Pausa


Este blogue não termina. Mas irá fazer uma pausa. A suficiente.

A Primavera há-de chegar, Bandini - John Fante



John Fante, A Primavera há-de chegar, Bandini,
tradução de Rui Pires Cabral, Porto: Ahab, 2010.

Jean Préposiet


«A luta conduzida por Stirner não visa a transformação do mundo, mas sim a sua neutralização. Com efeito, Striner mantém-se indiferente à acção revolucionária colectiva, concebendo-a como uma nova armadilha, destinada a captar mais uma vez as nossas inesgotáveis disposições para a abnegação e para o sacrifício inútil. Este novo engodo é-nos lançado pelo último dos cultos mistificadores: a religião do Homem, sucedânea da religião de Deus. O autor de O Único ignora soberanamente as questões económicas, sociais e técnicas, para se precipitar com impaciência naquilo que lhe parece o essencial: a sua natureza própria.»

em História do Anarquismo, tradução de Pedro Elói Duarte, Lisboa: Edições 70, 2007, p. 163.

Pensamento do dia



Léo Ferré - Les Anarchistes

Luso-contemporâneos: Gonçalo M. Tavares


De todos os novos autores de Língua Portuguesa, Gonçalo M. Tavares (1970) é aquele que melhor consolidou o seu lugar no panorama literário português. Em Portugal recebeu vários prémios, incluindo: Prémio LER/Millennium BCP (2004), Prémio José Saramago (2005) e Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores (2007). A nível internacional recebeu: o Prémio Portugal Telecom (Brasil, 2007), Prémio Internazionale Trieste (Itália, 2008), Prémio Belgrado Poesia (Sérvia, 2009). E foi ainda nomeado para o Prix Cévennes (França, 2009), que diz respeito ao prémio para o melhor romance europeu. Para além de inúmeros livros publicados num curto espaço de tempo (25 entre 2001 e 2009), que vão do romance e do conto à poesia, do ensaio ao teatro, Gonçalo M. Tavares cedo estabeleceu o seu percurso, isto é, o seu “programa” de escrita. Prova disso é a divisão feita pelo autor da sua obra publicada até à data: O Bairro, Canções, Enciclopédia, Bloom Books, Poesia, Estórias, Teatro, Investigações e O Reino. Foquemos a nossa atenção neste último.

O Reino é uma tetralogia composta por Um Homem: Klaus Klump (2003), A Máquina de Joseph Walser (2004), Jerusalém (2005) e Aprender a rezar na Era da Técnica (2007). É, sem dúvida alguma, a mais importante série de romances publicados nesta última década em Portugal. O seu tema central é o Mal e todos estão, de uma ou outra maneira, interligados entre si. Após a leitura de qualquer um destes quatro romances ficamos com a sensação de que a única coisa que nos resta é a ideia ou o problema que é levantado em cada livro. É por isso que podemos afirmar que Gonçalo M. Tavares é um escritor de ideias/problemas. Os seus romances são romances de ideias/problemas, se atendermos que essas “ideias/problemas” nos enfrentam, na medida em que são nítidos, reais, pois facilmente os podemos deslocar da obra. Por exemplo, Em Aprender a rezar na Era da Técnica o conflito existente é evidente: como viver num mundo em que a Moral, e as decisões morais, são ultrapassadas pela Técnica, e pelas decisões técnicas? Como “rezar” num mundo que viu o seu centro unificador alterado? A Técnica tomou conta dos dias que são nossos, tomou conta da nossa maneira de pensar e agir. É mais imoral mentir ou não conhecer o novo Windows Vista? O Divino deixou de fazer parte das nossas vidas. É mais importante que a água continue a correr nas torneiras: «Se os crentes, ou os próprios padres, fizessem greve isso seria bem menos significativo e visível numa cidade do que uma greve de canalizadores ou electricistas. A boa circulação da água ou da electricidade torna-se, para o dia-a-dia, bem mais indispensável do que a boa circulação do sopro divino.» (p. 217).

E os personagens? Que personagens encontramos neste Reino? Tal como em Dostoievski, os personagens de Gonçalo M. Tavares são apenas representantes das ideias/problemas que o romancista coloca em diálogo entre si. Gonçalo M. Tavares procura realizar a acção do romance através de personagens que podemos designar de “anormais”, pois só dessa maneira o autor consegue tornar verosímil a exposição da sua problemática. Um bom exemplo é Lenz Buchmann, personagem central do citado Aprender a Rezar na Era da Técnica. Lenz Buchmann é um inadaptado dos dias em que vive, dias pobres e fracos. Acredita na Força. É um homem da Era da Técnica, desempenha uma profissão técnica (é cirurgião) e pouca importância dá à espiritualidade, à moral, que vê como elementos perturbadores de uma Sociedade que se quer forte. Mas é também um homem dominado pela figura do Pai (que nunca chega a “matar”), principal responsável pela Força de Lenz: «- Nesta casa o medo é ilegal» (p. 91). Um pai que se suicida aos 58 anos, no momento em que começa a sentir o seu declínio físico. O corpo e a ideia de corpo (um corpo que é limitado, que a determinada altura deixa de cumprir a sua função) estão muito presentes nesta tetralogia: Joseph Walser, em A Máquina de Joseph Walser, vê a sua vida completamente alterada devido a um acidente de trabalho – é-lhe amputada uma mão; Mylia, em Jerusalém, é internada num hospício devido a uma doença mental.

Os romances de Gonçalo M. Tavares lançam um olhar sombrio sobre a natureza humana, sobre a sua condição. E é essa uma das mais-valias da escrita de Gonçalo M. Tavares: confrontar-nos com os fantasmas que constantemente recusamos aceitar.

(texto publicado no suplemento literário Correio das Artes, Agosto 2010, Ano LXI, nº. 08, do jornal A União, João Pessoa, Brasil)

6.30


Nunca pensei ver tantos carros na A1 às 6.30 da manhã. CRIL, CREL, Eixo Norte-Sul, IC19 ainda é naquela, um gajo ouve a rádio e sabe que sim, que é possível. Agora na A1 nunca pensei. Fiquei, mesmo, admirado.


Nota: quando digo A1 refiro-me ao trajecto entre Coimbra Sul e Santarém.

Domingo


Acordar, inesperadamente, cedo. Tomar duche, desfazer a barba. Pequeno-almoço, sozinho, na cozinha. Um dia que promete chuva. Uma mala por fazer.

Mario Vargas Llosa

Nunca li nada dele (hoje é tudo nunca). Penso que não é agora que vou começar a ler. Vou dar-lhe um pouco mais de tempo.

Thomas Pynchon


Nunca li Thomas Pynchon. Não tenho coragem de o ler em inglês. Não nas edições que encontro na Fnac, que são horríveis, com letras demasiado minúsculas. Passei uma vista de olhos pelo Lote, li as primeiras linhas e pousei o livro. Quero dar-lhe uma segunda hipótese. Hoje fui até uma livraria de Coimbra. A mesma de sempre. Nada. Supostamente era hoje que aparecia por aí. Mas nada. Fui até à Bertrand. Nada.

As junções - Hugo Milhanas Machado



Hugo Milhanas Machado, As junções, Edições Artefacto, 2010

Mesmo para quem não gosta do Pnet Literatura


Podem ler aqui uma mini-entrevista à minha pessoa. Como poderão verificar, para estas e outras coisas eu não tenho lá grande jeito.

Indignar-me é o meu signo diário (16)



Ao cuidado dos leitores do círculo eleitoral de Braga: fixem o nome deste Senhor Deputado, pode ser que continuem a votar nele da próxima vez.

Intrínseco


Dias há em que acordo bem-disposto, com ânimo, pronto para mais uma jornada. Olho-me ao espelho, tento ficar feliz com o que vejo e consigo. Tomo duche, desfaço a barba. Saio de casa. Entro no carro. Chego à escola e alguém me diz: não tens vergonha de vir com esse aspecto, parece que andaste na noite.

O Ano da Morte de José Saramago - Amadeu Baptista


Amadeu Baptista, O Ano da Morte de José Saramago, Lisboa: &etc, 2010.

Indiferente


Tirando poesia e a leitura desse magnífico livro que é História do Anarquismo, poucas são as coisas que me interessam nestes dias. As aulas lá vão decorrendo normalmente. Os colegas queixam-se com o aumento do IVA e o aumento para a Caixa Geral de Aposentações e o corte de 5%. Mas tudo isso me passa, um pouco, ao lado. Em 33 anos (dez dos quais a saltar de terra em terra) já nada me surpreende neste país. Em 33 anos recordo 4 Presidentes da República e 11 Governos Constitucionais (do VII ao XVII). E as caras são sempre as mesmas. Começo a ficar farto. Indiferente.

Picar o ponto

Picado.

Um poema de Vasco Gato

Segredo

segreda-me a canção dos dias
sem que nos ouça a noite terrível
e deixa que dance em mim a voz,
a voz azul que é o lugar onde
o mundo não pára de nascer.

segreda-me o teu nome, agora,
e farei de nós o amor, a constelação,
o sonho de uma estação sem morte.

em Um Mover de Mão, Lisboa: Assírio & Alvim, colecção Peninsulares/Literatura, nº. 63, 2000, p. 31.

Jean Préposiet


«Não há dúvida de que, hoje, é possível afirmar que «o Estado somos nós». Infelizmente, este nós designa tanto os que governam como os que são governados e, entre os governados, é preciso ainda distinguir, aos olhos da lei, a maioria e a ou as minorias. Por conseguinte, quer queiramos quer não, esta hierarquia funcional, inevitável em democracia, introduz novas formas de desigualdade. Mais não seja que por razões práticas, de grau em grau, segundo o lugar ocupado por cada cidadão nas hierarquias do poder, afastamo-nos sensivelmente da origem teórica da soberania. Todas as sucessivas delegações de soberania popular fazem com que, no Estado democrático, a vontade política dos cidadãos tenha de se manifestar constantemente por procuração, o que necessariamente dá lugar a novas alienações.»

em História do Anarquismo, tradução de Pedro Elói Duarte, Lisboa: Edições 70, 2007, p31.

Pensamento do dia


La La La Ressonance - Zed for Zebra

Sem comentários

Sinceramente, nem sei o que dizer sobre esta notícia.

Um poema de Pompeu Miguel Martins


Anjo 10

para Frederico Garcia Lorca

Deste lugar com chuva
por dentro do sangue
e vento que se gasta nos olhos
quase parados na agitação
do mundo,

suponho, enfim, a razão
do desespero

nessa mulher andaluza
com o sol nascido no peito
e aí guardado
para memória dos Homens.

em O Livro do Anjo, V.N. Famalicão: Quasi, colecção Uma existência de papel, nº 15, 1ª edição, 2001, p. 23.

Butch Cassidy and the Sundance Kid (10/10)

Bah!


Até que acordei bem-disposto e tal. Mas quando ao trabalho há pessoas que me conseguem deixar meio para o fornicado. O que safa (às vezes, não se pense que é sempre) são os alunos. Lá me vão fazendo rir com algumas intervenções. Quanto ao resto. Bah!

Bichinho


A verdade é que nunca pedi nada disto. Eu sei que quase todas as pessoas têm sempre algo para dizer. Há quem chame a isso desabafos. Outros: manias: lá vens tu com as tuas manias! Explicando melhor (ou tentando): não sei qual foi o momento fundador, a ignição do bicho da escrita. Porque é disso que se trata: bicho da escrita. Podia dar-me para coisa pior. Poderia, por exemplo, ter o bicho da filatelia.

Bom dia


Bom dia a todos os leitores deste blogue e de outros escritos por mim ou com a minha colaboração, pois só esses é que interessam e mais nenhum.

Um poema de Gomes Leal

A Bela Flor Azul

Quem saberá, «signora» onde terá
nascido esse belo lírio branco?

Velha Comédia Italiana

Eu não sou o fatal e triste Baudelaire,
Mas analiso o Sol e decomponho as rosas,
As rijas e imperiais dálias gloriosas,
— E o lírio que parece o seio da mulher.

Tudo o que existe ou foi, morre para nascer.
Na campa dão-se bem as plantas graciosas.
E, um dia, na floresta harmónica das Cousas,
Quem sabe o que serei, quando deixar de ser!

A Morte sai da Vida — a Vida que é um sonho!
A flor da podridão, o belo do medonho,
E a todos cobrirá o místico cipreste!...

E, ó minha Esfinge, a flor pálida e azul no meio,
Que ontem tinhas no baile e que trouxeste ao seio,
— Levantei-a dum chão onde passara a Peste.

em Antologia Literária Comentada: Do Romantismo ao Simbolismo, coordenação de Maria Ema Tarracha Ferreira, Lisboa: Editorial Aster, s.d., pp. 277-278

Doutor Avalanche - Rui Manuel Amaral


Rui Manuel Amaral, Doutor Avalanche, Coimbra: Angelus Novus, 2010.

Evgueni Zamiatine


---«Sinto, meus caros leitores planetários, algum embaraço em confessar este acontecimento completamente inverosímil. Mas que pode um homem fazer se os factos assim aconteceram? Não tinham acontecido naquele dia, desde manhã cedo, tantas coisas inverosímeis?... Não era tudo aquilo parecido com aqueles sonhos em que os antigos acreditavam? E, a ser assim, que importa uma incongruência a mais ou a menos? Além do mais, tenho a certeza de que, mais tarde ou mais cedo, hei-de inserir estas e outras incoerências num silogismo qualquer. Tranquiliza-me esta ideia; espero que tranquilize também os que me lêem.»

em Nós, tradução de Manuel João Gomes a partir da versão inglesa We (Penguin, 1960), Lisboa: Antígona, 2ª edição, 2004, 97

Domingo

Levantei-me relativamente cedo. Eram 9h20 e já tinha o duche tomado e a barba por desfazer. Tomei o pequeno-almoço, vesti-me e saí. Mas antes ainda passei pelo quarto para escolher um livro de poesia para levar comigo. Peguei num de Eduardo Guerra Carneiro, mas depois olhei pela janela, vi a chuva e achei melhor não. Guerra Carneiro num dia de chuva não é, para mim, uma boa escolha. Guerra Carneiro tem essa capacidade em mim: consegue enevoar um dia de sol. Ainda peguei em mais alguns. Mas ficaram todos em casa. Lá fui eu. Chovia bem e, mesmo assim, decidi ir a pé. É claro que cheguei um pouco molhado ao café de sempre. Nada a que não esteja habituado durante o Outono e Inverno aqui em Manteigas. É claro que podia ir de carro. Mas não gosto. Aqui tudo fica perto. O carro é estacionado à sexta-feira e só volta a andar ao domingo, quando vou embora. Conversa com alguns amigos. Falámos da chuva, das vindimas, do cheiro do vinho a "fazer-se", como aqui se diz, e que começa a sentir-se pelas ruas.   

Encontros Cinematográficos


Teatro Municipal da Guarda | 30 e 31 de Outubro | 2010

The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford (10/10)

Um poema de Eduardo Pitta

E só agora
tu e eu sabemos
da urgência do
amor.

Polido,
sem fissuras.


em Um Cão de Angústia Progride (1979), inserido em Marcas de Água: Poesia escolhida 1971-1990, Biblioteca de Autores Portugueses, Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1999, p. 72.

Vergílio Ferreira

---«e tu respondes à vitória da minha perfeição, vejo-te ao longe, frágil, intensa, balanceada ao ritmo das ondas, a praia nua no regresso ao nosso ser primitivo e o sol e o sol, o mundo é deserto para recomeço inteiro, a pré-história da vida

que merda a vida.»

em Rápida, a Sombra, Venda Nova: Bertrand, 3ª edição, 1993, p.53.

Lí por aí

«Por mim, que moro a dez minutos do local do crime, vou passar ao lado: a música recente dos U2 não me interessa de todo, as versões antigas são tocadas em piloto automático e não sou suficientemente basbaque para me deixar impressionar com a «aranha» e a pirotecnia megalómanas que a magnânima Câmara da cidade ajudou a financiar com a módica quantia de 200.000 euros. Além disso, não me apetece encontrar-me com o Pedro Passos Coelho ou algum clone seu. «É uma coisa que me chateia, pá.»»

Rui Bebiano em A Terceira Noite

Edição

Não tenho muito conhecimento de causa do mundo editorial português. Mas sou leitor há já alguns anos. Sei, penso eu, verificar quando um livro está equilibrado ou não. Também sei que essa é a função do editor: dizer ao escritor que algo está a mais ou a menos e abrir-lhe os olhos. Escrevo isto depois de ler as apreciações literárias de Eduardo Pitta (no Da Literatura, pois não compro o Público) e de José Vegar (no Actual) ao novo romance de José Luís Peixoto (Livro, Quetzal, 2010). Eduardo Pitta refere que é «Uma pena o livro não ter acabado na página 204». Sabendo que o livro tem 264 páginas, existem claramente, e na opinião de Eduardo Pitta, 60 páginas que não deveriam existir ou que talvez merecessem outro cuidado editorial. Já José Vegar é mais acutilante: «A parte mais interessante deste enigma criado por Peixoto, (…) é se ao editor foi recusado o papel fundamental de intervenção no texto, ou se ao texto foi atribuído um estatuto editorial que dispensava a edição.» (Actual, 02 Outubro 2010, p. 33). Contudo, talvez nada disto surpreenda o leitor mais atento. A função do Editor, em Portugal, está muito longe daquela que é atribuída nos países anglófonos, onde um editor faz ou desfaz um escritor. Em Portugal, parece-me, o Editor existe apenas para dizer “ámen” ao escritor.

Quarto


Regresso mais uma vez a Manteigas. A primeira coisa que noto, quando saio do carro, é que está mais frio aqui do que em qualquer parte dos 275km que fiz para aqui chegar. A Mãe já me espera no terraço da casa que é nossa desde os meus cinco anos, altura em que para aqui nos mudámos. O Pai chega um pouco depois. Entro. O quarto continua igual, sem nada alterado: os livros amontoados, os cds amontoados, o caos perfeito onde me sinto bem.

Quem és tu manuel a. domingos?


Um tentativa de responder à questão, aqui.

Um poema de Thomas Bernhard

A manhã traz um grande saco

A manhã traz um grande saco.
---Eu digo-lhe: tu és tão velha
que não precisas de me desprezar.
---Os teus sapatos estão rotos.
O teu casaco já um dia foi meu...

---Estou sentado no tugúrio e espero por ti,
não como a anciã, não como as crianças, não
---como o pároco que, depois da homilia,
desce ao vinho e transforma a terra.
---Eu recebo-te com o chicote,
trémulo, vil e frágil
---como um cardo na orla do sol.

em Na Terra e no Inferno, tradução e introdução de José A. Palma Caetano, Lisboa: Assírio & Alvim, documenta poética / 57, 2000, p. 55.