Versões: Leopoldo María Panero



Mutis*

Talvez fosse mais romântico quando
arranhava a pedra
e dizia por exemplo, cantando
da sombra às sombras,
assombrado pelo meu silêncio,
por exemplo: «devemos
lavrar o inverno
e existem sulcos, e homens na neve»
Hoje as aranhas fazem-me cálidos sinais dos
cantos do meu quarto, e a luz treme,
e começo a duvidar que seja certa
a imensa tragédia
da literatura.


Leopoldo María Panero, «Mutis», em Agujero llamado Nervermore (Selección poética, 1968-1999), edição de Jenaro Talens, 2ª edição aumentada, Madrid: Ediciones Cátedra, 2000, p. 182.



*em teatro equivale a uma saída de cena.

50 livros que os meus amigos devem ler para ficarem a conhecer melhor a minha pessoa e confirmarem que me armo ao pingarelho (6)




A minha relação com este livro não é de longa data. Foi o Rui Almeida que me ofereceu o livro. Eu tinha feito um apelo aqui. E, um dia, recebi uma sms a dizer que tinha um exemplar para me oferecer. Sempre tinha ouvido falar de Nuno Bragança. Dele sabia, através de Vergílio Ferreira, que não era literatura de deixar algo no estômago. Por muito que goste de Vergílio Ferreira, desconfiei. Li o livro e digo que, de facto, não deixa muito no estômago, pois tal é o murro que uma pessoa leva no dito que sai tudo cá para fora.

Um poema de Cruzeiro Seixas



(clicar na imagem para aumentar)



em Naufrágio de Ilustraletrações: as letras pensam melhor quando desenhadas, catálogo da exposição de livros, cartas e poemas desenhados por Cruzeiro Seixas patente na Livraria Alfarrabista Miguel de Carvalho, Coimbra: 2005, p. 6.

As últimas palavras de Swazo Camacase



As últimas palavras de Swazo Camacase
(ou um pouco mais de nada)
de Pedro Dias de Almeida
é uma produção Projéc~
com encenação e interpretação de Américo Rodrigues
estreia amanhã dia 26 de Setembro
no Teatro Municipal da Guarda
às 21h30m

O livro do fim - Jorge Fallorca



Jorge Fallorca
O livro do fim
Edição do autor
2012

São 100 exemplares
numerados e assinados pelo autor

Um poema de Fernando Machado Silva


a morte é uma terra inacabada


os muros circundam aquele pedaço de terra
e o horário de trabalho fecha
por completo o carpir das velhas
mulheres. isto nunca acaba,
sempre há novas ervas a arrancar
folhas que ocultam os nomes
queridos dos idos sempre antes do tempo.
dizem ao ouvido das lajes:
fazes cá falta, a vida
é dura para uma pessoa só
quando se tem duas
casas a tratar
e um amor a cumprir


em Revista Big Ode, nº8, Março de 2011, Almada, p. 22.

Hotel Oslo



Hotel Oslo
Avv.
Coimbra
2012

Textos: Diogo Vaz Pinto, Inês Dias, Manuel de Freitas e Marta Chaves
Objecto: Miguel de Carvalho
Poema Visual: Rik Lina

(...)



Há dias Vítor Constâncio foi nomeado, pelo Banco Central Europeu, responsável pela supervisão da banca europeia. Depois da supervisão feita por Vítor Constâncio ao BPN e BPP, considero que podemos ficar descansados.

Das fotos (19)



Coimbra, 15 de Setembro
© manuel a. domingos, 2012
(clique na imagem para aumentar)


Vou





Sou adepto do anarco-comodismo.
Gosto muito do meu sofá.
Mas dia 15 vou para a rua.

15 de Setembro
17h
Praça da República
Coimbra

a mesma cantiga de sempre






Ao leitor de poesia apresentam-se-lhe duas questões (entre muitas outras) ao ler um livro de poesia: identifico-me com o que leio ou não me identifico com o que leio. No entanto, o leitor de poesia não pode esquecer que aquela voz – com a qual se identifica ou não – é a voz do poeta que está a ler, composta, é certo, pela voz dos poetas que o poeta leu. Há poetas que rejeitam imagens aparatosas, exageros metafóricos, adjectivos; outros não aprenderam a “lição” de Alexandre O’Neill (lembro o poema O Adjectivo). É claro que O’Neill também diz que a poesia «Se é discursiva, a poesia/também não serve…». Pedro Afonso (1979) é um poeta que ainda procura a sua voz (como todo o poeta que se preze). Conhecemos do autor o seu livro anterior.
O título do seu último livro – a mesma cantiga de sempre (Lua de Marfim, 2012) – remete-nos para um certo desencanto. Ou para o próprio acto poético. Em primeiro lugar dizer que denota-se uma tentativa de mudança em relação ao tom do livro anterior. Pedro Afonso procurou, neste livro, livrar-se daquilo que, no anterior, prendia o desenvolvimento do poema, isto é, uma excessiva adjectivação e uma asfixia do verso. Pelo contrário, no presente livro, o autor procura uma adjectivação mais moderada e deixar respirar mais os versos: «por aqui os homens vão maldizendo a chuva/que os encrava/todos veneram a postura seca que procuram nas roupas/a apresentação de quem não vem do mundo/da imunidade à vida» (p. 22). Contudo, em alguns casos, o autor não resiste ao ímpeto metafórico e imagista, caindo, novamente, no exagerado uso do adjectivo, que podia – e bem – ficar de fora: «pelas ruas sangram correntes de mortos aflitos» (p. 24); «há quem se lembre de viver/encravando o semáforo da semana e interrompa/dos dias o tráfego sob o escuro gás astuto/que engole o espaço do ar/a meteria invisível do calor» (p. 26); «aqui lavo o nocturno surro do tempo/aparo o álcool das peles/com a água gelada que me ruboresce as faces» (p. 31).
Há, nos poemas aqui apresentados, uma crítica velada ao Homem e à subjugação deste a um modelo de vida que se encontra obsoleto, mas no qual o Homem persiste em insistir. Pedro Afonso procura, sem dúvida, uma alternativa: «quase nada de move/no flanco defendido pelas três amendoeiras erguidas de/idade/caladas imóveis na noite quente/ordenam o terreno ingreme da afloração do pulso//apenas das cigarras o ritmo e os cães latindo/e talvez um fio de respiração dos homens/que derramam pelo medo/no negro infinito/este desenhar constante de redes armadas» (p.37). Assim, o autor procura na solidão um refúgio, bastante presente nos poemas que compõem a segunda parte do livro (um braço suicida).
A melhor parte do livro, aquela que para mim está mais conseguida, é a terceira parte: corpo onde caber. Esqueçamos os adjectivos, as metáforas e uma ou outra imagem menos conseguida: são belos poemas de amor. Penso que Pedro Afonso se sente mais à-vontade neste campo: «anoitece-nos tanto essa planície/onde o teu dorso breve se dourava ao vento/dele herdando a curva contínua/e o que nela se amarrava sobrando dos dias» (p. 43); «todo o toque é antecipação do trespasse/essa ilusão de quem tem corpo onde caber» (p. 46).
Pedro Afonso segue o seu percurso. Nele podemos encontrar uma procura. Esperemos que o autor lá chegue. Encontre.


Pedro Afonso, a mesma cantiga de sempre, 1ª edição, Póvoa de Santa Iria: Lua de Marfim, 2012, 58 pp.

Diálogos (8)




Joel: I brought you this. One of my favorite writers. Gogol. Russian. Lost his mind, burned the only copy of final book, nine days later died of self-starvation. A real fun guy.

(He laughs awkwardly as he hands her the book)


em Adventureland de Greg Mottola (2009)

Albert Camus



Eu grito que não creio em coisa alguma e que tudo é absurdo, mas não posso duvidar do meu grito e tenho pelo menos que crer no meu protesto. A primeira e única evidência que assim me será proporcionada, no interior da experiência absurda, é a revolta.


em O Homem Revoltado, tradução de Virgínia Motta, Lisboa: Livros do Brasil – Lisboa, s/d, p. 20.

Livraria Miguel de Carvalho


© Sergio Azenha, 2012

A Livraria Miguel de Carvalho, situada no Adro de Baixo em Coimbra, é um local recentemente descoberto por mim. É um local agradável, onde podemos encontrar todo o tipo de livros. Eu vou lá pela poesia. Tenho lá encontrado livros bastante interessantes e, como não podia deixar de ser, a simpatia de Miguel de Carvalho. É um local onde o tempo passa sem passar (desculpem a imagem barata), onde é bom estar e poder conversar sobre tudo e sobre nada, sem medo de rótulos e afins. Se passarem por Coimbra não hesitem.


Um poema de Rui Namorado



Abril

2.

Abril é uma palavra abandonada
à vertigem de todos os mistérios

um tempo aberto   rigoroso   puro
a casa que sabemos e nos espera

mil vezes esquecidos    nunca ausentes
cabemos neste mês de corpo inteiro

somos nós os recantos deste Abril



em Sete Caminhos, Coimbra: Fora do Texto, 1ª edição, 61º volume da colecção Poesia/Nosso Tempo, 1996, p. 41.


Coisas que não consigo entender (5)



A imagem, que aqui se reproduz, tem 8163 partilhas na rede social Facebook. Entre ontem e hoje tem andado pelo Facebook a ser novamente divulgada. A maior parte das pessoas que a divulga é da minha idade ou mais nova. Quem a divulga diz que assim é que devia ser, que se devia seguir o exemplo de Salazar. Muitas pessoas em 1928 devem ter pensado o mesmo. E, depois, foi o que foi. A "minha" geração prega pela revolução, mas depois partilha imagens como esta. Há algo que não bate certo.

Manuel António Pina


Hoje
RTP2
23h45m

CARTA AO PRIMEIRO-MINISTRO DE PORTUGAL, por Eugénio Lisboa




Exmo. Senhor Primeiro Ministro

Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe.

Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito  —  todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! — mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal.

Mas tenho, como disse, 82 anos e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice — a minha e da dos meus amigos e familiares. A velhice é um pouco — ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia.

A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta — as físicas, as emotivas e as morais — um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado The Garden Party: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos. Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo. Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais — tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.

Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos, situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14º andar, explicava, a desolação que se comtempla até passa por paisagem. V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto. V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. As políticas radicais de V. Exa, e do seu robôtico Ministro das Finanças — sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... — têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.

Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida — tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes  termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher — como o “conservador” Passos Coelho — quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá.

Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados. É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. Darei a V. Exa. — e com isto termino — uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: “Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.


De V. Exa., atentamente,

Eugénio Lisboa



Nota: via Da Literatura

Das fotos (18)





Terra Devastada
© manuel a. domingos, 2011
(clique nas imagens para aumentar)


Terra Devastada é uma série de quatro fotografias, todas publicadas na revista Big Ode #8 (2011). O título da série foi retirado do poema de T.S. Eliot.





Eu, Narciso (2)

© Carla Ribeiro Domingos
Américo Rodrigues, eu, Daniel Rocha

Decorreu no passado dia 7 de Setembro no Café Concerto, do Teatro Municipal da Guarda, a actividade Tripartida Poética. Foi bom rever o Américo Rodrigues e o Daniel Rocha. A conversa foi surgindo. O tema foi os nossos mais recentes livros de poesia. Houve leitura de poemas, confissões e prática efectiva de poesia. O público é que não foi muito. Sabemos que é quase sempre assim: poucos, mas bons.

50 livros que os meus amigos devem ler para ficarem a conhecer melhor a minha pessoa e confirmarem que me armo ao pingarelho (5)




É o primeiro livro de poesia que aparece na lista. Apesar da poesia ser essencial na minha vida (sei do risco que corro ao afirmar tal coisa), li mais romances, até hoje, do que livros de poesia. Na poesia comecei muito tarde. Fernando Assis Pacheco (jornalista) chegou até mim através do meu pai; Fernando Assis Pacheco (poeta) chegou através de um livro do Henrique Manuel Bento Fialho: Estórias Domésticas. O Henrique citava Assis Pacheco: «não tenho nada contra a poesia/mas é mais útil a limpeza a seco». Embora o primeiro livro que tenha comprado de Assis Pacheco tenha sido Variações em Sousa (Colecção Inimigo Rumor, 2004), foi em A Musa Irregular que encontrei esse poema que de quando em quando dispara na minha cabeça: Poeta no Supermercado. Não sei o que mais posso dizer sobre ele. Apenas que o leiam. E ao livro também.

Em repeat



The XX
Coexist
2012


Como dirá um amigo meu: do belo.


Hoje: Tripartida Poética




Hoje, dia 7 de Setembro, a noite é de poesia no Café Concerto do Teatro Municipal da Guarda, com a actividade "Tripartida Poética" com Américo Rodrigues, Daniel Rocha e a minha pessoa . A sessão está marcada para as 21h30 e conta com os textos e as vozes dos três autores. De referir ainda que estará à venda no CC o último livro de cada um dos autores, a saber: Acidente Poético Fatal, de Américo Rodrigues; Refracções a três andamentos de Daniel Rocha; e o meu Teorias.

50 livros que os meus amigos devem ler para ficarem a conhecer melhor a minha pessoa e confirmarem que me armo ao pingarelho (4)



Este é um daqueles livros que muita tinta já fez correr. Não deixa de ser curioso que um livro tão despretensioso e simples, com uma história despretensiosa e simples, marque, para sempre, quem o lê. Talvez todos nós fomos/somos o jovem Caulfield. Todos nós gostaríamos de ter alguém à nossa espera, que nos impedisse de cair no abismo. Só que o abismo está lá. Encontrar alguém que nos segure, é outra conversa.

Carta a T.S. Eliot



Caro Eliot:

ficas a saber
que Abril
deixou de ser

o mais cruel

Agora é

Setembro

mês em que
requeri
o subsídio

de desemprego

Das fotos (17)





Na fria lava da noite
© manuel a. domingos, 2008
(clique nas imagens para aumentar)


Na fria lava da noite é uma série de três fotografias, todas publicadas na revista Big Ode #4 (2008). O título da série foi retirado de um verso de Al Berto.


Piolho - 010


PIOLHO
Revista de Poesia
«É possível que a luz não seja, de facto, o sempre máximo da consciência.»
Maria Gabriela Llansol

Paulo da Costa Domingos, Maria Estela Guedes, Zarelleci, Vítor Silva Tavares, m. parrissy, João Albuquerque, Álvaro de Sousa Holstein, José Guardado Moreira, João Vasco Coelho, Nuno Brito, Teixeira Moita, Marcelina Gama Leandro, Clara Pinto Caldeira, Maria Madalena Nobre, João Maria Castelo, Sérgio Pereira, Rui Azevedo Ribeiro, Rui Costa, Ricardo Gil Soeiro, Ricardo Marques, Rui Esteves, manuel a. domingos, A. Dasilva O., Fernando Guerreiro, Raul Simões Pinto, Ricardo Álvaro, António S. Oliveira, Stephen Crane e Ambrose Bierce

fazem mais ou menos por esta desordem este número, o décimo, Setembro 2012

Coordenado por Sílvia C. Silva, Ricardo Álvaro,
Meireles de Pinho (capa e arranjo gráfico), Fernando Guerreiro e A. Dasilva O.


50 livros que os meus amigos devem ler para ficarem a conhecer melhor a minha pessoa e confirmarem que me armo ao pingarelho (3)



As nossas leituras, na maior parte das vezes, baseiam-se noutras leituras. Os livros que lemos trazem outros livros que trazem outros livros e por aí em diante. Lembro-me que li sobre Gilles Lipovetsky e sobre o livro em questão. Comprei-o e li-o durante umas férias de Verão. Foi muito interessante estar a lê-lo enquanto apanhava sol na praia e observa certos comportamentos humanos. Tenho o livro com bastantes anotações e frases sublinhadas. Parágrafos, por vezes, inteiros. A edição francesa é de 1983. A edição portuguesa que possuo é de 2007 (pelo menos o Depósito Legal é desse ano). No prólogo o autor esclarece-nos: «Uma ideia central governa as análises que se seguem: à medida que as sociedades democráticas se desenvolvem, a sua inteligibilidade revela-se à luz de uma lógica nova, a que chamamos aqui o processo de personalização, sendo que este não pára de remodelar em profundidade o conjunto dos sectores da vida social.» (pp. 7-8). É claro que para melhor entender o que o autor quer com isto dizer devemos ler o resto do livro. Não resisto, no entanto, a uma nova citação: «Sobretudo, não devemos perder de vista que onde a democracia se encontra estruturalmente reprimida, as dificuldades económicas são incomparavelmente maiores e conduzem, no melhor dos casos, a sociedade à penúria e, nos casos piores, à pura e simples bancarrota.» (p. 123). Se pensarmos no caso português, não andamos muito longe disto.

50 livros que os meus amigos devem ler para ficarem a conhecer melhor a minha pessoa e confirmarem que me armo ao pingarelho (2)




O que mais me impressionou neste romance foi a aparente fragilidade do mesmo. Explico: quem o lê poderá ficar com a sensação que nada daquilo é novo, que nada daquilo é importante; poderá pensar que é um romance sem fôlego, sem pernas para andar. No entanto, a leitura de A Casa da Morte Certa não deixa ninguém indiferente. Pode ser lido como metáfora de um época em que as crenças começam a ficar caducas. Contudo, o Homem começa a ganhar consciência da caducidade dessas mesmas crenças, e procura despertar para uma nova realidade: «O futuro está cheio de gritos. O futuro está cheio de revoltas. Como represar este rio transbordante que vai submergir as cidades?» (p. 186).


Ensino Recorrente


50 livros que os meus amigos devem ler para ficarem a conhecer melhor a minha pessoa e confirmarem que me armo ao pingarelho (1)



A edição que tenho não é a melhor. Já não me lembro quando o li pela primeira vez. Sei que foi o primeiro livro de Orwell que li. Não sou daqueles que conseguem citar partes dos livros. Nem frases consigo memorizar. É um problema que tenho. Mas também não me preocupo muito com isso. O importante é que 1984 é um grande livro. Não vou aqui falar do famigerado Big Brother e que Orwell foi um visionário. Orwell não foi um visionário. Foi apenas alguém muito atento ao seu tempo e viu muito bem para onde é que o Mundo se dirigia. Ou para onde ele não se dirigia. Acertou.