Arte da Fuga (6)


Sobravam os dias. Tudo à nossa volta era a ruína de um tempo que sabíamos não ser o nosso. Mas que tempo, afinal, nos pertencia? Era essa a principal questão. Não sei se alguma vez a chegámos a responder, apesar da sua importância. Sei, apenas, que nos juntávamos num sótão. A desculpa eram as explicações de Filosofia e a prova específica que nos poderia condicionar a entrada na faculdade. Entre Kant e Hegel preferíamos Nietzsche: «A ventura da minha existência, porventura a sua singularidade, consiste na sua fatalidade». O que sabíamos nós de tudo isso? O que era, afinal, a existência? Tínhamos 17 anos. Seria essa a nossa fatalidade?

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