Jivago ou a vida privada


Jivago ou a vida privada
poderia ser o título
de um qualquer poema
que falasse deste chá

preto com leite que
agora tomo (única maneira
civilizada de o beber:
aprendi eu no filme

A Grande Evasão)
e o grasnar dos patos
ali na quinta que vejo
deste 3º andar frente

a montes e alguns
prédios mais a linha
do Oeste com os seus
comboios de hora a hora

(pelo menos é o que
me parece) e deixasse
de lado o país debatido
em canais televisivos

onde a parcialidade é
confundida com “dever
de informar” e onde
as mesmas vozes

de sempre procuram
disfarçar o mofo que lhes
sai da boca sobre o dia
em que os comunistas

comeram todas as criancinhas
e elas – ressabiadas –
foram excluídas do banquete
pois já naquela altura

apresentavam prazo
fora da validade

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