não estar connosco e quem decidiu não estar contra nós. Só que este acto de não estar faz parte duma estratégia. E não há nada pior do que uma cobardia pensada, calculada. A verdade é que esse género de cobardia ganha um outro nome: filha-da-putice.
(...)
Talvez a horticultura seja um futuro para mim. Dedicar-me a ela. Plantar e semear tudo com cuidado e, depois, ver como tudo à minha volta morre, sem eu conseguir fazer nada.
(...)
Sinto os pulmões a apertar ligeiramente. Sinal para estar atento. O tempo quente previsto não ajudará. E mesmo na companhia de telfast e pulmicort aqua, terei uns dias difíceis pela frente. A minha sorte é não fumar. Ou, então, o meu azar. Ainda não cheguei a uma conclusão sobre este assunto. Como, na realidade, ainda não concluí nada sobre nada.
(...)
Prova de Aferição de Educação Física. Estou eu e a sala vazia. Devido ao calor, as janelas abertas mais a porta. Os estores vibram com o vento. Há silêncio. No pátio e em todas as salas. Só ouço os estores a vibrar com o vento. Um relógio parado na parede à minha frente marca as seis e cinquenta e cinco.
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Hoje, nem o banho me acordou. Nem o café. Na televisão deram as mesmas notícias de ontem, como se no mundo e no país nada houvesse de novo. Os olhos ardem. Sinto um zumbido na cabeça. O cansaço é. Demasiada luz também.
Estados Filosóficos (116)
Quem cita para justificar o seu próprio pensamento: acabará nota de rodapé.
(...)
Tenho uma Nikon D50. Comprei-a em 2008 e ainda funciona bem. O único problema é apenas suportar cartões de memória SD até 2GB. Mais do que isso: recusa. Andei pelas lojas do costume e nada. Agora só se vendem cartões de 8GB ou superiores. Tive de recorrer à net. Mandei vir via Amazon espanhola. Aconselho. Tudo vem do espaço europeu e o serviço foi rápido: comprei na quinta-feira passada e chegou ontem. E o mais importante: o cartão funciona.
Hoje | Livraria Tigre de Papel | 18h30m
Livros (161)
De todos os situacionistas, Vaneigem é o autor que mais li até hoje. Este As Heresias é diferente de tudo aquilo que lhe li. É, todavia, um livro muito interessante. Explora os vários heréticos que percorreram os séculos, gente que nunca se vergou ao poder estabelecido, que nunca se calou e que pagou com a vida por isso. No fundo, Vaneigem faz a apologia de uma maneira de pensar e de agir, custe o que custar. Afinal, talvez não seja assim um livro tão diferente como os outros que lhe li.
(...)
Ao levantar o estore um enorme arco-íris. Começava no meio do bairro e ia quase até ao mar. Tirei uma foto e partilhei numa rede social, pois dito ninguém acredita.
Memória futura (1)
O seguinte texto é um comentário (por mim escrito e publicado
no dia 10-03-2009 [dez de Março de dois mil e nove]) no antigo blogue Insónia,
dirigido pelo Henrique Manuel Bento Fialho. O referido comentário valeu-me uma
espera na Rua de São Filipe Nery, em finais de 2010. Escusado será dizer quem me esperava. Diogo Vaz Pinto indignou-se comigo e
esperou por mim na rua. E eu, num momento de "mea culpa" (vestígios
da minha educação católica), pedi-lhe desculpa. Não por medo, mas porque
considerei que os seus argumentos eram válidos. Entre vários argumentos, perguntou-me
se eu achava bem “andar por aí a chamar imbecil às pessoas”. Devo dizer que, na
altura, concordei com ele. Mal eu sabia o que me esperava e o que nos esperava.
Emxº. Senhor Diogo Vaz Pinto:
Não pensei muito antes de escrever aquilo que agora vou escrever, e, de
certeza, o Senhor vai notar isso.
Não tenho qualquer problema em dizer que o Senhor me parece ser um imbecil.
O mesmo se aplicará a mim, pois estou a ter trabalho em comentar um comentário
seu, o que é uma imbecilidade, mas vou correr esse risco.
Gostava muito de saber se o Senhor teria a mesma opinião em relação ao
Senhor Nuno Júdice, caso este não tivesse pegado ao colo na sua
"Criatura". Sinceramente gostava de saber isso. Mas se não me quiser
responder está no seu direito.
Tudo aquilo que aponta ao Henrique (reparo que não trato o Henrique por
Senhor, pois conheço-o pessoalmente e considero-o meu amigo), no seu muito
imbecil comentário, é tudo aquilo que o Senhor é no seu comentário. Não sei que
águas o movem, não quero saber e quero distância delas. Não sei se existe
alguma disputa com o Henrique. Talvez ele não tenha escrito o que o Senhor
queria que ele escrevesse sobre a sua "Criatura". Mas às vezes
acontece: nem todos gostam daquilo que nós gostamos, nem todos acham genial
aquilo que nós escrevemos, nem todos são amigos dos nossos papás, nem todos
gostam de ver as botas lambidas por um arrivista qualquer.
O meu imbecil comentário ao seu imbecil comentário já vai demasiado longo
para o meu gosto, pois gosto de poucas palavras. Bastava-me dizer: o Senhor
Diogo Vaz Pinto é um imbecil. E ficaria por aí. E é o que vou fazer.
(...)
Rui Manuel Amaral diz aqui uma grande verdade. Nunca li um livro completo do filósofo alemão. Foram dois os motivos: aquilo que li não compreendi o suficiente para continuar; e fartei-me de o ver citado nos textos de António Guerreiro.
Aviso a todos os Anónimos
A partir de hoje escusam de fazer, neste blogue, comentários críticos, ou insultuosos, sobre Diogo Vaz Pinto. Se o quiserem criticar, ou insultar, dêem a cara, isto é, assinem com o Vosso nome, aquele que os Vossos pais escolheram. E, mesmo assim, só publicarei os primeiros. Nunca os segundos.
Estados Filosóficos (115)
No que diz respeito à Literatura, Pintura, Cinema e Música, todo aquele que não reconhece e assume a sua própria ignorância é, verdadeiramente, ignorante.
Livros (160)
Não sou grande conhecedor de cinema, isto é, não sei desenvolver um discurso elaborado sobre teoria cinematográfica e coisas desse género. Nunca fui grande apreciador do chamado cinema de autor. Começo agora a estar mais aberto a isso e penso que foi necessário chegar a esta idade, fazendo o percurso que fiz, para o concluir. É-me, sem dúvida, necessário. Assim sendo, posso afirmar que nunca vi um único filme de Pedro Costa e comprei este livro porque o encontrei barato (custou-me 4 euros). Todavia, foi um livro que li com muito agrado. Posso dizer que é um livro muito, muito bom. E abriu-me o apetite para começar a ver os filmes de Pedro Costa. Vamos ver se consigo.
(...)
Às vezes o início do dia, a manhã e as suas ruas como uma composição de Bartsch. Caminhar ligeiro. Observar tudo em redor. Experimentar a brisa fresca no rosto. Sentir. Sentir o mundo no seu eixo. E sorrir brevemente.
(...)
No outro dia disse a um amigo que estou desde o início do ano a tentar acabar de ler vários livros. Isto é: este ano ainda não consegui terminar a leitura de um único livro. Comecei com O Tango de Satanás. Interrompi. Passei para Auto-de-Fé. Interrompi. Lisboa na rua. Interrompido. Heresias. Idem. Agora ando a ler um livro com entrevistas ao realizador Pedro Costa. Penso que irei concluir. Mas nada é certo.
(...)
Tenho alguns prazeres. Um deles é ver a minha barba crescer. O branco há muito que tomou conta dela. Dizem que me dá uma ar envelhecido. Antes isso do que sábio, algo que não sou nem serei (e isto não é falsa modéstia, caro Anónimo). E dá-me prazer todos os dias de manhã, depois do banho tomado, escovar e secá-la; depois passar um óleo hidratante e voltar a escovar, pentear. É um pequeno prazer que tenho, antes de enfrentar o mundo e as suas camelices. Depois de passar a porta da rua podem tirar-me muita coisa. Mas não me tiram os cinco minutos que passei a cuidar da minha barba.
Discos (301)
Silver Ghosts
(instrumental)
Craig Taborn
Craig Taborn
Ontem, com o primeiro calor, o gato preferiu ficar junto à janela quase aberta, onde a sombra mora durante todo o dia. Quando cheguei a casa apenas me pediu biscoitos, para depois voltar para esse lugar de onde vigia a cidade. Nem deu pelo piano de Taborn. Ou talvez sim. Seja como for: a verdade é que aprecia a leve brisa que, às vezes, entra pela janela quase aberta. E, quando lhe passo a mão pelo dorso, mia baixinho um miar muito dele e que eu traduzo como "estou bem, sim".
Lí por aí
De um crítico poeta espero que
malhe com propriedade na poesia de outro poeta e não que malhe no poeta.
Descrever como “um estilo literariamente armado até aos dentes” ataques ad
hominem gratuitos, desequilibrados, infundados e recorrentes denuncia uma
arrogância preocupante. Não fales em literatura. Não blasfemes.
Pensamento do dia
David Torn
At least there was nothing
Only Sky
At least there was nothing
Only Sky
ECM
2015
(...)
Convém sempre ler as letras pequenas. Explico. No passado dia vinte e três de Março fiz uma compra de quatro CDs num site sediado na Irlanda, isto é, dentro da União Europeia. Os CDs chegaram a Portugal no passado dia 12 de Abril e eu, dia 15 de Abril, recebi uma carta dos CTT para iniciar o processo de desalfandegamento. Estranhei, mas iniciei o processo no dia 18 de Abril. Tudo foi feito online. Na semana passada, dia 2, fui informado de que o volume iria ser desalfandegado. Fiquei todo satisfeito. No passado dia 9 de Maio recebi um aviso dos CTT para ir levantar a minha encomenda e que a mesma teria um custo de 30€. Fiquei surpreendido. Afinal eu tinha mandado vir os CDs da Irlanda, dentro da União Europeia e livre de qualquer pagamento. Entrei em contacto com o site e fui logo informado: o site está "sediado" na Irlanda, mas o armazém é nos Estados Unidos da América. E mais: fui informado de tudo isso e aceitei essas condições quando cliquei no botão "I Agree". Cada um dos CDs que comprei ficou a um preço unitário de 24.50€, depois do desalfandegamento. E eu aprendi uma grande lição.
(...)
Aqui a maior parte das salas de aula estão forradas com cortiça. Alguém se lembrou que seria um bom isolamento acústico. Esqueceram que também é isolamento térmico. E quando colocado do lado errado da parede, isto é, do lado de dentro, pode tornar uma divisão num pequeno forno, onde, lentamente, vamos assando o dia.
(...)
Trabalhar com pessoas tem um inconveniente: às vezes temos de falar com elas e ouvir aquilo que têm para dizer. E isso é difícil, principalmente num dia como o de hoje, em que tudo me enerva, incluindo a luz do sol. Mas o pior são, sem dúvida, as pessoas. As pessoas deveriam aprender a estar caladas e a não quererem mostrar que são sempre inteligentes ou sempre divertidas ou o raio-que-as parta. Um pouco de silêncio e de depressão ficava-lhes melhor.
(...)
Às vezes, na sala dos professores, quando quero que me deixem em paz e nada me perguntem, coloco os auscultadores nos ouvidos e finjo ligá-los ao telemóvel. Nada ouço. Nada escuto. Ninguém fala comigo. Ninguém pergunta. Ninguém procura respostas.
Li por aí
Gosto de despojar os objectos de ostentações. É mais ou menos o contrário da publicidade ou da arte contemporânea mais empreendedora (ver Joana Vasconcelos nos dois casos): restituir vulgaridade às coisas, deitar por terra o prestígio acumulado (vale a pena analisar os antecedentes latinos da palavra prestígio). É por isso que, entre outros gestos, prefiro comprar flores imperfeitas na rua ou na drogaria da avenida de França e a revista Electra na tabacaria da Fonte da Moura. Ontem caprichei no desempenho do exercício. À tarde, quando fui para casa, meti a revista de papéis finos no saco junto com o guarda-chuva vermelho ainda húmido e o tupperware sujo de sopa. O pensamento, a crítica e a reflexão precisam tanto de discurso como de chão.
(...)
Acabei de rever Capote. Ainda não li A Sangue Frio. E penso: a verdade é que não tenho um grande ritmo de leitura. Na melhor das hipóteses devo ler entre 10 a 15 livros por ano. Sou capaz de passar dois meses sem ler um único livro. Todavia, não consigo passar um único dia sem ouvir música. Não sei se isto quererá dizer alguma coisa. Também não estou muito interessado.
Estados Filosóficos (114)
Nunca entendi a expressão "chuva molha parvos". A razão é simples: vejo-os sempre secos.
Pensamento do dia
John Lurie National Orchestra
If I Sleep the Plane Will Crash
If I Sleep the Plane Will Crash
Men With Sticks
Made to Measure
Made to Measure
1993
(...)
Há duas semanas à espera. Desalfandegar deveria ser uma coisa simples, a partir do momento que enviamos todos os documentos pedidos. Desalfandegar, a bem da verdade, nem deveria ser necessário. Esta coisa das fronteiras é invenção a pensar em impostos. Nada mais.
Padre Manuel Antunes
Ouso interpretar. De resto é essa uma
das funções, senão a principal função do intelectual na cidade. Para
além, claro, da missão de defender o seu próprio ideal e as suas
próprias opiniões, mesmo quando esse ideal e essas opiniões não
vão ao sabor dos senhores da hora. O intelectual não deve ter medo
de ser ou parecer diferente dos outros, de querer escapar ao nivelamento universal em que, por via de regra, esses mesmos senhores
pretendem razoirar os que, de uma certa forma, lhes estão sujeitos.
em Repensar Portugal, Lisboa: CLEPUL, 2011, p. 29.
Discos (300)
Streams and Chorus of Seed
(faixa única: instrumental)
Cecil Taylor Unit
Atrevo-me novamente a falar destas ruas, das árvores já cheias de folhas e dum certo silêncio que, a esta hora, ainda se faz ouvir. Mesmo as paragens de autocarro, cheias de gente, estão mudas. Nos andares mais altos bate já o sol. Mas aqui, ao nível do solo, é a sombra e uma leve brisa fresca. Nada mais.
(...)
No dia 1 de Maio de 1974, o meu Pai foi até à varanda do sindicato e rasgou a fotografia de Salazar que lá havia. Rasgou-a para que todos vissem. Rasgou-a.
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