Tenho por todos os escritores que até hoje li o maior respeito. Tenha ou não gostado daquilo que li. Até os posso considerar uns imbecis que escrevem muito bem ou uns imbecis que escrevem muito mal. Encontrar um que é imbecil, escreve mal, tem a mania que é muito bom, vangloria-se da merda que escreve, quer a todo o custo chegar ao topo (seja lá onde isso for) e consegue convencer alguns quantos “iluminados”, graças à bajulação em que é perito, estou perante um verdadeiro achado. E, em alguns anos disto, ainda só conheci um (graças aos deuses!). Só não revelo o seu nome pelo facto de eu ser um cobardolas. Mas que ele anda aí anda.
31.1.10
Barriga
Vasco Pulido Valente
29.1.10
Da arte de escrever à mão
Exile
Quando no ano passado dava aulas em São Teotónio, muitas vezes passei por Sines a caminho de mais um fim-de-semana ou de mais uma semana de trabalho. Nunca gostei muito de Sines, nem mesmo sabendo que lá viveu Al Berto, pois parece que era lá que por vezes escolhia exilar-se. Eu interrogava-me: como pode alguém exilar-se numa terra tão sem sabor, feia – digo eu? O exílio não deve ser pêra-doce, quanto mais numa terra como Sines. Ao menos que o exílio seja num lugar belo. Ao menos que o exílio seja bom. Mas isso é o meu comodismo a falar.
Em mudanças
28.1.10
HATE

É claro que não tenho tanto estilo. Mas todos os dias de manhã, quando vou para o trabalho, é esta a música que soa na minha cabeça. E é esta a imagem. Principalmente a parte do “HATE”.
27.1.10
Franz Frederick Horst (1900-1940)
24.1.10
Ao leitor
23.1.10
Lí por aí
«O cão do vizinho ladra-me, quando chego a casa. Tive em tempos um cão, da raça husky, que fugiu. Lembro-me de ler uma tabela sobre as raças de cães mais inteligentes do mundo, e os husky eram considerados dos menos inteligentes. O critério era a capacidade de domesticação: quanto mais fácil de domesticar, mais inteligente era o cão. Como quem diz: quanto menos personalidade, mais inteligência. É por isso que a espécie humana é considerada a mais inteligente: como nenhum outro animal, aprendemos a dominar o instinto. Domesticámo-nos com distinção. Quão inteligente de nós.»
José Bértolo em Tio Vânia
O nome é o nome é o nome
22.1.10
Cara inchada
20.1.10
Pensamento do dia
John Mayer - Who says
Who says I can't get stoned
Turn off the lights and the telephone
Me in my house alone
Who says I can't get stoned
Who says I can't be free
From all of the things that I used to be
Rewrite my history
Who says I can't be free
It's been a long night in New York City
It's been a long night in Baton Rouge
I don't remember you looking any better
But then again I don't remember you
Who says I can't get stoned
Call up a girl that I used to know
Fake love for an hour or so
Who says I can't get stoned
Who says I can't take time
Meet all the girls in the county line
Wait on fate to send a sign
Who says I can't take time
It's been a long night in New York City
It's been a long night in Austin too
I don't remember you looking any better
But then again I don't remember you
Who says I can't get stoned
Plan a trip to Japan alone
Doesn't matter if I even go
Who says I can't get stoned
It's been a long night in New York City
It's been a long time since 22
I don't remember you looking any better
But then again I don't remember you
19.1.10
Lí por aí
17.1.10
Sul
O Sul continua a ser uma transgressão
Jorge Fallorca
Também eu tenho esse fascínio pelo Sul. Tenho lá dois bons amigos no nosso Sul. Gostava de os ver mais vezes. Mas o que leva alguém a querer partir, por lá ficar, não voltar? Eu nem me posso queixar muito. A profissão que tenho já me levou a 10 localidades diferentes durante estes últimos 9 anos. Sou, por assim dizer, um nómada. Regresso a Manteigas quando quero ver os Pais, rever amigos, descansar. O resto do ano é passado entre Manteigas-Coimbra-e o lugar onde estiver a trabalhar. Faço por ano uma média de 30000km – em 9 anos dá um total de 270000km. Nada mau. Conheço auto-estradas, estradas nacionais, estradas municipais e outras que tais. Conheço restaurantes de beira de estrada onde se come um manjar dos deuses por tuta-e-meia. Conheço o rosto das putas à chuva. É claro que já visitei outros países, mas sempre no conforto e segurança da agência de viagens. E o Sul continua sempre presente. Esse Sul que me traz o cheiro do couro de Fez, o Sul da mesquita de Timbuktu, o Sul das planícies e montanhas da Patagónia (quem me mandou a mim ler Bruce Chatwin!), o Sul. Ponto final.
16.1.10
Um poema de Catarina Nunes de Almeida
Abriu no colchão as valas possíveis
e enterrou por ordem alfabética
cada parte do corpo: os pêlos
os pântanos as unhas encravadas
e as unhas que outros cravaram pelas coxas.
Estudou cuidadosamente as ondas as horas
para que não restassem dúvidas
sobre os caminhos marítimos
para a noite. Por fim
podou as janelas do quarto,
bebeu o vinho;
roeu a carne do quarto
até não sobrar nenhum coração.
Xavier Queipo
Rowland S. Howard (24 Outubro 1959 – 30 Dezembro 2009)
15.1.10
Um poema de Joaquim Castro Caldas
um âmago
no vulcão dos sentidos
a vida não é bem assim
não há príncipio ou fim
só começa quando pegas
só acaba quando largas
não deixas nada ao mundo
nem coisa alguma levas
transformam-te energias
recebes e aprendes mais
do que pensas e ensinas
em Mágoa das Pedras, Porto: Deriva, 1ª edição, 2008, p. 38.
Manteigas
13.1.10
Jorge Fallorca
em a cicatriz do ar, Lisboa: edição de autor, 2009, p. 54.
Lí por aí
Janeiro
10.1.10
Tereza de Jesus Alonzo (1910-1937)
4cm
Aqui, o termoventilador é o que ainda me safa
Gostava de ter uma escrita torrencial. Mas, de facto, não tenho. Tirando aquilo que aqui escrevo – e que pouco ou nada tem de escrita –, não escrevo muito. Há dias em que a escrita surge e não posso fazer nada, mesmo nada, e lá escrevo. No entanto, a maior parte do tempo, passo a olhar para as paredes, a olhar pela janela, a olhar para o pó que se acumula nas estantes e nos livros. E o pior é que nem aproveito para pensar em temas fundamentais como a existência ou não de Deus, a imortalidade da alma, a liberdade, o absurdo do mundo. Preocupo-me mais com coisas como: que roupa irei vestir? o que irá ser o almoço? o jantar? por que razão está tanto frio? por que razão estou sozinho numa vila deserta? por que razão tem de haver uma razão para tudo? será que não é possível viver sem uma razão? será que a razão é razoável? será que a razão existe realmente?
Um poema de Luís Pedroso
LÁ EM CIMA: VIDRINHOS, O ARRUMADOR SUPERSÓNICO
Conto as moedas todas nem mais uma
Um pacote de Bolacha Maria um de leite gordo
e três ou quatro bananas
Passo metade do meu precioso tempo
a glorificar deus
e a louvá-lo
A outra metade passo-a
a arranjar dinheiro suficiente
para o cavalo
em Princesas Dianas & Anti-heróis, Lisboa: edição de autor, 2009. P. 37.
Do arrependimento
Um domingos como outro qualquer
*a minha vida regula-se por anos lectivos. é claro que também tenho de ter em conta os anos civis, os anos judiciais, os anos fiscais. e também ter atenção para que ninguém me vá ao ânus.
9.1.10
Capitaleando
8.1.10
7.1.10
Nos 50 anos da morte de Albert Camus
As novidades
Parece que é mesmo verdade. A Antígona prepara-se para editar o romance Correios de Charles Bukowski (trad. de Rui Lopes). Não nos podemos esquecer, no entanto, que este romance do escritor norte-americano foi pela primeira vez editado em Portugal pela extinta Canguru. Dos romances que Charles Bukowski escreveu, Correios é sem dúvida o mais emblemático, apesar da sua maior obra ser, sem sombra de qualquer dúvida, o romance Ham on Rye, que ainda espera uma tradução neste país. Também é de salientar a edição, por parte da Antígona, de mais livros de e sobre George Orwell. A saber: a colectânea de ensaios Livros e Cigarros (trad. de Paulo Faria) e o livro O Pensamento Político de George Orwell, de John Newsinger (trad. de Fernando Gonçalves). Penso que George Orwell não se importará de, em Portugal, partilhar a mesma editora que Charles Bukowski. Não nos podemos esquecer que o pensamento bukowskiano é bastante lúcido no que diz respeito a políticos e políticas: «some men hope for revolution but when you revolt and set up your new goverment you find your new goverment is still the same old Papa, he has only put on a cardboard mask.» (em Notes from a Dirty Old Man, p. 55.)
Charles Bukowski (2)
em Notes of a Dirty Old Man, London: Virgin Books, 2008, p. 63.
6.1.10
Um poema de Giuseppe Ungaretti
À memória de
Chamava-se
Maomé Cheabe
Descendente
dos emires dos nómadas
suicida
porque não tinha já
pátria
Amou a França
e mudou de nome
Foi Marcel
mas não era francês
e não sabia já
viver
na tenda dos seus
onde se escuta a cantilena
do Corão
saboreando um café
E não sabia
soltar
o canto
do seu abandono
Acompanhei-o
junto com a patroa ao hotel
onde habitávamos
em Paris
no n.º 5 da Rue des Carmes
murcha viela em descida
Repousa
no cemitério de Ivry
subúrbio que parece
sempre em dia
de uma
feira levantada.
E talvez eu só
ainda saiba
que viveu.
em Poesia do Século XX, antologia, tradução, prefácio e notas de Jorge de Sena, Porto: Edições ASA, 3ª edição, 2003, pp. 232-233.
A Jeropiga
Poesia em Vinyl
A noite não acaba aqui porque depois da poesia, vem o Vinyl, ou seja a música. A par com os poetas escolhidos, vão também ser convidados músicos/bandas do panorama musical português.
5.1.10
Charles Bukowski
em Notes of a Dirty Old Man, London: Virgin Books, 2008, p. 6 ( da introdução).
Um poema de Stephen Crane
É BOA A GUERRA
Não chores, rapariga, é boa a guerra.
Lá porque o teu rapaz ergueu as mãos ao céu
E a galope o cavalo se perdeu,
Não chores, não.
É boa a guerra.
Tambores de regimento rufam roucos,
E esta gente sequiosa de lutar
Nasceu para a recruta e p’ra morrer.
A inexplicada glória os sobrevoa,
É grande o deus da guerra, e é seu reino
Um campo com milhares a apodrecer.
Não chores, criancinha, é boa a guerra.
Porque o teu pai tombou na lama da trincheira,
Esfacelado o peito e já sem vida,
Não chores, não.
É boa a guerra.
Bandeiras crepitando esvoaçantes,
Águias douradas, rubras! Esta gente
Nasceu para a recruta e p’ra morrer.
Mostrai-lhe as eficácias do massacre,
Dizei-lhe a excelência de matar,
De um campo com milhares a apodrecer.
Mãe cujo amor é qual botão mesquinho
Na esplêndida mortalha do teu filho,
Não chores, não.
É boa a guerra.
em Poesia do Século XX, antologia, tradução, prefácio e notas de Jorge de Sena, Porto: Edições ASA, 3ª edição, 2003, p. 136.
4.1.10
O romance inédito de Vergílio Ferreira
Frenesi Loja
Para ir recebendo a nossa montra de livros actualizada envie-nos o seu e-mail para a frenesilivros@yahoo.com
Paulo da Costa Domingos
Alex Roberts (1920-1980)
Alex Roberts foi um fotógrafo norte-americano. De seu verdadeiro nome Alexandris Yorgus Papadimos, Alex Roberts nasceu em Nova York, filho de emigrantes gregos. Após concluir os estudos liceais trabalhou como jornalista no New York Times (trabalho conseguido através de um tio sem filhos). Durante a Segunda Guerra Mundial serviu como repórter fotográfico. Foi aí que conheceu Robert Capa, de quem se tornou grande amigo. Aquando do desembarque na Normandia pelas tropas aliadas, Alex Roberts é destacado para participar na primeira vaga da invasão, sendo incumbido de fotografar as primeiras tropas na praia. Contudo, uma queda a bordo do navio impede-o de participar na primeira vaga da invasão, passando a ser essa a tarefa de Robert Capa. Após a Guerra, Alex Roberts regressa a Nova York, onde se estabeleceu como fotógrafo, tendo colaborado, entre outros, com o New York Times, mas, essencialmente, com revistas underground. Com o início da Guerra da Coreia, Alex Roberts é contratado pelo New York Times para cobrir aquele conflito. Reencontra Robert Capa, que tinha alcançado enorme sucesso com as fotografias do desembarque da Normandia, sendo já um fotógrafo de renome internacional. Com o final da Guerra regressa a Nova York, onde prossegue a sua carreira como fotógrafo, tendo alcançado alguma projecção com um conjunto de fotografias intitulado Behind America. Anos mais tarde, já na década de 70, conhece John Cassavetes, ajudando-o a criar o chamado cinema independente norte-americano, sendo um dos responsáveis pela fotografia dos primeiros filmes do realizador, embora o seu nome não surja nos créditos dos filmes. Continua a fotografar os indigentes, o submundo nova-iorquino. Faz várias exposições individuais, que têm alguma atenção da crítica especializada. Morre em 198o vítima de acidente de viação.
2.1.10
Um poema de Fernando Assis Pacheco
BAH!
Fora os livros não vejo
muita outra coisa
a que possa chamar
minha propriedade
a gilete? o pente
imitação tartaruga? a tesoura
das unhas?
nem mesmo a roupa
enchendo todo o armário
que se queima com o suor
gasta rasga
desfia em pouco tempo
condenada
por um corpo infeliz
e quando a nova a estrear
faria talvez já
as delícias do adelo
álbuns de fotos?
estojo caneta-lapiseira?
pesa-papéis
deitando a sua neve falsa
sobre o castelo alemão?
inclusive o carro
envelhece mês a mês
sem uso: o prazer de guiar
é coisa dos anúncios
e a gasolina cara
e para quê tirá-lo da rua
para arrumá-lo aonde?
guiem agora as filhas
em Respiração Assistida, Lisboa: Assírio & Alvim, 2003, pp. 27-28.








