Um poema de Marta Chaves
Preferia não saber das ruas
onde posso desfazer-me do desejo.
Ir ao encontro das estátuas
para me refazer do medo.
A noite é pequena e cabe
num gesto atirado ao ar
quando se parte sem olhar para trás,
nem necessidade de confirmar amor algum.
Tirei tudo dos bolsos.
Toquei o rosto para sentir a temperatura.
Não estou morta nem vou morrer.
De regresso a casa, a única certeza:
que a manhã virá para reflectir a palidez,
a habitual dificuldade em existir cedo.
em Pedra de Lume, Lisboa: Paralelo W, 2013, p. 27.
50 livros que os meus amigos devem ler para ficarem a conhecer melhor a minha pessoa e confirmarem que me armo ao pingarelho (21)
Este é um daqueles livros que me diz muito. Falar sobre ele é-me difícil. Li-o quatro vezes. Sempre em inglês. Depois tive a sorte de o traduzir para português. Para bem ou para o mal a primeira tradução deste romance em Portugal é da minha autoria. Estarei para sempre grato às duas pessoas que confiaram em mim. O livro passou ao lado da crítica. Às vezes penso, até, que muitos deles (críticos) nem sabem que o livro está traduzido neste lindo país. Outras vezes questiono-me sobre as razões e desrazões de Bukowski ser tão ignorado.
Discos pedidos (39)
Não é pela noite fechada em silêncio que escrevo. Não é uma noite de Inverno, nem limpa, nem definitiva. Não há nela uma evidência, pois todas evidências se perderam. Restam apenas as imagens. Os cheiros. Os sons. Também um dia pensei: serei um homem novo e irei recriar-me lúcido, instantâneo e incandescente. É claro que tudo isso foi antes. Agora penso que cada um de nós tece seu destino, como uma rede. E, como sabemos, isso dá muito trabalho. Recomeçar é sempre uma hipótese: é aquilo que muitas vezes nos dizem. Só que nós sabemos que não são possíveis os recomeços. Só o começar, o que implica a chamada "estaca zero". Daí se parte para o desconhecido. Longe de tudo aquilo que ficou para trás.
Nota: texto escrito com base em excertos de Invocação ao meu corpo, de Vergílio Ferreira.
Estados Filosóficos (84)
Andar na rua e pensar: Deus não criou; vingou-se.
Vala Comum
Uma leitura, a de Pedro Góis Nogueira, aqui.
Um poema de Ibn Habîb
A Silves
ó Dona dos Corações, em ti, talvez,
esteja a causa do tormento do cantor,
diz adeus a quem te quer, inda uma vez,
e que, em ti, por nada sente amor.
quando te sinto longe na lembrança
choro por ti, Silves, qual criança.
em O Meu Coração é Árabe, selecção e tradução de Adalberto Alves, Lisboa: Assírio & Alvim, 3ª edição revista e aumentada, 1999, p. 166.
(...)
| Poço dos Moinhos |
Para mim o rio é o Poço dos Moinhos. Foi lá que muitas vezes nadei. Foi lá que aprendi a nobre arte de mergulhar de cabeça. E, nessa nobre arte, a primeira coisa que se aprende é nunca mergulhar de olhos fechados. Algo que eu nunca coloquei em prática.
(...)
Viemos passar uma semana a Manteigas. No próximo Sábado há um encontro de família na Serra de Baixo. Em Manteigas somos conhecidos como Rosendos. Em tempos o nome Rosendo fazia parte do nosso nome, como hoje faz parte Domingos. Não sei a razão de ter desaparecido. No próximo Sábado 40 Rosendos irão juntar-se.
(...)
Pela segunda vez, em menos de um ano, apresentei-me no Centro de (des)Emprego da minha área de residência. A partir de hoje volto a estar abrangido pela tua solidariedade, leitor, e abrangido, também, por um espécie de "termo de identidade e residência", com apresentações periódicas (quinzenais) na Junta de Freguesia da minha área de residência. Esperar por melhores dias é algo a que estou habituado. Por isso podes poupar esse tipo de comentário, leitor.
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