2.


para o Ricardo Álvaro:
não consegui derrubar
o balde: peço desculpa


Dias há
que no peito
um coro
de gatos afogados
Sabes hoje

serem aqueles
que um dia no fundo
dum balde viste
Um vizinho encheu-o
até ao cimo

para a fuga ser
impossível
Chamou-te para
a barbárie em directo
ao som

de gargalhadas
enquanto se ouvia
uma música ―
banda sonora
do horror

Mais tarde
soubeste ser Marillion
Ainda hoje não consegues
ouvir Kayleigh is it
too late

to say I'm sorry?
como se esse fosse
o nome dalgum
daqueles gatos
e eles agora

te pudessem ouvir
A verdade ― por mais
que te custe admitir ―
é que ficaste
até ao fim

Nem uma só
vez desviaste o olhar
Nem uma só vez
o teu pé tentou
derrubar aquele balde


Sem comentários: