Domingo


Aqueles que me lêem antentamente sabem: o dia de domingo não me diz grande coisa. Melhor: não gosto do dia de domingo. E, na realidade, o que há para gostar no dia de domingo? As malas que têm de ser feitas? As duas horas de viagem? O chegar a uma casa fria e que não é minha?

Uma imagem para o dia

Um Senhor


Entrei em três livrarias e nenhuma delas tinha livros de Graham Greene.

Nota explicativa

Uma leitora, deste tasco que mantenho, questiona-me sobre a razão que me leva a estar sempre a falar no número de visitas, se isso tem importância para mim e tal. Ora, cara leitora, aqui fica a resposta: estou nisto dos blogues desde 2003. Houve uma altura em que os blogues disputavam o pódio para o blogue com mais visitas. Sempre achei piada a isso. Nunca o fiz em nenhum dos blogues que tive. Até agora. Não tenho intenção de nada. Não me interessa o número de pessoas que me visitam. Agradeço, apenas, as visitas. Tento ser irónico com a questão do número de visitas. Lá me interessa a mim que tenha 60, 100, 200 visitas por dia. Houve quem me entendeu (o Rui Almeida, por exemplo). Repare no título que dei ao texto que a leitora comentou: A verdadeira questão do momento. Só tenho pena de, talvez, não conseguir bater o recorde mensal de visitas (tendo em conta o último ano): as 3141 visitas do mês passado (Dezembro 2010).

Recorde batido


Quero, em primeiro lugar, agradecer à pessoa que colocou a ligação no Facebook. Em segundo lugar, agradecer a outra pessoa por mais uma ligação no Facebook, que muito contribuiu para que o recorde fosse batido. Em terceiro lugar, agradecer ao barbeiro onde vou pelos cortes de cabelo que me tem feito. Em quarto lugar, agradecer a todos aqueles que não me lêem e que continuarão a não ler. E a todos aqueles que, de propósito, omiti.

Uma imagem para o dia

A verdadeira questão do momento


Alguém colocou no Facebook uma ligação aqui para o tasco. As visitas, hoje, já vão nas 89. O recorde de visitas é 142 diárias. Será que é desta que o recorde é batido?

Coimbra



A cidade acolhe-me. Há nuvens altas. Desta vez trouxe a máquina fotográfica.

Estados Filosóficos (31)


Muito foi dito sobre Arte. Muito foi feito em nome da Arte. Este texto é uma tentativa disso mesmo.

Bacon


Duas horas a ver um documentário sobre a vida de Bacon. E a sensação de que sou mesmo pequeno.

Neve


Não sei se em Manteigas está a nevar. Com o frio que aqui faz, é o mais certo. Há uma ano que não vejo nevar. Nunca pensei dizer isto: mas sinto falta da neve, vê-la cair. Em 33 anos é a primeira vez que estou um período tão longo sem ver a neve cair.

Chuva


Com esta chuva é que eu não contava. E a roupa estendida lá fora.

Era Vulgaris



É um álbum do catano!

Pensamento do dia


Patti Smith - Horses

Revisão da matéria

Ted


Quando li pela primeira vez Cartas de Aniversário, não sabia quem era Ted Hughes. Reli mais tarde. E a releitura coincidiu com o filme Sylvia na televisão (RTP2 se não estou errado). Apesar de não ser um grande filme, gostei. Ted Hughes teve várias mulheres. As duas primeiras suicidaram-se e teve uma filha que foi assassinada (pela segunda mulher, que depois se suicidou). É considerado um dos maiores poetas do século XX inglês. É muito cá da casa.

Uma imagem para o dia

Suroeste


Este primeiro número inclui poesia, ficção, ensaio, crítica, desenho e fotografia, de autores tão diferentes como Antonio Gamoneda, Teolinda Gersão, Mário de Carvalho, Pablo Javier Pérez Lopez, Jose Luis García Martín, António Apolinário Lourenço, Pedro Serra, Martín López-Vega, Perfecto E. Cuadrado, Fernando Pinto do Amaral, Eloísa Alvarez, Miguel Ángel Lama, Gonçalo M. Tavares, Ruy Ventura, Possidónio Cachapa, Luis Manuel Gaspar, António Cândido Franco, Steffen Dix e outros. Félix Romeo assina um dicionário de escritores assassinos... e Joana Morais Varela escreve sobre David Mourão-Ferreira. A secção de recensões contempla inúmeras obras portuguesas. Seria pleonástico sublinhar o apuro gráfico da edição. Grande formato (30x24cm) e 190 páginas.

Informação retirada daqui

Estados Filosóficos (30)



No entanto, se a vida fosse fácil, ela era outra coisa qualquer.

O meu mal



Razão tem o poeta: «É o teu mal: leste poemas a mais.» (Gerrit Komrij).

Um poema de Miguel-Manso


Pequenos trabalhos de Domingo

não saio antes
que tudo esteja pronto

a loiça a escorrer na cozinha
o aspirador cheio
a varanda lavada pelo dia
o rádio em off

nessa hora em que
a noite se aproxima devagar
do meu rosto
escrevo poema nenhum
falta-me língua

sento-me num banco do jardim
mais próximo
onde (que perfeição)

nada acontece


em Santo Subito, Lisboa: Edição do Autor, 2ª edição, 2010, p. 57.

Uma imagem para o dia




Livros


Na minha secretária tenho, num monte, uma série de livros. Este fim-de-semana disse à Carla tenho que deixar de comprar livros, enquanto tirava outra remessa de um saco e juntava ao monte. Ela olhou para mim disse não comento e sorrimos os dois.

Arte da Fuga (1)


Foram anos de escrita clandestina em cadernos de capa negra. Penso que nunca devia ter abandonado esses cadernos, as suas linhas. Sim, eram de linhas, ainda hoje tenho alguma dificuldade em escrever nas folhas brancas. Não recordo o que escrevi. Sei que foram o refúgio contra as noites adolescentes sem borbulhas na cara (tive essa sorte). Lembro o assombro da leitura de O Processo. Inverno. A noite cerrada lá fora. O livro de bolso nas mãos (obrigado Europa-América, fizeste mais pela minha formação do que anos a ouvir os monólogos dos professores!), a música na aparelhagem oferecida no aniversário anterior. O disco no prato. Load up your guns*. Inconscientemente, era o que fazia.



* era assim que eu entendia a letra.

Não me importava de ter um programa assim


(clicar na imagem para aumentar)

Revisão da matéria

Camuflado


Procuro todos os dias ser uma pessoa melhor do que no dia anterior. Sei que isto pode soar um pouco a Paulo Coelho e tal (autor que na realidade nunca li), mas é verdade. Procuro todos os dias ser uma pessoa melhor do que no dia anterior. É uma repetição propositada. Não é fácil conseguir isso. Várias e variadas coisas atravessam o caminho. Claro que o caminho é ele próprio uma emboscada. Todo o cuidado é pouco. Um camuflado, às vezes, ajuda.

Estados Filosóficos (29)


Aprecio a frontalidade. Mas quando é frente ao espelho, principalmente pelas manhãs, tenho certas reservas.

Estados Filosóficos (28)



A vida, no fundo, é como a democracia que Churchill tão bem descreveu.

Diálogos (4)



WAITRESS: What do you want?
BEN: What are my choices?
WAITRESS: Everything’s ten dollars, and there’s no alcohol.
BEN: No alcohol?
WAITRESS: No alcohol. You gotta get something else. Everything’s ten dollars. What do you want?
BEN: What do you think I should get?
WAITRESS: Non-alcoholic malt beverage?
BEN: Noooo.
WAITRESS: Orange soda?
BEN: No.
WAITRESS: Coffee?
BEN: No.
WAITRESS: Sparkling apple cider?
BEN: No.
WAITRESS: Water?
BEN: Water?
WAITRESS: One drink minimum per show. Everything’s ten dollars. Now... tell me what you want or I’ll eighty-six you.
BEN (decides): Water.
She writes down W.A.T.E.R. and walks away. Ben calls her back.
BEN: Just how much would it cost for you to eighty-six me?

em Leaving Las Vegas, de Mike Figgis, 1995.

Pensamento do dia


Calexico - All Systems Red

Um poema de Blaise Cendrars


Pôres de Sol

Toda a gente fala dos pôres de sol
Todos os viajantes concordam em falar dos pôres de
sol nestas paragens
há montes de livros onde só se descreve pôres de sol
Os pôres de sol dos trópicos
Sim é realmente um esplendor
Mas eu prefiro de longe os nasceres de sol
A alvorada
Não falho uma
Estou sempre no convés
Em pelota
E estou sempre só a admirá-los
Mas não vou descrever as alvoradas
Vou guardá-las só para mim

em Folhas de Viagem, selecção, tradução e notas de Liberto Cruz, Lisboa: Assírio & Alvim, 2004, p. 33.

A Dança das Feridas - Henrique Manuel Bento Fialho


Henrique Manuel Bento Fialho
A Dança das Feridas
Colecção Insónia, 2011

Relativamente



Acordei relativamente bem-disposto. Preparei o pequeno-almoço: torrada e café. Lavei a cara, os dentes. Vesti-me. A barba continua por desfazer. Dizem que me fica bem. Que me dá um ar sério. Não quero ter um ar sério. Não quero ter ar de nada. Mas acordei relativamente bem-disposto, como já disse. Não é fácil acordar relativamente bem-disposto. É claro que o inibidor da bomba de protões ajuda.

Um poema de Camillo Sbarbaro


Espero-te, Perdição

Espero-te ao dobrar de todas as esquinas,
Perdição. Busco-te no fundo dos olhos
das mulheres que passam.
Preso às barracas de todas as feiras
procuro-te na mulher da serpente,
na menina voadora…

Oh! vontade de dar tudo por nada,
de ter na conta de uma simples palha
esta vida que é todo o nosso bem!

Àquela que de todos foi, e ri,
e nada entende;
àquela que com um mover de ancas
todo o meu mundo se dissolva dentro;
àquela, desprezível, que nem sabe
o seu poder –
que se atravesse, eu peço, em meu caminho.

Eu, tal e qual o mendigo que chegado
junto à beira do rio, num escárneo
atira à água a última moeda –
por Ela a vida eu jogaria a rir.


em Mesa de Amigos, versões de poesia por Pedro da Silveira, Lisboa: Assírio & Alvim, colecção Documenta Poetica, 2002, p. 160.

Pensamento do dia


The Sound - As Feeling Dies

Estados Filosóficos (27)


Escrever sobre aquilo que se desconhece é a mais exacta das ciências humanas.

Estados Filosóficos (26)


A verdadeira natureza do Homem não é obscura. É cega.

A importância dos textos sem importância


Tinha escrito um longo texto sobre a inutilidade de escrever textos longos. Focava vários aspectos da insensatez que é escrever textos com demasiadas palavras. As palavras são para ser usadas, é verdade. Mas não devemos abusar delas. Também tinha escrito um texto sobre a falta de humor. A falta de humor é o que lixa isto tudo. Sem humor não sei o que seria de nós. Talvez fossemos mais cinzentos do que aquilo que já somos. Olhem que eu até gosto do cinzento. Apesar de ser uma cor que nem é carne nem é peixe. É cinzento. Não deve ter a vida fácil, o cinzento. Sabendo que nem é carne nem é peixe. Outro texto era sobre a importância de escrever textos sem importância alguma.

Pensamento do dia


Fields of the Nephilim - The Watchman

Estados Filosóficos (25)



Dizer de alguém que é pedante é a forma mais retorcida de pedantismo.

Estados Filosóficos (24)


Dizer que quem estraga a poesia são os poetas é lugar-comum. No entanto, não deixa de ser verdade.

Desobediência - Eduardo Pitta


Eduardo Pitta
Desobediência - Poemas Escolhidos,
prefácio de Nuno Júdice, Lisboa: Dom Quixote, 2011

Pensamento do dia


Patti Smith - Dancing Barefoot

Admirável mundo novo?


Ainda tenho todos os livros na casa de Manteigas. Este fim-de-semana estive parte do tempo a olhar para eles. Tanto livro: pensei. Será que aprendi alguma coisa com eles? O que me deram? Um admirável mundo novo. Lembro-me dos meus Pais oferecerem-me livros pelo Dia da Criança. Todos os anos. Nunca li nenhum. E eles continuavam a dar. Agora olho para aqueles livros todos. Terá valido a pena?

Coruche-Coimbra-Manteigas-Coimbra-Coruche


Foi assim o meu fim-de-semana. Foram 604km. Uma espécie de on the road, mas sem valor literário. Na sexta-feira a Mãe fez anos. Tenho menos trinta do que ela. Visto assim, desta maneira, até parece que é muita a diferença. Na realidade, não é. O tempo passa rápido. Não é novidade. Nada é novidade. A vida é assim: uma coisa sem novidades. Alguns percalços, sim. Mas sem novidades.

Afonso e o Livro - Luís Filipe Cristóvão e Amélie Bouvier


Luís Filipe Cristóvão e Amélie Bouvier
Afonso e o Livro, Torres Vedras: Livrododia, 2011.

Um poema de Paulo Penisga


Veraneio

Tenho o mar à minha frente
e não sei que fazer
camones ao sol e não
marinheiros nesta costa

Sei de ilhas algures para lá
deste horizonte imenso e limitado

- Vai mais um mergulho, querida?

É Agosto e faz calor

Não há nada a fazer
neste Algarve

em Nas Margens da Poesia - III Bienal de Poesia de Silves, Silves: Câmara Municipal de Silves, 2008, p. 117.

Uma leitura recorrente


Uma leitura que tenho recorrente, e que pode parecer estranha a alguns leitores, é Santa Teresa de Jesus, mais conhecida por Santa Teresa de Ávila. Tenho as suas Obras Completas, numa edição das Edições Carmelo que, por mais estranho que pareça, apenas contempla sete dos seus vários poemas (cf. Seta de Fogo, Lisboa: Assírio & Alvim, tradução, prólogo e notas de José Bento, 1ª edição, 1989).

Exemplo a seguir


Li que Miles Davis, quando se encontrava com os amigos em amena cavaqueira, quase nunca (ou mesmo nunca) falava de música. Preferia falar de boxe (parece que era um fervoroso adepto do desporto) e de outras coisas. Mas nunca de música. Tenho que começar a seguir o exemplo de Miles Davis. Mas no meu caso é mais livros.

Lí por aí


Poesia trol: mais do que sem qualidades, e inspirada na tradição oral (e boçal) transmitida há muito entre as gerações da fauna que povoa os andaimes, aqui está uma nova tendência com a missão de lançar de uma vez por todas a poesia no lençol de águas de esgoto da contemporaneidade. Basicamente não traz nada de novo, a não ser na medida em que desafia o banal para uma dança, o pisa todo, envergonha e aborrece, afastando-nos por fim do tédio e desencanto para nos deixar entre os dejectos e as excreções dos fraquinhos de ideias.


Bardino em Canhoto

Pensamento do dia


e assim sucessivamente...

Bardino c'est pas moi! (2)


A prova de que não sou mesmo ele pode ser encontrada aqui. E desde já garanto que não sou o Trigóri. Como já disse anteriormente: tenho o defeito de assinar sempre com o meu nome tudo aquilo que escrevo. E caro Trigóri: está desculpado.

Estados Filosóficos (23)


Acreditar na existência de Deus não implica a sua existência. Tal como não acreditar em Deus não implica a sua não-existência. É claro que os crentes têm vantagem sobre os não-crentes. Essa vantagem chama-se . No entanto, os não-crentes também têm vantagem sobre os crentes. Chama-se Dúvida.

Estados Filosóficos (22)



A verdade é sempre sobrevalorizada.

Pedante e de Referência


Tendo em conta o número de visitas diárias deste blogue (a média está, neste momento, nas 100), declaro que, a partir de hoje, este será um blogue pedante e de referência. Os comentários continuarão, no entanto, livres e sem qualquer moderação.

Treino


Este texto serve apenas de treino para a escriya dem olhar parta o teclado. Nãp irei dazer qualquer correcção,  nwm apagar qualquer palavrta. At+e ue a couisa na0 correu mal de todo.

Eu e o Professor Doutor Cavaco Silva


Sempre que vejo o Professor Doutor Cavaco Silva na televisão, mudo de canal. Não me interessa saber o que o Senhor diz, pensa ou tudo. Sempre que me lembro que 15 (e a possibilidade de mais 5) anos da minha vida foram com o Professor Doutor Cavaco Silva à frente de qualquer coisa, fico com uma dor na alma. E olhem que eu nem acredito nela. 

Ensino Recorrente

Bardino c'est pas moi!


No outro dia um amigo perguntou-me não és tu o gajo do Canhoto. Disse-lhe que não. Tenho um defeito muito grande, expliquei, assino sempre com o meu nome tudo aquilo que escrevo.

Eu e a Tv


Tarde no sofá a embrutecer pelos olhos e ouvidos. Nem é má, a sensação. Tenho que repetir mais vezes. A lareira acesa ajuda à festa. Tenho ali um livro para ler e tal. Mas Tom Cruise está com a sua Missão Impossível a percorrer o Vaticano e tal. O livro que espere: agora um carro vai explodir. E é um carro bem bonito.

Revisão da matéria

Estado Filosóficos (21)


Afirmar que o mundo é absurdo é, por si, absurdo. A evidência não necessita de ser afirmada. 

Estado Filosóficos (20)


Não sei o que poderá ser uma experiência religiosa. No entanto, Bitches Brew deve andar muito perto.

E há quem diga que sou sedentário


Manteigas (1977/1992), Guarda (1992/2000), Manteigas (2000/2001 [uma espécie de ano zero]), Pampilhosa da Serra (2001/2002), Tábua (2002/2003), Silves (2003/2004), Miranda do Corvo (2004/2005), Caxias (2005/2006), Figueira da Foz (2006/2007), Benedita (2007/2008), Alapraia (Setembro 2008/Novembro 2008), São Teotónio (Novembro 2008/2009), Coruche (2009/...).

Ensino Recorrente

Sábado


Sábado de manhã e a verdade é que nem dormi mal. Deitei-me eram onze horas da noite. A visita de estudo a Lisboa (Palácio de Queluz e peça de teatro Ulisses no Colégio São João de Brito) e a viagem para Coimbra deram cabo de mim. Antes fazia 525km seguidos (quando estive a trabalhar em Silves), com uma pequena pausa nas Três Irmãs (ali para os lados de Grândola) para comer uma bifana, e parecia que conseguia fazer mais 525km. Agora faço 200km sem parar e fico feito num oito. É claro que os garotos todos a falar, mais um que ficou mal-disposto e tal, também ajudaram para a coisa. Só sei que cheguei, comi uma sopa, conversei um pouco e cama. Será que estou mesmo a ficar velho?

Pensamento do dia


Zola Jesus - Night

Um poema de Maria Ângela Alvim


Esta chuva nos consola
do tempo que nos devora.

Devolve o pranto acrescido
de uma esperança na terra
que pisamos e adotamos,
terra em que somos sofridos,
desesperamos e amamos,
perseveramos vivendo
(antes mortos que vividos)
e, bem mais, sobrevivendo.

A chuva nos elabora
perfeita flora de antigo.


em Superfície – Toda Poesia, apresentação por Max de Carvalho, Lisboa: Assírio & Alvim, colecção Documenta Poetica, 2002, p. 105.

Visita


Amanhã vou numa visita de estudo ao Palácio de Queluz e ao Colégio São João de Brito, onde os alunos vão assistir a uma peça de teatro. Se me vierem por lá, não hesitem em acenar, cumprimentar.

Chuva


Tinha dito a mim próprio que não voltava aqui enquanto a chuva lá for cair. Tudo isto tem uma explicação. Gosto da chuva, mas não gosto dela. A chuva e muita da música que ouço são a combinação perfeita para estados de espírito um tanto ou quanto estúpidos. E sinceramente não sei se é a melhor altura para ler a poesia de Maria Ângela Alvim. Falta-me paciência para tudo. Nunca pensei dizer isto: mas o que ainda safa o dia é ir trabalhar. Talvez um dia destes esteja a dizer precisamente o contrário. Se assim for (é o mais certo) a culpa é, de certeza, da chuva.

Pensamento do dia


Crime and The City Solution - Steal to the Sea

Um poema de Mário Rui de Oliveira

Fogo

Mesmo nos dias de paciência e caridade, persegue-me uma palavra, o desejo de me deitar, em fogo, pela cidade.


em O Vento da Noite, prefácio de Eugénio de Andrade, Lisboa: Assírio & Alvim, colecção Peninsulares/Literatura,  2002, p. 46.

Dos amigos


Esta chuva não me deixa deixar de pensar. Penso: nem me posso queixar. Ainda ontem ouvia o Desintegration e lembrei os meus anos de “juventude”. E até nem foram maus de todo. Tinha amigos que ainda hoje o são. Isso deve valer para alguma coisa, não?

Para amantes da poesia


Silly Season


Dizem que a silly season é por alturas do verão. A silly season é agora: com as listas e listinhas de melhores do ano e o camandro. Eu que o diga, que até fiz uma listinha de quatro livros. Devo estar mesmo silly. Correcção: sou silly.

Peace, man


Muitas vezes aqui o disse: não esperem muito de mim. Repito: não esperem muito de mim. Em paz. Em paz é que eu estou bem. Leiam-me, mas leiam-me pouco. Não me levem a sério, pois nem eu próprio o faço. Leiam-me, mas pouco. Paz. Em paz é que eu estou bem.

Dia


Hoje é um daqueles dias em que acordei e comecei logo a cantar No Love Lost e a pensar naquela cena do Control em que aparece o Ian com Hate escrito nas costas do casaco. É a única forma de enfrentar o dia, principalmente quando chego ao local de trabalho. Os óculos de sol ajudam. O Too Drunk to Fuck, também.

Pensamento do dia


Twin Shadow - Slow

Revisão da matéria

Proust


Nunca li Proust. Não tenho vontade de ler. Sei algumas coisas dele. Uma deles é que, a maior parte das vezes, escrevia deitado, na sua cama. Não sei se é verdade. Mas é o que eu estou a fazer agora. Estou deitado na minha cama (que não é bem minha; é a cama da casa onde habito) e escrevo este texto. Não sou Proust. Não quero ser. Não tenho nem o talento nem a paciência. Nem o bigode.

2011


O ano até que nem começou mal. A gripe/constipação/o raio-que-a-parta lá passou e consegui entrar em 2011 menos fanhoso. Entrei com os dois pés, não fosse o esquerdo ficar preso em algum lado e tropeçar. As primeiras compras do ano foram dois Miles Davis e um José Mário Branco. Quero entrar em 2011 com swing e de punho erguido.

1 ano

A Frenesi Loja fez um ano. Aproveitem e comprem lá o primeiro livro do ano.

Ao cuidado dos leitores deste blogue...


que aqui chegam através de uma pesquisa no Google: não é manuela domingos, nem manuel a. domingues. É: manuel a. domingos. Obrigado.

Pensamento para o ano


Nine Inch Nails - The Hand That Feeds


You're keeping in step in the line
Got your chin held high and you feel just fine
'Cause you do what you're told
But inside your heart it is black and it's hollow and it's cold

Just how deep do you believe?
Will you bite the hand that feeds?
Will you chew until it bleeds?
Can you get up off your knees?
Are you brave enough to see?
Do you wanna change it?



What if this whole crusade's a charade
And behind it all there's a price to be paid
For the blood which we dine
Justified in the name of the Holy and the Divine

Just how deep do you believe?
Will you bite the hand that feeds?
Will you chew until it bleeds?
Can you get up off your knees?
Are you brave enough to see?
Do you wanna change it?

So naïve
I keep holding on to what I wanna believe
I can see
But I keep holding on and on and on and on

Will you bite the hand that feeds you?
Will you stay down on your knees? (x8)


Ensino Recorrente

Balanxo 2010

Chega esta altura e o cidadão livre, digo, livre mas repudiado mas sempre livre, Américo Rodrigues envia-me um e-mail a pedir que balance as coisas sobre a Guarda. A questão é que eu sou de Manteigas (cada vez menos devido à profissão), mas passei oito anos da minha vida na Guarda: três no Secundário (Liceu 4ever!) e cinco no Instituto Politécnico da Guarda. Foram uns anos bem porreiros, sim senhor. Mas voltando ao balanço. Tenho por costume focar a minha atenção em apenas duas coisas: uma positiva e outra negativa.

A positiva costuma ser sempre o TMG e a sua programação. Este ano isso não vai acontecer, pois é demasiado óbvio que a Guarda, para além do seu ar, começa a ter muito pouco para oferecer. Mas o TMG lá vai resistindo, através de uma programação criteriosa do seu Director o Senhor Dr. Américo Rodrigues (não confundir com o cidadão livre mas repudiado mas sempre livre Américo Rodrigues, apesar de haver gente que o faça). Desta maneira, e para ser diferente este ano, destaco como algo de positivo para a Guarda, no passado ano de 2010, o Senhor Baltasar Lopes. Explico: o Senhor Baltasar Lopes conseguiu que um grupo de pessoas se mantenha ainda mais unida, forte, crente num projecto que existe e que continuará a existir pois é fundamental para uma cidade como a Guarda e para um país como Portugal. O Senhor Baltasar Lopes conseguiu que um grupo de pessoas continue a resistir ao mofo, ao caciquismo, aos valores de antanho, à estupidez mesquinha; continue a lutar por uma sociedade mais justa, livre e solidária. O Senhor Baltasar Lopes demonstrou que afinal ainda há muitos seres como ele na primeira década do século XXI. Mas também ajudou a demonstrar que há outros tantos seres prontos a lutar pela Liberdade, pela Justiça, pela Solidariedade. E isso, penso, é muito positivo.

Como factor negativo destaco: o Senhor Baltasar Lopes e a imagem que ele transmitiu ao país duma cidade como a Guarda.

manuel a. domingos
(cidadão livre e tudo!)


(texto escrito para o blogue Café Mondego)

Revisão da matéria

É do ano passado, mas deve ser lido na mesma


Cheguei a ele através de Eduardo Pitta (o Da Literatura faz hoje seis anos). Mas vá, leiam este texto na Natureza do Mal.

Lista de coisas a fazer em 2011

  • andar mais a pé;
  • tentar emagrecer;
  • ler mais poesia;
  • continuar a não votar;
  • cuspir menos para o chão e utilizar mais os lenços de papel para o efeito;
  • pensar mais na floresta tropical e fazer algo por ela;
  • não utilizar lenços de papel, devido à floresta tropical;
  • não cuspir;
  • continuar a gostar das coisa simples da vida como um jantar no Flores ou restaurante similar, mas não no Eleven pois a renda que pagam pelo usufruto do terreno camarário é uma vergonha;
  • ser mais fiel a certos princípios;
  • decidir que princípios serão esses;
  • não respeitar o Acordo Ortográfico (pelo menos aqui no blogue);
  • ler, ainda menos, o Público;
  • só ler o/a Actual quando o António Guerreiro fizer uma nova recensão crítica a um livro de Tiago Araújo e disser que é o seu primeiro livro;
  • pensar menos na vida;
  • tentar vivê-la da melhor maneira possível;
  • organizar melhor as meias;
  • organizar melhor as ideias;
  • escrever menos poesia (sei que está decisão alguns anónimos vão apreciar, pois nunca acharam que eu escrevesse poesia);
  • dar mais atenção aos anónimos no blogue;
  • dar menos atenção aos asnos;
  • escolher uma palavra como por exemplo "iniciativa" e repeti-la na minha cabeça até me cansar;
  • deixar mais projectos pessoais a meio pois dá muito trabalho terminá-los;
  • arranjar mais tempo para dormir;
  • acrescentar o que vier à cabeça ao longo do ano...