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Sem título
© manuel a. domingos, 2013
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Discos pedidos (50)
O almoço tinha sido regado com um vinho tinto de excelência. Depois, veio a poesia. Lembro-me que eram 13h30m da tarde quando nos sentámos para almoçar e que eram 19h quando nos levantamos da mesa. Sentámos no sofá. Falou-se de tudo. De nada. Ouviu-se música. Muita. Descobrimos muitos gostos em comum. Outros: nem tanto. Não sei a que horas saí de casa. Mas já estava escuro. Havia, ainda, uma viagem. E que viagem.
50 livros que os meus amigos devem ler para ficarem a conhecer melhor a minha pessoa e confirmarem que me armo ao pingarelho (31)
Não tenho por hábito sublinhar livros, ou escrever notas nas margens em branco das páginas. O Labirinto da Saudade é a excepção à regra. É, até, o livro mais sublinhado e anotado por mim. Muitos consideram-no um livro essencial para entender Portugal e os Portugueses. Eu não sou muito fã de livros essenciais. E não gosto quando me dizem que este, ou aquele livro, é essencial. Pior do que isso, só mesmo: fundamental. Li o livro por curiosidade. Escrevo sobre o livro não por ele ser essencial, nem fundamental, mas porque me ensinou a pensar o que é ser Português, o que é ser Portugal. Reparem: digo que me ajudou a pensar; não digo que me ajudou a entender.
Um poema de Luiza Neto Jorge
Encantatória
Custa é saber
como se invoca o ser
que assiste à escrita,
como se afina a má-
quina que a dita,
como no cárcere
nu se evita,
emparedado, a lá-
grima soltar.
Custa é saber
como se emenda morte,
ou se a desvia,
como a tecla certa arreda
do branco suporte
a porcaria.
em revista Colóquio|Letras, número 78, Março de 1984, p. 77.
(...)
Levanto-me. O dia está claro. Há roupa que tem de secar e um dia assim vem mesmo a calhar. A minha dose de coragem líquida já foi servida. Tomada. Agora falta o resto. Que a dose faça efeito.
Discos pedidos (49)
Em casa dos meus pais ouvia-se música. Cassetes piratas compradas na feira mensal, ouvidas num pequeno leitor de cassetes da Sanyo. A primeira aparelhagem (com gira-discos, mas sem leitor de cd) só entrou em casa quando eu tinha 15 anos. Uma Telefunken. Prenda por eu ter passado para o 10º ano. O primeiro disco que comprei foi Nevermind, dos Nirvana. O primeiro cd (e nem leitor de cd ainda tinha) foi Dusk, dos The The. Isto tudo para dizer que comprei o meu primeiro álbum dos Velvet Underground aos 18 anos, quando fui à inspecção militar a Lisboa. Comprei-o numa grande superfície comercial que, naquela altura, existia em Telheiras. É claro que não tinha dinheiro para comprar um cd. Por isso, comprei uma cassete, dupla. Passei horas e horas a ouvir Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison e Maureen Tucker. Lisboa, aos 18 anos, enquanto se ouve Velvet Underground, é uma cidade fascinante.
(...)
Acordo dia 28 com a notícia da morte de Lou Reed a 27. Podia falar sobre aquilo que a música de Lou Reed fez por mim. Lembro-me apenas que comprei o primeiro álbum dos Velvet Underground aos 18 anos, quando fui fazer a inspecção militar a Lisboa. Uma cassete comprada num grande hipermercado. A cassete ainda por aqui anda.
Discos pedidos (48)
Desordem. Há pouca luz a entrar pela janela. A suficiente para ver que há um corpo. Deitado. Roupa espalhada pelo chão. Nas costas de uma cadeira. Aqueles clichés do costume, quando se quer descrever uma cena como esta. Sente-se o ar quente. Talvez do duche acabado de tomar. Sim, talvez. Mas também pode ser da noite passada. Ou do calor que se faz mesmo sentir. Uma garrafa vazia a um canto. Mais um cliché e fica a cena rematada. Sentas-te. Toalha na cabeça. Observas o corpo. Cada recanto. Cada sinal. Apetece-te dizer um corpo é um corpo é um corpo. Só que um corpo, afinal, é o corpo.
Um poema de Paulo Leminski
um poema
que não se
entende
é digno de
nota
a dignidade
suprema
de um navio
perdendo a
rota
em Toda
Poesia, São Paulo: Companhia das Letras, 1ª edição (11 reimpressões), 2013, p.
71.
(...)
Desde o dia 18 de Agosto que o Sitemeter aqui do burgo só assinala o número de visitas. Deixei de ter acesso aos links que aqui trazem as pessoas. O curioso é que as visitas, desde então, aumentaram: a média costumava ser de 52 visitas diárias; hoje está nas 102. Se alguém me anda a "linkar" eu não tenho como agradecer. Assim, aqui fica o meu muito obrigado.
Discos pedidos (47)
Estava a ser um Inverno longo e rigoroso. Muitas pessoas pensam que Manteigas é como a Suiça: neve e mais neve, no Inverno. Ou nunca foram a Manteigas ou nunca foram à Suiça. Manteigas assemelha-se mais a um vale norte-americano qualquer: chuva e mais chuva. De vez em quando: a neve lá faz uma visita à vila. Mas, mesmo assim, os Invernos não são para qualquer um: frio e frio. A lareira ajuda. O aquecimento central, também. O Inverno (do qual não vos vou falar) estava a ser longo e rigoroso. Da janela do meu quarto a Serra impõe-se. Uma muralha de pedra, que durante muitos anos julgava intransponível. Daí a música. É claro que nem sempre era a mais alegre. O certo é que a música levava-me para lá das montanhas. E isso era, para mim, suficiente.
(...)
Hoje levantei-me um pouco mais tarde. O despertador tocou e foi logo desligado. Depois, os olhos fecharam-se e quando acordei eram oito e meia. Abri a persiana e a porta que dá para o terraço. Senti o ar fresco da manhã. Preparei o pequeno-almoço e bebi a minha dose de coragem líquida. Levantei-me a pensar num álbum dos Dakota Suite que andava sempre a ouvir, e que está numa cassete numa caixa de papelão no sótão da casa dos meus pais.
Discos pedidos (46)
And when in the night
Your brother turned to me and said,
"god, do you look evil in the
dark"
Red House Painters
A Guarda à noite ― principalmente numa noite de
Inverno ― é única. Conheço poucas cidades assim. É certo que todas terão os
seus encantos e recantos. Mas a Guarda é única. Nas ruas de São Vicente os bares
eram porta-sim-porta-não e nós conhecíamo-los a todos. Havia um, o Noctis, que enchia as nossas medidas,
bem como os nossos copos. Havia um menu de shots.
Penso que os experimentámos a todos, desde o absinto àquele mais doce. Era um
bar pequeno, mas com espelhos em todas as paredes. O verdadeiro navio, dirias
uma vez. A verdade é que nunca houve irmão algum a dizer-me seja o que for. A
verdade é que foste tu. Sim, tu: god, do
you look evil in the dark.
Um poema de Malcolm Lowry
Sem
Tempo para Parar e Pensar
A única esperança é o próximo copo.
Se te apetecer, podes passear.
Sem tempo para parar e pensar,
A única esperança é o próximo copo.
É inútil hesitar no limite,
pior que inútil é toda esta conversa.
A única esperança é o próximo copo.
Se te apetecer, podes passear.
Em As Cantinas e Outros Poemas
do Álcool e do Mar, Lisboa: Assírio & Alvim, tradução de José Agostinho
Baptista, 2008, p. 21.
(...)
Parece que há um alerta qualquer para hoje. O tempo, pelos vistos, não irá estar para brincadeiras. A verdade é que o tempo nunca está para brincadeiras. Nunca pára para as ter. Eu irei cumprir com a minha parte: recolherei as flores, as plantas; baixarei as persianas. Irei estar vigilante.
Sábado | 19 de Outubro | 16h30m | Coimbra
Suicidas - Henrique Manuel Bento Fialho
Discos pedidos (45)
Um carro em movimento. A paisagem. No cinema nunca vi paisagem como esta, disseste. Na realidade não o disseste, mas é como se. O carro desliza. O sol está baixo. Não sei se é o nascer do dia, ou o seu fim. A estrada prolonga-se e, ao fundo, é apenas um ponto no horizonte. Na realidade tudo é um ponto no horizonte: as árvores, as casas, os animais. De vez em quando: ou uma cegonha ou uma garça. Às vezes custa-me distingui-las, disse eu. Não o disse, mas é como se.
Michel Houellebecq
Muitas vezes
também, parte de bicicleta campo fora. Pedala com todas as suas forças,
enchendo os pulmões do sabor da eternidade. A eternidade da infância é uma
eternidade breve, mas ele ainda não o sabe; a paisagem desfila.
em As Partículas Elementares, tradução de Miguel Serras Pereira,
Lisboa: Relógio D’Água, 2013, p. 36.
(...)
A ler a nova edição de As Partículas Elementares (Relógio D'Água), de Michel Houellebecq. A primeira edição em português, salvo-erro, foi da Temas & Debates. Na altura não tinha dinheiro para comprar o livro. Ontem tive. Entristeceu-me ver que a Relógio D'Água cedeu ao novo acordo ortográfico. Pelo menos neste livro. Não sei se é opção editorial, ou do tradutor (Miguel Serras Pereira). É a primeira vez que leio um livro onde o novo acordo está presente. Devo dizer, a bem da verdade, que a leitura não tropeça. Mas eu também nunca fui bom a caçar gralhas.
(...)
Desde Julho que não ia a Lisboa. O passado fim de semana serviu para regressar. Gosto sempre de ir a Lisboa. Desta vez a ida teve um sabor especial: foi a apresentação do 003 da Medula: Leis da Separação, do Rui Almeida.
Ontem
Apresentação do livro Leis da Separação de Rui Almeida
(Victor Oliveira Mateus | Rui Almeida | manuel a. domingos)
Foto: André Simões
Ontem
Leitura de poemas de John Mateer
(manuel a. domingos | John Mateer | Sandra Cruz)
Foto: Miguel de Carvalho
Pensamento do dia
John Mateer
In the Pleasure Quarter
Leitura no Paralelo W
23/06/2013
como se a visão nunca fosse uma rasura
Um poema de John Mateer
Este livro escuro
sobre um álbum de fotografias de Moriyama Daido
Este livro escuro do tamanho de uma caixa de cinzas
é um memorial após outro, página após página
de instantâneos, como se pudéssemos ser cinemáticos,
como se a visão nunca fosse uma rasura, esse negro metafísico.
Se fossemos ídolos na Hollywood que imaginamos, carne tonificada,
prata escorregadia ou, melhor, tremeluzindo com os aplausos dourados
dos dias a passarem, página após página,
nunca teríamos duvidado do fotográfico,
nunca teríamos desejado o abandono de um poema.
em Este livro escuro, tradução de Inês Dias, Lisboa: Averno, 2012 p. 11
50 livros que os meus amigos devem ler para ficarem a conhecer melhor a minha pessoa e confirmarem que me armo ao pingarelho (30)
Li-o em duas noites. Quem tem destes livros sabe que não é fácil lê-los: as letras são muito pequenas e o espaço entre linhas quase inexistente. Mas na altura não havia dinheiro para mais e eu tenho vários destes livros. Lembro-me que, na altura, eram livros que custavam, no máximo, 500 escudos. Este herdei-o da biblioteca dos meus pais. É um romance muito, muito bom. A história prende-nos logo no primeiro capítulo. Ainda hoje está ali na estante, em lugar de destaque. Sei que houve uma reedição recentemente. Aconselho.
O Carteiro de Fernando Pessoa - Fernando Esteves Pinto
(...)
A minha manhã termina a partir do momento em que almoço. Depois, começo a dizer boa tarde. É um hábito meu. Muitas vezes dizem-me boa tarde e eu respondo bom dia pois ainda não almocei. Consigo, quase sempre, um sorriso da outra pessoa.
Nova Asmática Portuguesa - Nuno Moura
50 livros que os meus amigos devem ler para ficarem a conhecer melhor a minha pessoa e confirmarem que me armo ao pingarelho (29)
Lembro-me de ver o filme primeiro. E lembro-me que foi um filme que, na altura, me disse muito. Eu, na minha rua (há sempre "a minha rua") e com os da minha rua, brincava muito. Tínhamos uma rua larga, com muito quintal à volta. É claro que poucos eram aqueles que gostavam de nos ver no quintal deles. Mas isso é outra história. A verdade é que criámos mundos. Mundos que eram para nós tão verdadeiros como o mundo em que vivíamos. Como a rua em que corríamos. Havia o líder (nunca o fui [e não me estou a armar em coitadinho]), havia os capitães, os tenentes, os sargentos e os soldados. Lembro-me que passávamos horas a construir cabanas, esconderijos. Passávamos horas a decidir o que fazer, para depois tudo ser feito num instante. Havia alguma inocência nisto tudo. Mas nem tudo era bom e belo. Havia alguma maldade. Aquela que todos nós temos dentro de nós e que muitas vezes salta cá para fora. Eram assim os dias. Só mais tarde li o livro.
Mixtape
Algumas antologias poéticas têm o nobre propósito
de divulgar os poetas que nelas vêm contidos. Outras têm um propósito meramente
académico. Outras, ainda, um propósito pedagógico. E existem aquelas que têm o
propósito de estabelecer uma espécie de cânone. Há antologias poéticas que
respeitam um tema. Lembro-me, por exemplo, de A Perspectiva da Morte: 20 (-2) Poetas Portugueses do Século XX (Assírio
& Alvim, 2009), com selecção e prefácio de Manuel de Freitas. Estas são,
porventura, as mais difíceis de organizar e as mais difíceis de defender, pois,
como bem refere Manuel de Freitas: «é desde logo garantido que ela não obterá
nem o consenso dos contemporâneos nem o favor da «eternidade» (…) [e] dir-se-ia
que as antologias têm a incómoda particularidade de envelhecer ainda mais
depressa» (p. 9). Por seu lado, Maria Alberta Menéres e E.M. de Melo e Castro,
na Antologia da Novíssima Poesia
Portuguesa (Livraria Morais Editora, 1961), referem que «organizar
Antologias reveste-se de particular delicadeza» (p. XIII), o que desde logo
parece ser a característica mais óbvia, principalmente porque devemos ter
sempre em conta o carácter subjectivo das mesmas, que deriva, em boa parte, do
gosto pessoal de quem antologia.
A editora do
lado esquerdo decidiu arriscar uma antologia de nome Mixtape (do lado esquerdo, 2013). Não existe qualquer referência
aos organizadores da antologia, mas parte-se do pressuposto que a mesma é da
responsabilidade de Maria Sousa e Nuno Abrantes (editores). O tema comum, ou
melhor, o tema englobante, é a música. Na epígrafe podemos ler: «É difícil
fazer uma boa cassete de compilação» (Nick Hornby). O mesmo pode ser dito sobre
fazer uma boa antologia.
Não deve ter sido tarefa fácil, seleccionar e reunir
vinte nomes no mesmo livro[1] — apesar de o tema ter
sido respeitado por todos —, quando esta selecção tem nela vozes poéticas tão
díspares. Este facto leva a um outro: os poemas são desiguais, o que provoca
uma antologia desconcertante em desequilíbrio (risco este que os antologiadores
previram seguramente), isto é, uma feliz antologia provocatória. Algumas falhas
na revisão final também podem contribuir para algum ruído de fundo, o que, ao
contrário de hoje por questões saudosistas, eram então sublinhados a vermelho por
todos aqueles que gravavam cassetes ou faziam mixtapes.
No entanto, é de louvar a aposta duma editora numa
antologia, que a caminho do quinto título em poucos meses, divulga a poesia que
é feita neste nosso país. Tudo isto sabendo, a priori, o risco que correm.
AA.VV., Mixtape, posfácio de Francisco Amaral, Coimbra: do
lado esquerdo, 2013, 77 páginas.
[1] Ana Caeiro, André Tomé, Bruno Béu,
Bruno Sousa Villar, Carlos Veríssimo, Daniel Francoy, Hugo Milhanas Machado,
Inês Fonseca Santos, Ismar Tirelli Neto, Joana Jacinto, Luís Filipe Cristóvão,
Margarida Ferra, Maria Sousa, Marília Garcia, Miguel Pires Cabral, Pedro S.
Martins, Pedro Santo Tirso, Raquel Nobre Guerra, Ricardo Marques, Tatiana Faia.
(publicado na Revista Literária Sítio)
(publicado na Revista Literária Sítio)
Discos pedidos (44)
Há silêncio no prédio inteiro. A noite, lá fora, também é silenciosa. Poderia dizer que o silêncio, aqui e agora, é uma espécie de movimento perpétuo. Mas é uma imagem demasiado óbvia. Demasiado gasta. A verdade é que gosto desta meia-luz que invade a sala. Há um livro à espera. Daqui não consigo ler-lhe o título. Talvez seja um romance de Mishima, esse samurai das letras e da vida. A noite. O silêncio interrompido pela chuva.
A Matriz e o Canto Oposto - Manuel Fernando Gonçalves
como se a visão nunca fosse uma rasura
(...)
Dizem que é o Dia Mundial da Música. Para mim todos os dias são Dia Mundial da Música. Todos os dias, quando acordo, ligo a aparelhagem e ouço música. Às vezes canto no duche. Devo cantar bem, pois ainda nenhum vizinho reclamou. Hoje, por exemplo, decidi começar o dia a ouvir Mantra, de Stockhausen. Gosto, muitas vezes, de começar os dias ou com música clássica ou contemporânea ou erudita ou. Essas definições deixo-as para os Senhores da Antena 2, que é a estação de rádio que mais ouço no carro.
Um poema de Ana Gonçalves
Amiga:
sabemos de cor cada gesto de inclinarmos as cabeças
quando sorrimos
mas ainda confundes o vermelho
com as horas azuis de que te falo.
em Anuário de Poesia - Autores Não Publicados, Lisboa: Assírio & Alvim, 1984, p. 18.
50 livros que os meus amigos devem ler para ficarem a conhecer melhor a minha pessoa e confirmarem que me armo ao pingarelho (28)
Cheguei a Sophia através de O Búzio de Cós, esse livro onde o
Mediterrâneo respira em cada verso. Quando estive em Malta lembrei-me muito
dele, do livro: a luminosidade, a serenidade, o azul desse mar que durante
muito e muitos anos foi "o mar". De Sophia só conhecia os contos para
crianças. A sua poesia (como é costume dizer nestas ocasiões) foi uma espécie
de revelação para mim. Há qualquer coisa nos seus poemas que nos eleva, ou
transporta para um outro tempo. Sophia anda um tanto ou quanto esquecida.
Esperemos que não caia mesmo no esquecimento.
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