Pensamento do dia


The Jesus and Mary Chain
Gimme Hell
Automatic
1989

Yukio Mishima



Dele li: O Marinheiro Que Perdeu as Graças do Mar, Confissões de uma Máscara, Morte no Verão, Depois do Banquete, O Tumulto das Ondas. Tenho lá numa prateleira três livros da sua famosa tetralogia O Mar da Fertilidade: Neve de Primavera, O Templo da Aurora e A Queda do Anjo. Falta-me Cavalos em Fuga, que não consigo encontrar em lado nenhum. Ainda não li nenhum deles pois não quero saltar do primeiro para o terceiro. E também tenho O Templo Dourado – que ainda não li. Sofri, durante algum tempo, de “mishimismo”. Intrigava-me a personagem Mishima. Sim, penso que Mishima é um personagem de Mishima. Biedma quis ser poeta, mas na realidade o que queria ser era poema; Mishima quis ser romancista, mas na realidade queria ser romance. Penso que conseguiu. 

Sylvia Plath



Tenho poucas escritoras na minha biblioteca. Leio pouco, as mulheres. Portuguesas: Sophia, Helga Moreira, Adília Lopes, pouco mais. E também não entendo, muitas vezes, quando há críticos que dizem que esta ou aquela autora tem uma escrita verdadeiramente feminina. Não sei se é esse o caso de Sylvia Plath. Não me interessa saber se a sua poesia é "verdadeiramente feminina". Apenas sei que gosto muito da poesia dela. E é tudo.

Stig Dagerman


Não me lembro como cheguei até ele. Só lhe li três livros: A Serpente, Outono alemão, A Nossa Necessidade de Consolo é Impossível de Satisfazer. Foi neste último que Dagerman escreveu: Quando, por fim, me apercebo que esta terra é uma vala comum, onde Salomão, Ofélia e Himmler repousam lado a lado, concluo que tanto o crápula como a infeliz têm o mesmo fim que o sábio. Por isso, para uma vida falhada, a morte pode tornar-se numa forma de consolo – e bem atroz, sobretudo para quem na vida queria encontrar forma de vencer a morte. Três livros foram o suficiente para saber que é um autor que irá acompanhar-me, sempre. Gosto da maneira como escreve. Gosto da sua visão do mundo, da vida. Quem leu Outono alemão não pode ficar indiferente aos efeitos colaterais da Guerra, seja da 2ª ou de qualquer uma. Sei que li A Serpente num Verão quente, já lá vão alguns anos: Estava tanto calor, que quase se podia torrar café nos carris. É assim que o livro começa. E eu sentia, também, aquele calor. Eu sei que era Verão e deviam estar uns 35 graus à sombra. Mas ao ler aquela frase o calor tornou-se maior, insuportável. Há livros assim. Autores, também.

Um poema de Alejandra Pizarnik

um olhar a partir do esgoto
pode ser uma visão do mundo

a rebelião consiste em olhar uma rosa
até pulverizar os olhos


em 30 Poemas,tradução e selecção de Inês Dias e Manuel de Freitas,  Lisboa: Língua Morta, 1ª edição, 2011, p. 22.

A mulher descalça - Jorge Fallorca


Jorge Fallorca
A mulher descalça
2011

80 exemplares numerados e assinados
através do blogue

Versões: Luis Alberto de Cuenca


A Mulher do Vampiro


Para me não veres triste, desenhaste
o meu rosto em todos os espelhos de casa
e afiaste minuciosamente
a estaca de madeira que tu mesma
cravarás no meu peito, atravessando-me
o coração.


Luis Alberto de Cuenca, «La Mujer del Vampiro», De Amor y de Amargura, Edição, selecção e prólogo de Diego Valverde Villena, Sevilha: Renacimiento, 2003, p. 144.

Matadouro Cinco - Kurt Vonnegut


Kurt Vonnegut
Matadouro Cinco
Tradução de Rosa Amorim
Bertrand Editora
2011

Discos pedidos (12)



Vinte anos depois e dois contos e quinhentos. Foi quanto custou. A minha mãe entrou comigo na loja de música no Centro Comercial Garden (na Guarda) – onde fiz a minha formação musical a par com a colecção de discos do meu primo Zé-Tó – e perguntou-me qual é que queres? É aquele! Quando chegámos a Manteigas coloquei o disco no gira. Não consigo descrever o que senti ao ouvir os primeiros acordes de Smells Like Teen Spirit. Ainda hoje me comovo quando os ouço, não há palavras suficientes. Caramba! Tinha 14 anos. Tinha acabado o 9º ano e ia, no ano lectivo seguinte, estudar para a capital do Distrito. Uma certa liberdade batia-me à porta com o estrondo da bateria de David Grohl. E nem vou falar no baixo de Novoselic. À conta de tudo isto parti várias vezes os óculos no moche. Foram soldados mais de quatro vezes. À quinta os senhores da óptica disseram que já não era possível soldar mais. Tive de comprar outros, que guardava cuidadosamente numa caixa blindada quando ia para o meio da malta aos pulos. Não consegui ir vê-los a Cascais. Fiquei lixado. E não vou estar para aqui a falar de músicas como Come As You Are, In Bloom ou Lithium. Só posso dizer isto: sei que nunca mais fui o mesmo.

Uma notícia que muito me agrada



Raul Brandão



Talvez seja o responsável por um dos melhores romances do século XX português. Também, talvez, o mais ignorado. Húmus é uma coisa do outro mundo, mas poucos são aqueles que o conhecem. Os portugueses, apesar de muita saudade e muito fado, nunca gostaram de pensar-se. Preferem pensar os outros, entender os outros, maldizer os outros. O umbigo do comum dos portugueses só lhe interessa se for motivo para dizer que é maior do que o umbigo do vizinho. Raul Brandão tinha a capacidade de escrever sobre o Homem como poucos o conseguiram fazer (pelo menos cá em Portugal). Leia-se A Morte do Palhaço, Os Pescadores. Muita gente conhece aquela famosa frase que abre as suas memórias: Se tivesse de recomeçar a vida, recomeçava-a com os mesmos erros e paixões. Mas quantos de nós o faria mesmo?

José Cardoso Pires



Lembro-me que quando foi atribuído o Prémio Nobel a José Saramago, o extinto jornal Tal&Qual andou a perguntar a uma série de gente conhecida a seguinte pergunta: entre José Saramago e António Lobo Antunes, qual é que prefere? Lembro-me, também, da resposta que João Lagarto deu: José Cardoso Pires. Eu, naquela altura, já tinha li do mais norte-americano dos autores portugueses (não sei se estou a dizer uma barbaridade, mas pouco me importa) dois livros: Balada da Praia dos Cães e Dinossauro Excelentíssimo. Deste último tem o meu pai a terceira edição (se não me engano de 1972) com dedicatória e tudo. Só mais tarde é que li O Delfim. Sempre gostei da sua escrita. Das suas frases curtas, muito cinematográficas. Uma escrita pouco adjectivada (é a sensação que tenho). E lembro-me muito bem daquela frase do Dinossauro: quando o mar bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão. Não sei se a frase é mesmo dele ou se foi ele que a popularizou. Mas quem não a conhece, que levante a mão.

João Camilo


E apetecia-nos rir dos poetas literatos que se imaginavam actores importantes de uma tragédia grandiosa. A dor, às vezes, ama-se a si própria na sua insignificância. É contra a pose que o poeta que não quer ser poeta luta, esforçando-se por ocupar na complexidade do mundo um lugar discreto.


em A Ignorância e o Conhecimento, OVNI: Entroncamento, 1ª edição, 2011, p. 37.

Lérias - Miguel Martins


Miguel Martins
Lérias
Averno
2011

Versões: Jaime Gil de Biedma

Nem que seja por um instante


Nem que seja por um instante, desejamos
descansar. Sonhamos conseguir.
Não sei, num lugar qualquer
desde que a vida deponha os seus espinhos.

Um instante, talvez. E regressamos
atrás, ao passado enganador fechado
no mesmo medo de hoje, que dia a dia
naquela altura também conhecíamos.

                                                          Esquece-se
pronto, esquece-se o suor de tantas noites,
a nervosa ansiedade que destrói o melhor engano
levando-nos a ele já rendidos
sem outra coisa a não ser esse vazio ao chegar,
a estranha indiferença do que está feito.

Assim de cada vez que este medo,
o eterno medo que tem a nossa cara
nos assalta, gritamos invocando o passado
— invocando um passado que nunca existiu —

para acreditar que ao menos vivemos de verdade
e que a vida é mais do que esta longa pausa,
vertiginosa,
quando a própria vocação, aquela
sobre a qual um dia fundámos o nosso ser,
o nome que demos à nossa dignidade
vemos que não era mais
do que um desolador desejo de nos escondermos.


Jaime Gil de Biedma, «Aunque sea un instante», em Las personas del verbo, Barcelona: Seix Barral, 12ª edição, 2009, p. 39.

Piolho nº 6



Sandra Filipe (ilustrações), Inês Dias, Golgona Anghel, Marta Chaves, Ana Dias, Mariana Pinto dos Santos, Oliveira Martins Roxo, Renata Correia Botelho, A. Maria de Jesus, Sílvia C. Silva, Rui Caeiro, José Carlos Soares, Miguel Martins, Vitor Nogueira, António Barahona, manuel a. domingos, Fernando Guerreiro, Diogo Vaz Pinto, Rui Miguel Ribeiro, Jorge Roque, Luís Manuel Gaspar, A. Pedro Ribeiro, António S. Oliveira, Pedro Calcoen, Rui Pires Cabral, Rui Azevedo Ribeiro, Ricardo Álvaro, Manuel de Freitas e Charles Bukowski

fazem mais ou menos por esta desordem este
 número

o sexto Setembro 2011
Coordenado por Sílvia C. Silva, Meireles de Pinho (capa e arranjo gráfico),
Fernando Guerreiro e A. Dasilva O.

Kurt Vonnegut



A par com Tom Sharpe, Kurt Vonnegut é um dos autores que eu conheço que tem um enorme sentido de humor. O sentido de humor de Vonnegut é universal. Quem o lê revê nas suas personagens alguém que conhece ou virá a conhecer. Apesar de o seu “alvo” favorito ser a sociedade americana, qualquer um de nós pode ver um português lá metido no meio. Vonnegut foi soldado durante a Segunda Guerra Mundial. Assistiu ao bombardeamento de Dresden: essa barbárie aliada. Depois, foi para a cidade recolher os corpos ou o que restava deles, que não era muito – basta ler Slaughterhouse 5. Em Portugal é quase um autor desconhecido e pouco editado (recentemente só a Tinta da China publicou um livro seu). Há uma frase dele que nunca esquecerei (cito de memória): Viemos ao mundo para andar por aí aos peidos; não deixem que ninguém vos diga o contrário. E depois há outra (com o mesmo grau de humor, mas terrivelmente verdadeira): A vida não é maneira de tratar um animal.

Fenda


A Fenda tem blogue. Aqui.

Norman Mailer


Podia só ter escrito The Naked and the Dead e eu gostava dele na mesma. Parece que era um exagerado em tudo: naquilo que dizia, fazia, bebia; mulheres. Nos anos 60 não foi lá muito bem visto pelo movimento feminista que então queimava sutiãs. Rotularam-no de machista e sexista. Mas Mailer estava contra (resumindo) a carneirada, as manadas a caminho do matadouro, a carne-para-canhão. Tinha participado na 2ª Guerra Mundial. Tinha visto com os próprios olhos o poder das ideias de “um” aplicadas à vida dos outros. Escreveu Os Exércitos da Noite e demonstrou que a Esquerda nunca será unida e que a Direita vencerá sempre.

Pensamento do dia



Jaime Gil de Biedma


Um dia escreveu que sempre tinha querido ser poeta e que mais tarde se apercebeu que, na realidade, o que queria ser era poema. Disse que tinha conseguido. Que devido a isso estava enclausurado em si mesmo. Que mais nada importava. Que tudo o resto era silêncio. Só conheço dois poetas assim: Höderlin e Rimbaud. A sua poesia reunida quase que não chega às cem páginas ou cem poemas. É um dos poetas espanhóis mais reconhecidos e imitados do século XX. Pertencia à geração de cinquenta. Parece que foi amigo de Cernuda. Nunca ligou muito a ortodoxias: nem na literatura nem na vida. Dizia que tinha sido de esquerdas, mas que não praticava há muito tempo.

Um poema de A. da Silva O.

Maldito seja Eu

Hoje acordei dividido
na impossibilidade
de me transformar numa metáfora

Assim preso
a um muro de vídeo
cheio de imagens
feridas pelo impessoal

Restos de mim
espalhados pelo chão
de uma época
que não consigo destruir


em Revista A Mar Arte, Coimbra: A Mar Arte, nº 5, Outono de 1996, p. 32.

Versões: Jaime Gil de Biedma

Domingo

Pouco mais do que este pequeno esforço para viver,
para respirar como respiram
aqueles outros casais além ao longe, escondidos
debaixo dos pinheiros em cascata,

e que parecem manchar o ar
tão sossegados como o fumo da cidade, ao fundo,
enquanto passam queixando-se
estrada abaixo os rápidos autocarros.


Jaime Gil de Biedma, «Domingo», em Las personas del verbo, Barcelona: Seix Barral, 12ª edição, 2009, p. 51.

Thomas Bernhard



Qual a razão que me levou até este autor? Um dia li que Thomas Bernhard tinha mau feitio, que não era um pessoa de trato fácil, que dizia o que tinha a dizer sem ceder à hipocrisia, ao cinismo. – e parece que isso, na Áustria, não é lá muito bem visto (cf. Os Meus Prémios, Quetzal, 2009). Para Bernhard a Áustria era o inferno na terra. E os austríacos só tinham o que mereciam: «(…) eles são, num país assim, incapazes de desenvolvimento e têm também permanentemente consciência dessa incapacidade de desenvolvimento, um país assim precisa de pessoas que não se revoltem contra a pouca-vergonha de um tal país, contra a irresponsabilidade de um tal país e de um tal Estado (…)»(Correcção, Fim de Século, 2007, p. 34). Sempre tive uma tendência para escritores com mau feitio, que dizem o que têm a dizer, doa a quem doer. 

Das fotos (14)

 
Sem título (14)
© manuel a. domingos, 2011
(clique na imagem para aumentar)

Um poema de Judith Herzberg


Fica

Fica longe das pessoas de bom senso
fica perto dos apaixonados
nem que estejas só e não seja por ti
fica antes num luto perplexo
porque o bom senso é contagioso
e dá sempre cabo deles.


em O que resta do dia, tradução de Ana Maria Carvalho, Lisboa: Cavalo de Ferro, 1ª edição, 2008, p. 153.

Céline


Penso que um dos principais objectivos da grande literatura – daquela que faz ferida – é desmascarar e lutar contra a hipocrisia. A questão é saber o que se entende por grande literatura. Orwell? Bukowski? Miller (Henry, not Arthur)? Sem qualquer dúvida: Céline. Ele é, por excelência, o grande desconstrutor da hipocrisia humana. Basta ler Viagem ao Fim da Noite. Mas não podemos esquecer Morte a Crédito, e, também, os relatos de Castelos Perigosos e Norte. Céline combateu sempre a hipocrisia. Até a sua (que, a bem da verdade, tinha uma boa dose dela). É claro que as simpatias nazis não o favorecem. Não fica muito bem na fotografia – como é costume dizer. Mas quem disse que ele queria ficar bem na fotografia? Para mim existem dois tipos de autores. Melhor: três. Os que querem ficar bem na fotografia; os que não se importam de ficar mal na fotografia; os que abdicam da fotografia. São estes dois últimos que me interessam, inspiram. O problema está em admirá-los e, ao mesmo tempo, querer ficar bem na fotografia.

Versões: Luis Alberto de Cuenca



Dá-me de beber

Dá-me de beber, Alicia,
dá-me de beber.

Acalma a sede deste morto,
com os teus lábios de romã.
Repara que é noite escura
e não há nenhum bar aberto.

Dá-me de beber, Alicia,
dá-me de beber.


Luis Alberto de Cuenca, «Dame de beber», De Amor y de Amargura, Edição, selecção e prólogo de Diego Valverde Villena, Sevilha: Renacimiento, 2003, p. 123.

Georges Darien



Calor. Lá fora a noite. O silêncio que é costume referir nestas alturas. Não há poesia que acalme os meus nervos. A mesquinhez, a hipocrisia, a malvadez humana entram sem pedir licença. O homem, na sua pequenez, é um ser abjecto. E não é preciso reduzi-lo à sua insignificância. Basta olhar para ele, todos os dias, olhos nos olhos. O homem é um ser abjecto. Ponto. Não escrevo homem com “h”maiúsculo propositadamente. Ele não é o suficientemente grande para o merecer. Céline é que tinha razão. Antes dele: Darien. É só ler Biribi. Está tudo lá. A maldade, a mesquinhez, a hipocrisia, o cinismo (não o dos antigos gregos), o arrivismo, a estupidez. Mas nós ainda precisamos de ler livros para nos darmos conta disso. Como se preciso fosse! Caramba! Temos olhos na cara, ou não? Temos nariz para sentir o cheiro à merda, ou não? Às vezes acredito que somos uns incapazes. Uns abortos de Deus. E logo eu que não acredito Nele.

Pensamento do dia


David Sylvian
When Poets Dreamed of Angels
Secrets of the Beehive
1987

Albert Cossery


De Albert Cossery li praticamente tudo o que está disponível em Portugal. Já não me lembro como o conheci, mas penso que foi através da leitura de uma entrevista a algum autor que gosto e que o mencionou como influência. Como sabemos as influências são tramadas. Escrevi, um dia, isto sobre Cossery: Albert Cossery é exímio na descrição da pobreza humana, e não me refiro só à pobreza do ponto de vista financeiro: refiro-me, também, à pobreza do ponto de vista moral e ético. Como muito poucos, Albert Cossery entende e conhece o Homem por dentro, sendo o Homem alguém que está à beira do desmoronamento, que encerra em si um espírito doente nas suas mais profundas entranhas. A minha ideia sobre este autor não mudou. E desafio quem quer que seja a ler A Casa da Morte Certa, Mendigos e Altivos ou Uma Ambição no Deserto (talvez o seu menos conseguido romance) e ficar indiferente.

Um poema de e.e. cummings

já que sentir é primeiro
quem presta alguma atenção
à sintaxe das coisas
nunca há-de beijar-te por inteiro;

por isso ensandecer
enquanto a Primavera está no mundo
o meu sangue aprova,
e beijos são melhor fado
que sabedoria
senhora eu juro por toda a flor. Não chores
— o melhor movimento do meu cérebro vale menos que
o teu palpitar de pálpebras que diz

somos um para o outro: então
ri, reclinada nos meus braços
que a vida não é um parágrafo

E a morte julgo nenhum parêntesis


em xix poemas, selecção, tradução e notas de Jorge Fazenda Loureiro, Lisboa: Assírio & Alvim, colecção Gato Maltês, nº 27, 2ª edição, 1998, p. 39.

Vergílio Ferreira



Não sei se é devido a escrever à francesa com sotaque da Beira (foi António Lobo Antunes quem o disse) ou se é devido ao seu ligeiro sotaque da Beira. Vergílio Ferreira é, de longe, o autor que mais li até hoje. Li romances, diários, ensaios, contos. Há quem diga que está ultrapassado. Mas como é que podem estar ultrapassados temas como Deus, Morte, Amor, História, Homem? Desde quando é que estes deixaram de ser a base? Há aqueles que dizem: o romance de ideias está ultrapassado. E o que são os romances de Gonçalo M. Tavares?

Versões: D.H. Lawrence


O Optimista

O optimista constrói um abrigo, fecha-se lá dentro
e pinta as paredes de azul cor do céu
e tranca a porta
e diz que está no paraíso.


D.H. Lawrence, «The Optimist», em The Complete Poems of D.H.Lawrence, Ware: Wordsworth Editions, 2002, p. 370.

Pensamento do dia


Mogwai
Auto Rock
Mr. Beast
2006

Arthur Rimbaud


Fala-se muito na influência de certos autores na vida de cada um de nós, leitores. Dizem que quem leu Rimbaud, antes dos vinte, fica para sempre marcado pelos seus poemas e iluminações. Li-o antes dos vinte. Sim, marcou-me. Sem qualquer sombra de dúvida. Mas posso afirmar que me marcou mais a leitura de Michaux depois dos trinta, do que a leitura de Rimbaud antes dos vinte. São assim alguns escritores.

A Sul de Nenhum Norte





Adolfo Luxúria Canibal, Beatriz Hierro Lopes, Catarina Nunes de Almeida, Enrique Vila-Matas, Jenna Cardinale, Joana Corker, José Emílio-Nelson, Leslie McGrath, Long Lim, Machado de Assis, Maggie Taylor, Maria Sousa, Maurice Mbikayi, Miguel Moreira, Miguel Pires Cabral, , Nuno Abrantes, Ondjaki, Paulo Rodrigues Ferreira , Rosa Alice Branco. Simone Tree,Tatiana Faia, Teresa Andruetto