Discos pedidos (131)




Passing cars, surprising comfort

Stina Nordenstam


São sete e quarenta da tarde. Decido sair do quarto. Começa a ficar apertado e nem a marquise lhe dá a extensão tão apregoada e louvada. Na rua um forte vento sopra. Frio e vindo do norte, como uma espécie de bafio. Começo a andar. Carros e corpos passam por mim. Continuo a caminhada e, sem dar por isso, estou no Campo Grande e depois Entre Campos e Campo Pequeno e mais à frente Saldanha. E é aqui que reparo, pela primeira vez, que o quarto já não está assim tão perto. Ainda desço numa boca de metro, mas depois penso — quem chegou até aqui também consegue voltar para trás — e volto a subir as escadas e a olhar a avenida de frente. Olho para o relógio: são nove da noite.

(...)


Há parte de uma verso de Tricky que diz: here we go again: e quase todos os dias de manhã ele vibra na minha cabeça. Preocupo-me, como é óbvio, com o uso do plural, pois estou num quarto sozinho e caminho na rua sozinho. Mas penso que o we, no meu caso, pode ser aplicado. É só pensar numa outra letra, desta vez dos De La Soul: It's just me myself and I.

(...)


Razão: não há razões. Mas trabalhar numa escola que, no famoso ranking, está no lugar 1153º (em 1155 escolas/6ºano), quando a cem metros (100) está um colégio que está no lugar 40º (em 1155 escolas/6º ano), deixa-me a pensar.