Arte da Fuga (3)


Os livros amontoados na estante. A cama por fazer. Uma certa desordem que me agrada. Abro agora a janela, depois de a chuva ter passado. Não sei por que razão não há água quente. Ainda tento um duche de água fria, mas chega-me a loucura dos dias. Pela janela começa a entrar o dia. Um galo. Um gato. Um resto de sol. Há um livro que me fala de um outono algures numa Alemanha perdida: «nada do que é exprimido pode parecer mais carregado de ameaças do que aquilo que o não é.» (Stig Dagerman). Há muito que procuro uma definição para tudo isto. Talvez a tenha encontrado.

1 comentário:

P. disse...

Quando se recebe sem se pedir pode parecer ameaça. Mas poderá ser apenas pureza.