No outro dia fui visitar amigos. Almoçámos bem e fizemos uma caminhada ainda melhor (depois de um vinho branco bem fresco, salada de búzios, carne de porco à alentejana [com camarão, pois a ameijoa está proibida], alheira de Mirandela, café e licor Beirão) e muito necessária. Foi uma tarde bem passada.
Um poema de Francisco de Quevedo
Significa-se a própria brevidade da vida
sem pensar e com padecer, assaltada pela morte
Foi sonho
ontem; será amanhã terra;
pouco antes, nada; pouco depois,
fumo;
e destino ambições, até presumo
mal um momento o cerco me
encerra.
Breve combate
de importuna guerra,
pra defender-me, sou perigo
sumo;
quando com minhas armas me consumo,
menos me hospeda o corpo, que me
enterra.
Já não é
ontem; amanhã é esp’rado;
hoje passa, e é, e foi, com
movimento
que me conduz à morte
despenhado.
Enxadas são a
hora e o momento;
pagas por minha pena e meu
cuidado,
cavam em meu viver meu
monumento.
em Antologia da Poesia Espanhola
do Siglo de Oro, segundo volume – Barroco, selecção, tradução, prólogo e
notas de José Bento, Lisboa: Assírio & Alvim,1996, pp. 269-270.
Discos pedidos (168)
Noite. Trago a cidade comigo. A roupa repousa nas costas da cadeira. Lá fora os carros percorrem a alameda. Ninguém nos passeios. No prédio em frente vejo, finalmente, luzes. Durante muito tempo pensei que era um prédio desabitado. Hoje, finalmente, luzes. Nada de movimento. Apenas as luzes marcam presença, dizem-me que ali, afinal, há alguém a viver. Deste lado ouço, também, o vizinho de cima pela primeira vez. Arrastou uma cadeira. "Já é tarde para arrastar cadeiras", penso. Mas os olhos pesam. Nada a fazer.
(...)
Poderia dizer que a esta hora, como sempre, não se ouve barulho no prédio. Poderia dizer que o gato repousa os ossos no lugar de sempre. Que se ouve jazz. Poderia dizer tudo isto. E, verdade seja dita, disse-o.
A Morte do Poeta
Era
um
grande
poeta
Um
poeta esquecido
ninguém
o lia
a
não ser: eu
Não
recebeu
o
prémio que há muito
merecia
Porra
pá
que
era um poeta
do
catano
É
sempre assim
com
os poetas: depois
de
mortos é que os lêem
Sempre
li
tudo
o que dele
havia
Nunca
li nada
do
poeta
mas
vou agora ler
Era
poeta?
Só
lhe conhecia
a
prosa
Discos pedidos (167)
A manhã passou. Não deixaste que o silêncio tomasse conta de casa. A ocupação do espaço foi feita de outra maneira. Lá fora, como sempre, as ruas vazias e os carros passam ao fundo. Os comboios. Foi o ano dos comboios. Nunca neles andaste tanto. Andar de comboio à noite, quando a escuridão invade o horizonte, é travelling without moving. Sabes que te movimentas mas não vês o movimento. E, para ti, é preciso ver.
(...)
Ontem o jantar foi pescada com feijão-verde e cenoura. Tudo cozido. Sobrou feijão-verde. Como não lhe tinha colocado sal suficiente, hoje salteei-o com um pouco de pimenta e alho. Em azeite. Cortei uma bifana de porco às tiras. Temperei-a com alho, cominhos, quatro pimentas e louro. Grelhei. Acompanhei com o feijão-verde e com Vinha do Rosário Branco. Conhecia o tinto, que é um vinho muito bom. Casa Ermelinda de Freitas. 1,99 € no LIDL (e não: não ganho comissão: mas sou Vosso amigo e gosto de partilhar as coisas que considero boas). O branco está ao mesmo preço e não lhe fica atrás. Fixem o nome: Vinha do Rosário. Depois escolham: ou branco ou tinto. Eu, agora, ando mais nos brancos. Já não são como eram antes. Não me provocam dores de cabeça e, no tempo quente, sabem muito bem. Também ando a fazer uma introdução ao vinho verde. Muralhas, de preferência. No entanto, há o Maria Saudade, que é muito bom. E o Quinta da Aveleda. É claro que vinho tinto é vinho tinto é vinho tinto. Mas com o calor e o Verão e John Taylor, ou Paul Bley, ou Mick Goodrick, ou Bill Evans, ou Bobo Stenson a tocar na aparelhagem, é branco ou verde que me apetece.
Um poema de Kurt Heynicke
Despedida
O silêncio fala. Cansados entram os olhares floresta adentro pela noite
e sobre a nossa janela
morre a luz.
Mansamente
todas as sombras deslizam para os longes.
O teu cabelo murcha na minha mão.
Agora
erra o meu tactear em busca do bastão
e da luz do último vapor no rio.
em A Alma e o Caos - 100 poemas expressionistas, selecção, tradução, introdução e notas de João Barrento, Lisboa: Relógio D' Água, 2001, p. 291.
Discos pedidos (166)
Amanheces. Devagar. As nuvens não te deixam ver o céu. Isso, já sabes, não significa que ele não exista: o céu. Sabes qual a tua rotina: levantar, pequeno almoço, banho. E, enquanto tudo isso, há música a invadir a casa. Sem música as nuvens escuras seriam um pouco mais escuras, pesadas. Tomas o primeiro café no terraço, como é habitual. Às vezes consegues ouvir os comboios que passam ao longe. Durante a noite ouvem-se melhor, quando os grilos deixam, quando os grilos estão em silêncio. Vives rodeado de prédios, mas ainda há espaço para grilos. Para ti: é um mistério.
Happy Birthday Mr. Lawrence
(...)
Jivago e a vida privada. Pensar a vida privada, no tempo de Jivago, era ser reaccionário, pequeno-burguês, vazio. A Revolução estava nas ruas das cidades, nas florestas, nos campos. Hoje não há Revolução (apesar de muitos a quererem, mas de preferência sentados no sofá). Pensar, hoje, o privado da vida, também não é muito bem visto. Parece que a consciência só pode ser política, de preferência em redes sociais, ou na rua, durante umas horitas, a gritar slogans giros e depois vai tudo ou beber uma cerveja ou outra coisa qualquer num desses lugares de moda. E, enquanto isso, actualiza-se o perfil e tal, com fotografias todas iguais porque toda a gente utiliza os mesmos filtros, pois tem que se dar um ar vintage à coisa.
Discos pedidos (165)
Manteigas é uma ilha deserta. Ninguém perde tempo com ela. Ninguém passeia pelas suas ruas. O calor também não ajuda. Mas mesmo assim. Por isso o melhor é passar parte da tarde em casa, entre a trompete de Brown e o saxofone de Rollins e alguns livros amontoados onde não encontro qualquer poesia. E a tarde lá passa.
(...)
A trompete de Clifford Brown e o saxofone de Sonny Rollins: At Basin Street. Enquanto os ouço, passam trinta e oito anos desde a minha primeira improvisação: nascer. Parece que foi num dia mais quente do que ontem; passavam, já, duas semanas do tempo previsto: saí à força de bisturi. Trinta e oito anos. Ontem. Como dizem por aqui: é uma vida.
Um poema de Teresa Leonor M. Vale
Dois
um vidro sobre a mesa: um lago
um cativeiro das mãos,
o seu labor interrompido
que era comer, furtar, os dias
arriscar o peito incompleto.
em Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa, selecção e prefácio de Pedro Mexia, Tomar: O Contador de Histórias/Câmara Municipal de Tomar, 1997, p. 116
(...)
Podem 14 anos, da vida de um homem, ser resumidos ao empacotar e ensacar, anualmente, os despojos dos dias que passsou nesta ou naquela terra? Podem. Mas, como sabemos, um resumo é apenas um resumo. Nada mais.
Adenda: Pampilhosa da Serra (2001-2002) Tábua (2002-2003) Silves (2003-2004) Miranda do Corvo (2004-2005) Caxias (2005-2006) Figueira da Foz (2006-2007) Benedita (2007-2008) Alapraia-S. João do Estoril (Setembro 2008-Novembro 2008) São Teotónio (Novembro 2008-2009) Coruche (2009-2012) Cacém (Fevereiro 2013-Julho 2013) Arcozelo-Ponte de Lima (Maio 2014), Pardilhó (Outubro 2014-Novembro 2014), Lisboa (Janeiro 2015-Agosto 2015).
Adenda: Pampilhosa da Serra (2001-2002) Tábua (2002-2003) Silves (2003-2004) Miranda do Corvo (2004-2005) Caxias (2005-2006) Figueira da Foz (2006-2007) Benedita (2007-2008) Alapraia-S. João do Estoril (Setembro 2008-Novembro 2008) São Teotónio (Novembro 2008-2009) Coruche (2009-2012) Cacém (Fevereiro 2013-Julho 2013) Arcozelo-Ponte de Lima (Maio 2014), Pardilhó (Outubro 2014-Novembro 2014), Lisboa (Janeiro 2015-Agosto 2015).
Versões: Jacques Prévert
Alicante
Uma laranja sobre a mesa
O teu vestido sobre o tapete
E tu na minha cama
Doce presente do presente
Frescura da noite
Calor da minha vida.
Jacques Prevért, «Alicante», em Paroles, Paris: Éditions Gallimard, 1972, p. 26.
(...)
Ontem, à noite, comecei a
leitura de Como um hiato na respiração – diário do dia seguinte, de João
Barrento. Li, sem pausas, 116 das suas 173 páginas. É um livre forte e
corajoso. Um diário onde a morte e a morte livre são temas, ou tema. Um diário
que é ensaio, ou será um ensaio que é diário? Hoje termino a leitura, de certeza. Mas daquilo que eu quero falar é dos dias que têm passado e que me levam a pensar na vida. A vida tem de ser todos os dias pensada, isto é (que me perdoe Vergílio Ferreira), temos todos os dias de lhe colocar um penso, pensá-la, tais são as camelices e as caneladas e outras coisas que agora será escusado revelar. Pensar a vida. Pensá-la. E, apesar de tudo, seguir em frente.
João Barrento
A morte livre é a morte leve.
Os objectos e os «bens» (estranho termo), as coisas e as casas, as posses e
as riquezas, pesam sobre a eventual decisão da morte livre, atravancam o
caminho até ela. Esse lastro exterior, de passados mortos e de um presente não
vivido, tolhe os movimentos e pesa sobre corpo e alma. Como podem um corpo
preso e uma alma que não voa estar disponíveis?
A morte livre precisa de alma leve e casa limpa para preparar a partida. O
seu caminho é o de uma alameda de luzes, mais que os corredores escuros em que
se perde, tropeça, hesita. Se possível, entre ramos despidos, e a queda no Nada
como horizonte.
em Como um hiato na respiração – diário do dia seguinte, Lisboa:
Averno, 2015, pp. 41 e 43.
Discos pedidos (164)
Race de Caïn, dans la fange
Rampe et meurs misérablement.
Baudelaire,
na voz de Diamanda Galás
para Manuel de Freitas
Talvez pertença a esses happy few. Seja o que isso for. E não posso deixar de pensar na conjugação das duas palavras happy+few, como se fossem uma espécie de sinónimo de less is more (outra união perfeita). Mas, a verdade é que fui dos poucos happy few que tiveram o privilégio de ouvir Galás ao vivo no auditório do Teatro Municipal da Guarda. Antes ouvia a sua voz apenas nas colunas da aparelhagem (aqui, na cidade, é nas colunas do computador), e nunca nenhum gato as atacou, pois poucos foram os gatos que se aventuraram a entrar no meu quarto. Agora, com a janela da marquise aberta, há um ar fresco que entra e eu penso que "afinal nem tudo está mal". Mesmo sabendo que isso não é, de todo, verdade.
(...)
A pleno pulmões para um dia novo: mas é Domingo. Lá fora a temperatura amena diz-te que será um dia menos quente do que o de ontem. E, o de ontem, também não foi muito. Quente. Olhas para o mapa e vês que as temperaturas no interior estão mais altas. Pelo menos nas previsões. Ao telefone o teu Pai diz que assim é, que tem estado mais quente lá do que aqui. Esperas conseguir ir um dia destes até ao Rio da tua adolescência (não te atreves a dizer juventude, para não chocares os que são realmente velhos). Dizem que a água está boa.
Discos pedidos (163)
Ajeitas o corpo ao dia. O sol está impaciente e alegra-se pela tua saída. Colocas os óculos de sol, pois, como aprendeste, e não te cansas de repetir, o inferno são os outros. Levas no bolso alguns significados (não vá alguém surpreender-te) e restos de tempo (caso seja necessário). Calçaste os mais confortáveis dos sapatos, mas não sabes se lhes podes chamar sapatos, pois são qualquer coisa de intermédio. Bebeste o café em casa e, dessa maneira, começas a aprender a economia diária. O gato ficou com água limpa e biscoitos suficientes. Dizes bom-dia a todas as pessoas com quem te cruzas.
Lí por aí
Estás
no sopé da serra a ver uma avalanche vir contra ti. Não esperam que
grites nem sequer aceitam que protestes. Querem que sorrias e digas:
que belo, que maravilhoso, que lindo é este fenómeno. Exigem-te um
sorriso, alegria e motivação, mesmo quando te torturam.
(...)
Todos os anos é a mesma coisa. Todos os anos colocam-se códigos de escolas, concelhos, quadros de zona. Todos os anos se escolhem intervalos de horários, duração de contratos. É o meu décimo quinto concurso de professores. Nunca irei estar habituado.
Discos pedidos (162)
A tarde vai a
meio e a casa sossegada. O gato, agora, prefere o terraço e a minha
cadeira que agora é dele. Algumas nuvens cinzentas. Mas parece que
não vai chover. A temperatura está mais amena —
ainda bem, pois o calor começava a ser insuportável —
e entre as pretas e as brancas do piano de Marcin a tarde vai
avançando. Entretanto, há um livro que espera. Mas não apetece
nele pegar. E, verdade seja dita, ninguém te obriga.
(...)
A minha principal característica talvez seja a banalidade. A banalidade travestida de poesia, cinema, fotografia, uma ou outra citação literária, filosófica. E a banalidade fica-me bem: permite-me passar despercebido entre as gentes.
Discos pedidos (161)
Noite. O mundo lá fora. Há poucos dias pensavas em coisas simples. Hoje: procuras respostas. Ou: a resposta. Nunca a encontrarás. Mas, não deixas de tentar. E nisso te consomes. E nisso ardes.
Al Berto
7.
é no silêncio
que melhor ludibrio a morte
não
já não me prendo a nada
mantenho-me suspenso neste fim de século
reaprendo os dias para a eternidade
porque onde termina o corpo deve começar
outra coisa outro corpo
ouço o rumor do vento
vai
alma vai
até onde quiseres ir
em O Medo, Lisboa: Contexto, 1ª edição, 1987, p. 565.
(...)
Certas coisas deixam-me
bastante pensativo. Entre elas estão as pessoas que tiveram um qualquer
acidente vascular e andam na rua, passo a passo, muito devagar. Demoram imenso
tempo a ir de um lado para o outro. Mas vão. Penso: “se fosse comigo?”, “se fosse
eu?”. E por muito que pense, ou imagine o meu corpo naquele estado, nunca
encontro um resposta satisfatória na minha cabeça; nunca uma solução, saída.
Fico em loop, circuito-fechado. Ainda
há pouco passou por mim uma senhora. Não sei dizer quanto tempo demorou a
atravessar o jardim. Depois: foi o sentar. Demasiado tempo para o fazer.
Tentativas e tentativas. E, por fim, lá conseguiu. Não desistiu. E é aí que se
foca, de seguida, a minha questão, interrogação: o desistir. Todos os dias
desisto um pouco. Desisto de entender as pessoas, o mundo. Todos os dias
desisto de entender tudo aquilo que me rodeia. Todos os dias me apetece dizer e
escrevê-lo num muro qualquer: declaro que desisto: e assinar por baixo. No
entanto, todos os dias persisto. E chega a parte da coragem. Cobardia. E olho
as árvores, a luz por elas filtrada. E sinto o calor do sol. O sabor deste
vinho branco. O seu álcool a percorrer-me. E leio poesia. E tudo parece fazer
algum sentido. E, de repente, tudo o resto. As pessoas, o cheiro a morte por
todos os lados. Ainda hoje, na fila no supermercado, uma discussão. E parece
que o dia se resume a isso. E a discussão não foi comigo. Mas parece que o dia,
a partir daquele momento, se resume àquelas duas senhoras, àquela discussão
sobre nada (resumo: alguém pede para passar à frente na fila, pois só tem um
item para pagar [almoço] e está atrasada para o trabalho e ainda tem de
almoçar; todos concordam menos um senhora que se debate e apresenta argumentos
e tudo o resto; e está o burro nas couves). E parece que o dia se resume a este
episódio. E a vida. A vida como uma discussão permanente sobre coisa nenhuma.
Penso: “mas o que é esta merda?”. E esta merda, afinal, é a vida.
06-07-2015
Jardim Teófilo Braga
(...)
Um mau jeito deixou-me parte do ombro e pescoço à base de emplastro anti-inflamatório. De manhã, a água quente do duche aliviou a tensão, bem como os alongamentos que fui fazendo. O café da manhã também ajudou. O gato, lá fora, ia miando por festas, festinhas e outros mimos. E lá tive de lhe fazer a vontade. Depois, foi um pouco de poesia. Regressar a Ruy Cinatti e a Ornette Coleman.
Ruy Cinatti
Inevitabilidade
O apelo do mar não tem saída,
como na terra o atalho,
o beco mesmo quando, a sobreolho,
a porta se fecha
e uma janela se entreabre
convidativa.
O apelo do mar é como as estrelas
que cintilam a todo o horizonte;
às vezes ecoa num búzio
ou num baixio
denunciado pela crista das ondas
em redemoinho.
O apelo do mar, mesmo rarefeito,
arripia-se nos teus cabelos.
Convida-te a não mais voltar.
Abre-te todos os caminhos
do vasto oceano eleito
vida ameaçada, o seio aberto
pulsando anseio que não se recusa
por muito que o tentes evitar.
em Corpo - Alma, Lisboa: Editorial Presença, 1ª edição, 1994, p. 19.
Discos pedidos (160)
Musicians tell me, if what I’m doing is right,
they should never have gone to school.
Ornette Coleman
Ali: o fundo da rua. Não sei onde irá dar. Sei, apenas, que é ali: o fundo da rua. Pelo caminho fui ouvindo a cidade em todo o seu esplendor e improvisação. Só precisamos de estar atentos às coisas breves, simples e a cidade tem de tudo um pouco. Há quem nela veja confusão, caos. Andam, de certeza, distraídos.
(...)
Pertenço a uma geração que já não tem idade para
concorrer a certas ofertas de emprego; e ainda não tem idade para usufruir de
descontos em museus, teatros e transportes. Somos uma geração indefinida. E isso é definição suficiente.
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