Albert Camus


Li pela primeira vez Camus num Verão que não recordo: A Peste. Tinha 17 anos. Gostei muito do livro, principalmente da cidade junto ao mar (é junto ao mar, não é?). Depois, mais tarde, li O Mito de Sísifo. Na altura também andava a ouvir muito Nick Drake e tinha ficado a saber que era o livro que este tinha na mesinha-de-cabeceira quando se suicidou. Mas nunca li O Estrangeiro. Lá está: dois livros apenas e ficou para toda a vida. Estranho, não é?

Questão


Quando lemos um livro, a primeira questão que se levanta não é aquela que fala sobre as portas e os mundos que o livro, que estamos a ler, nos vai abrir; antes se vamos conseguir lê-lo até ao fim. Daí a importância do primeiro capítulo, do primeiro parágrafo, da primeira linha. São eles que ditam o destino do livro que temos em mãos. 

Caderno


Tudo o que pensava costumava aqui escrever. Agora tudo o que penso anoto num caderno. Nada do que anoto no caderno vem para aqui.

Ernest Hemingway


Ainda só li dois livros de Hemingway: O Velho e o Mar e Por Quem os Sinos Dobram. Não posso dizer que gostei do primeiro. Posso, no entanto, dizer que gostei muito do segundo. Hemingway tinha um à-vontade enorme com os diálogos. Não encontrei, até hoje, nenhum outro autor com essa capacidade. Uma pessoa começa a ler Por Quem os Sinos Dobram e só descansa quando tiver o livro terminado. Pelo menos, foi o que aconteceu comigo. Dá a sensação que não há uma frase a mais ou a menos. Charles Bukowski disse um dia de Hemingway (autor que muito admirava): he could realy lay a line.

Três


No outro dia perguntaram-me se andava a escrever algum livro. Apeteceu-me responder que me tinha deixado disso, que para mim tudo isso tinha acabado, que dois de poesia e um de teatro escrito a quatro mãos era o suficiente. Mas não, não foi isso que disse. Respondi: tenho três na gaveta. Três poemas? perguntaram. Não, três livros de poesia na gaveta. Três.

Versões: D.H. Lawrence



Ó! Que alguém comece uma Revolução!

Ó! Que alguém comece uma Revolução!
não pelo dinheiro
mas para perdermos tudo.

Ó! Que alguém comece uma Revolução!
não para os trabalhadores terem o poder
mas para acabar com eles
e termos um mundo de homens.

D.H. Lawrence, «O! Start a Revolution», em The Complete Poems of D.H.Lawrence, Ware: Wordsworth Editions, 2002, p. 370.

Exagero


Em Coimbra fui hoje surpreendido por uma daquelas feiras onde tudo se vende, livros incluídos. E, como sempre, fico de boca aberta com os preços que são praticados em alguns autores, nomeadamente Herberto Helder. Mas também Joaquim Manuel Magalhães. Não sei se é fácil ou difícil encontrar os primeiros livros de Joaquim Manuel Magalhães. Todos sabemos que é um autor que marcou uma geração e um estilo. No entanto, pedirem 50 euros pela primeira edição de Vestígios (1977), considero um exagero.

Versões: Jaime Gil de Biedma


Segunda-feira

Mas depois de tudo, não sabemos
se as coisas não estão melhor assim,
de propósito escassas… Talvez,
talvez haja uma razão para os dias de trabalho.

Tu e eu neste lugar, neste espaço
onde só há luz, entre o escritório
e a noite que se aproxima, não sabemos.
Ou talvez, simplesmente, estejamos cansados.


Jaime Gil de Biedma, «Lunes», em Las personas del verbo, Barcelona: Seix Barral, 12ª edição, 2009, p. 52.

Dois novos livros de João Camilo

João Camilo
Um animal de pele branca, imaculada
OVNI
2011
João Camilo
A Ignorância e o Conhecimento
OVNI
2011

Masterpieces


Recebi, via Incompleta, os Complete Poems de D.H. Lawrence. A leitura do romance despertou o meu interesse por este autor. Salta à vista a quantidade de poemas: são 660 páginas. Mas aquilo que mais me chamou a atenção foi o seguinte: «Not all the poems reprinted here are masterpieces, but there is more than enough quality to confirm Lawrence’s status as one of the great English writers of the twentieth century.». Não sei se tal seria possível em Portugal. Não estou a imaginar uma recolha da poesia de Herberto Helder ou Jorge de Sena (que têm poemas que não são masterpieces), com o texto reproduzido na contra-capa. E nem quero pensar na poesia de Eugénio ou Sophia. Principalmente de Eugénio, cujos poemas finais são, em alguns casos, confrangedores.

Versões: D.H. Lawrence


Cigano

Eu, o homem do cachecol vermelho,
          Irei dar-te tudo o que tenho, os ganhos da última semana.
Leva tudo e compra um anel de prata
          E casa comigo, acalma os meus desejos.

Quanto ao resto, quando casados estivermos
          Irei trabalhar muito por ti
Transpirado, entrarei numa casa para estar junto a ti,
          E fecharás as portas atrás de mim.


D. H. Lawrence, «Gipsy», em The Complete Poems of D.H.Lawrence, Ware: Wordsworth Editions, 2002, p. 11.

D.H. Lawrence


Ainda ando a ler Lady Chatterley's Lover. E entretanto comprei The Complete Poems of D.H. Lawrence. Conhecia apenas alguns poemas de Lawrence, aqueles que vêm na Poesia do Século XX, com tradução de Jorge de Sena.  E tinha lido Pornografia e Obscenidade. Assim sendo, é um autor que conheço muito pouco. Mas alguma vez se conhece verdadeiramente um autor?

Dias


Tanto que podia ser dito sobre os últimos dias.

Versões: D.H. Lawrence

Autocomiseração

Nunca vi um animal selvagem
ter pena de si mesmo.
Um pássaro cairá gelado e morto de um ramo
sem nunca ter pena de si mesmo.


D.H. Lawrence, «Self-Pity», em The Complete Poems of D.H.Lawrence, Ware: Wordsworth Editions, 2002, p. 382.

Diálogos (7)

Roy:
You better get it up, or I'm gonna have to kill ya! Unless you're alive, you can't play, and if you don't play... Six, seven. Go to hell, go to heaven.



[Fight, Deckard hits Roy with pipe.]

Roy:
Good, that's the spirit.
Roy:
That hurt. That was irrational. Not to mention, unsportsman-like. Ha ha ha. Where are you going?



[Deckard does some amazing climbing, then jumps to next building. Roy follows, holding a white pigeon.]

Roy:
Quite an experience to live in fear, isn't it? That's what it is to be a slave.



[Deckard spits at Roy as he falls; Roy catches him with one hand.]

Roy:
I've seen things you people wouldn't believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the darkness at Tannhäuser Gate. All those moments will be lost in time like tears in rain. Time to die.



[Bird flies off...]
 

em Blade Runner de Ridley Scott (1982)

Do Androids Dream of Electric Sheep?


Não resiti e fui comprar o livro que deu origem a Blade Runner. Aquele famoso diálogo entre o andróide Roy Batty e o caçador-de-androides Rick Deckard não existe no livro (pelo menos eu não dei por ele). É claro que isso pouco importa, pois como já disse anteriormente: defender uma fidelidade literal ao texto literário supõe que a verdade de cada texto existisse e fosse possível através de uma leitura atemporal. Adaptar nestes termos seria um processo orientado por um conjunto de princípios objectivamente válidos, para aproximar o filme do livro, o que significaria uma actividade concebida como operação de descodificação racional e objectiva de um objecto literário, objecto esse que teria que ser entendido como uma entidade de sentido estável e verificável. O livro vale por si. É uma boa leitura. As premissas, que deram origem ao filme, estão lá.

Das fotos (13)


Sem título (13)
© manuel a. domingos, 2010
(clique na imagem para aumentar)

Lí por aí

 
O que torna o passado uma morada de reconhecimento é a sua natureza extensiva. Alongado, esticado até ao limite, um habitante do reverso da pele, um vulto desaparecendo na janela. Pegar numa folha de papel, dobrar, vincar com as unhas, esmagar imagem contra imagem. Qual a original, qual a cópia? Guardar a folha num casaco que nos foi roubado. Perder tudo. Recordar a imagem da imagem. Regressar ao espaço imaginando-o tempo.
 
Sérgio Lavos em Auto-retrato

Philip K. Dick



A intenção era sair de mão dada com Michaux, mas decidi ligar a televisão primeiro. Relatório Minoritário. Nunca li um único livro de Philip K. Dick. Gosto, no entanto, dos filmes baseados nos seus romances e contos: Blade Runner: Perigo Iminente, Desafio Total (ok, este não é grande coisa), Relatório Minoritário, Pago para Esquecer, A Scanner Darkly - O Homem Duplo, Os Agentes do Destino. A minha pergunta é a seguinte: pode alguém gostar de um autor sem nunca ter lido um único livro dele? Penso que sim. É o que se passa comigo e com Philip K. Dick. É claro que há muita gente que gosta deste ou daquele autor (sem nunca o ter lido) só pela simples razão de ele ser "obrigatório". O contrário também acontece: gente que não gosta deste ou daquele autor (sem nunca o terem lido) pelo simples facto de ele ser "obrigatório". Não sei se Philip K. Dick é obrigatório. Nunca lhe li um único livro. Gosto dele.

Apetites


Ando sem vontade de escrever. Não me apetece pegar no lápis. Ando com fobia ao word. Gostava, por momentos, de não saber escrever. E quando digo não saber escrever é o mesmo que dizer não saber ler. Nunca ter ido à escola. Nunca ter lido certos livros (Camus, Mishima, Bernhard, Orwell, Bukowski, Michaux, Rimbaud, Chatwin...). Ser ignorante. Não pensar. Não interrogar. A ignorância, como sabemos, é uma benção.

Um poema de Henri Michaux


Levem-me

Levem-me numa caravela,
Numa velha e doce caravela,
Na roda de proa, ou, se quiserem, na espuma,
E percam-me ao longe, ao longe.

Na esteira duma outra idade.
No veludo enganador da neve.
No bafo de alguns cães reunidos.
No exército exausto das folhas mortas.

Levem-me sem me quebrar, por entre beijos,
Nos peitos que arfam e respiram,
Nos tapetes das palmas das mãos e seus sorrisos,
Nos corredores dos ossos compridos e das articulações.

Levem-me, ou antes, escondam-me.



em As Minhas Propriedades, tradução de José Carlos González, Lisboa: Fenda, 1ª edição, 1998, p. 78.

Sameiro


Fomos até Sameiro à festa em honra de São Nuno de Santa Maria. Sameiro é uma terra plantada no xisto a cinco quilómetros de Manteigas. O rio também por lá passa. Aliás, é lá que está a praia fluvial que agora frequento: a Relva da Reboleira. Sameiro fica a cinco quilómetros mas as pessoas não podiam ser mais diferentes de nós. Ou nós delas. É a fisionomia, os gestos, o sotaque, o comportamento. Nada de semelhante. Tive alguns amigos de Sameiro. Não muitos. Havia um certo complexo de inferioridade deles. Ou de superioridade nosso. Não sei. Sei que há rivalidade. Que nós não "gostamos" deles e que eles não "gostam" de nós. Tirando isso: o pessoal até se entende.

Versões: Charles Bukowski


Rosto enquanto faz a barba

O que é um corpo senão um homem
preso lá dentro
durante algum tempo?
a olhar para o espelho,
a reconhecer o funcionário vegetal
ou o desenho do papel de parede;
não é a vaidade que procura o reflexo
mas puro espanto de macaco;
mas ainda assim o reflexo…
braço e músculo que mexem, cabeça de casquinha,
um rosto a olhar para dentro
da antiga dimensão dos sonhos
enquanto uma caloira do Mississipi se maquilha
e pinta os lábios com um beijo de lavanda;
o telefone toca como um lamento
e a lâmina corta por entre a neve,
as rosas mortas, os meses mortos,
pôr-do-sol atrás de pôr-do-sol,
vapor e Cristo e escuridão,
uma pequena fresta de luz.


Charles Bukowski, «Face While Shaving», em The Roominghouse Madrigals: Early Selected Poems 1946-1966, Nova Iorque: Ecco, 1ª Edição, 2002, p. 202.

Não te esqueças


Não te esqueças
Mapa
Livrododia, 2008

Travessia


Em Manteigas, hoje, a chuva é de travessia. É uma chuva que começa a descer pela Ribeira (vulgo Vale do Zêzere) e que, dizem os mais velhos, não dura muito tempo. É aquela chuva molha-parvos. Ainda não parou desde que me levantei. Mas o ar está pesado e quente. Abafado. Atabafado. O rio, lá em baixo, bem que me chama. Mas não vai dar para ir. É pena. Pensava que ia aproveitar estes dias para ler à sombra de uma qualquer árvore enquanto ouvia a água correr.

Versões: Ambrose Bierce

Piedade

O porco aprende em sermões e epístolas
Que o Deus dos Porcos tem focinho e suíças.


Ambrose Bierce, «Piety», retirado do site PoemHunter.com

Rio


Fomos até ao rio. Desta vez o tempo ajudou. Ontem também tinha. Mais gente, desta vez. Mesmo assim deu para acabar de ler o ensaio de Pinson. Resolver uns poemas que andavam entalados há já algum tempo. Tirar umas fotografias com uma Lomo recentemente adquirida. A experiência Lomo tem sido divertida, apesar de já não estar habituado a esperar tanto pela revelação. O digital deu-nos o automático-instantâneo-imediato. A paciência adaptou-se a esse automático-instantâneo-imediato. Pelo menos a minha paciência. Começo a perder o uso do "nós" nos textos que escrevo. Há pessoas que se melindram com o uso do "nós". Na realidade, só a primeira pessoa do singular é a menos abstracta delas todas. E mesmo o "eu", desde Rimbaud, deixou de ser o que era.

Um poema de Raul de Carvalho

Diário

Se Deus quiser hei-de morrer
Com tudo feito e por fazer.


em Duplo Olhar (1978), retirado de  Poemas Portugueses - Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, selecção, organização, introdução e notas de Jorge Réis-Sá e Rui Lage, Porto: Porto Editora, 1ª edição, 2009, p.1383.

Jean-Claude Pinson


Pelo fio que vai enlaçando no emaranhado dos nossos dias, a poesia é o que contribui para dar solidez ao tecido da existência e coragem à alma.


em Para Que Serve a Poesia Hoje?, tradução de José Domingues de Almeida, Porto: Deriva, 1ª edição, colecção Pulsar, 2011, p. 33

66

 
O meu pai nasceu dois dias antes do lançamento da bomba atómica em Hiroshima e cinco dias antes do lançamento da bomba atómica em Nagasaki. Um ano antes o exército aliado libertava Florença . Shelley também nasceu no dia 4 de Agosto (1792) e Barack Obama também (1961). Hoje há festa na Casa Branca e no 2º andar do nº. 229 da Rua do Outeiro, em Manteigas.

Um poema de Sylvia Plath


Contusão

A cor aflui ao local, púrpura e baça.
O resto do corpo está sem cor,
a cor da pérola.

Numa cavidade de rocha
o mar sorve obsessivamente,
uma concavidade, o centro de todo o mar.

Do tamanho de uma mosca,
a marca do destino
rasteja pela parede.

O coração fecha-se,
o mar retira-se,
os espelhos estão velados.


em Pela Água, tradução de Maria de Lourdes Guimarães, Lisboa: Assírio & Alvim, 2ª edição, colecção Gato Maltês/25, 2000, p.53.

No ir


O carro já está carregado e vamos até Manteigas passar uns dias. O rio espera-me. Levo poesia, prosa, ensaio. Rui Lage, Sylvia Plath,  Arseny Tarkovsky, D.H. Lawrence, Jean-Claude Pinson. Só ainda vou na página 15 do livro de Lawrence. Não está a ser tarefa fácil enfrentar a letra miúda e o pequeno espaço entre linhas. Ninguém me manda comprar edições da Dover. Já tinha tido experiência semelhante com Hunger (Hamsun). Mesmo assim comprei Lady Chatterley's Lover (Lawrence) e Growth of the Soil (Hamsun). E só não comprei quatro livros de Jack London (num total de 8.50 euros) pelo simples facto de estarem embrulhados. Tive medo que o tamanho das letras fosse mais pequeno e o espaço entre linhas inexistente.

Versões: Ambrose Bierce


Liberdade 

A Liberdade, todo o estudante sabe,
Gritou quando Kosciusko caiu;
E no sopro de todo o vento
A ouço clamar.

Clama quando reis se encontram,
E deputados também,
Para acorrentar-lhe os pés
E sentença de morte lhe dar.

E quando a gente livre vota
Em nomes que não consegue pronunciar
Sobre o pestilento sopro
Os seus clamores sentem-se avolumar.

Pois todos os que têm o poder
De submeter ou obrigar,
Entre eles repartem o Céu
E a ela o Inferno querem dar.


Ambrose Bierce, «Freedom», retirado do site PoemHunter.com

Mais uma razão para o "Não" ao Acordo Ortográfico



Acabo de saber, através da newsletter do Expresso, que o "teto" da dívida norte-americana foi aprovado por 269 votos. Não sabia que a dívida tinha tetos e que só um deles, o referido "teto", teve direito a ser aprovado. Este acordo ortográfico é fantástico.

D.H. Lawrence



    Clifford tinha um grande número de amigos, na realidade eram conhecidos, e convidava-os a ir a Wragby. Convidava todo o tipo de pessoas, críticos e escritores, que iriam ajudar a louvar os seus livros. E eles sentiam-se todos inchados por serem convidados a ir a Wragby, e louvavam.



em Lady Chatterley's Lover, New York: Dover Publications, 2006, p. 13.
tradução de manuel a. domigos

Um poema de Sandro Penna



Talvez a juventude seja só este perene
ardor dos sentidos sem arrependimento.


em Trocar de Rosa, tradução de Eugénio de Andrade, Porto: Fundação Eugénio de Andrade, 5ª edição, 1995, p. 109.

Em reapet


The Twilight Singers
Dynamite Steps
2011


Afghan Whigs


Nos passados dias andei a revisitar os álbuns dos Afghan Whigs. Há muito tempo que não os ouvia. São uma banda rock como poucas há. Greg Dulli é um músico excepcional. Vejam-se também os seus outros projectos, nomeadamente os Twilight Singers, cujo último álbum, Dynamite Steps (2011), arrisca-se a ser um dos melhores do ano.

Meu querido mês de Agosto


Dizem os mais velhos que os primeiros doze dias de Agosto representam os doze meses do ano seguinte. Assim, Janeiro do ano que vem será chuvoso. A ver vamos.