Claúdia Clemente, A Fábrica da Noite, Lisboa: Ulisseia, 2010.
A Fábrica da Noite - Cláudia Clemente
Humor
Anónimos
Pensamento do dia
...Fora o tédio que me consome 24 horas por dia
fora decepção de ontem a decepção de hoje
e a desesperança crônica no amanhã,
tenho vontade de chorar,
raiva de não poder,
quero gritar até ficar rouco,
quero gritar até ficar louco,
isso sem contar com a ânsia de vômito,
reação a tal pergunta idiota
...Fora tudo isso...
...tudo bem.
Lí por aí
Um poema de Iwan Goll
Santa Teresa de Jesus
Galos
ARtv
Anarco-comodismo
Fiz greve. Fui almoçar fora.
O prisma das muitas cores (org. Victor Oliveira Mateus)
Óbvio
Um poema de Alfred Wolfenstein
Como os buracos de um crivo, apertadas,
As filas de janelas; empurrando-se,
As casas tocam-se de perto, erguendo-se
Pardas e inchadas como estrangulados.
Engalfinhadas umas nas outras vejo
No carro eléctrico as duas fachadas
De gente, descarregando olhares, caladas,
E cresce o emaranhado do desejo.
As paredes são finas como a pele,
Todos me ouvem quando choro, ou então
É como um berro a conversa ciciada:
Emudecidos, em caverna fechada,
Sem ninguém que lhes toque, olhe para eles,
Todos estão longe e sentem: solidão.
em A Alma e o Caos - 100 poemas expressionistas, selecção, tradução, introdução e notas de João Barrento, Lisboa: Relógio D' Água, 2001, p. 53.
Lembradura
Há muito que ando
A Alma e o Caos
Comprei A Alma e o Caos no passado sábado. Já era tempo de ler uma pouco da poesia alemã do século XX. É claro que se trata da chamada “poesia expressionista”. Mas penso que é um bom início. Poetas alemães conheço poucos: Paul Celan (poemas dispersos), Johannes Bobrowski (lia a antologia Como um Respirar), Novalis (poemas dispersos), Ulla Hanh (li A Sede Entre os Limites). Ainda não me atrevi a ler Hölderlin. Talvez seja o próximo.
Um poema de Wilhelm Klemm
Não queremos poesia de género algum,
Queremos truques mágicos de saco,
Procuramos tapar na existência um fatal buraco.
E apesar de esforço insano não tapamos nenhum.
Mas que sabeis vós outros do secreto aspirar,
Dos soluços de divina histeria que em gargantas choram,
Quando, plenamente absorvidos pelo haxixe da alma elementar,
Beijamos o primeiro degrau, para além de cujo limiar
Eoneamente os deuses moram?
E por aí em diante
Quase dois anos
Estatísticas
Lí por aí
Pensamento do dia
Hoje deu-me para isto
Um poema de Gottfried Benn
O molar solitário de uma prostituta
que morrera no anonimato
tinha uma aplicação de ouro.
Os restantes, como por mudo acordo tácito,
tinham caído.
O funcionário da morgue arrancou-o,
pô-lo no prego e foi dançar.
É que, dizia ele,
só o que é da terra à terra deve voltar.
em A Alma e o Caos - 100 poemas expressionistas, selecção, tradução, introdução e notas de João Barrento, Lisboa: Relógio D' Água, 2001 p.255
Problema resolvido
Blogger e eu
Um poema de Konstandinos Kavafis
Se és dos verdadeiramente eleitos,
procura conseguir o teu predomínio.
Por muito que te glorifiquem, as tuas façanhas
na Itália e na Tessália
por muito que as apregoem as cidades,
por muitos decretos honoríficos
que arranjem em Roma os teus admiradores,
nem a tua alegria, nem o teu triunfo durará,
nem um superior – o que é superior? – humano te sentirás,
quando, em Alexandria, Teódoto te levar,
numa salva ensanguentada,
a cabeça vil de Pompeu.
E não fiques descansado por na tua vida
limitada, ordenada, e prosaica,
não haver tais coisas espectaculares e horrorosas.
Talvez nesta hora na casa composta
de algum vizinho teu entre –
invisível, imaterial – Teódoto,
levando uma cabeça assim horrenda.
Pensamento do dia
René Girard
---Se observamos os mitos, constatamos que a maior parte deles começa por uma tal crise. Por exemplo, a peste do mito edipiano é uma imagem desta violência propagada por toda a parte. Algumas vezes é uma crise social, outras, uma crise natural, ou que aparenta ser natural mas que, na realidade, dissimula o que referi: a crise do desejo mimético. Quando dois indivíduos desejam a mesma coisa, junta-se-lhes um terceiro; e quando existirem três, logo haverá um quarto, e a partir deste momento, adivinhamo-lo, as sociedades primitivas têm tendência para se mobilizar todas em lutas insensatas. São então ameaçadas pela destruição total.»
em O Bode Expiatório e Deus, tradução de Márcio Meruje, Colecção Textos Clássicos de Filosofia, Covilhã: LusoSofia, Universidade da Beira Interior, 2009, p. 6.
Polémicas
Hunter S. Thompson
“Speeding is one thing, but Drunk Driving is quite another.”
em Fear and Loathing in Las Vegas, Londres: Harper Perennial, 2005, p. 91.
O que importa afinal?
Quéça merda, pá!
Hoje, só 36 visitas?
Adenda (às 21h46m): parece que já vai nas 63.
Entrevista
Podem ler aqui uma mini-entrevista ao Rui Almeida.
Xixi, cama
E agora vou-me deitar, que já são horas.
Once Upon a Time in the West (10/10)
Hoje é só queixas
Cozinhar
Gosto de cozinhar. Compro livros de culinária. Por vezes vou a este ou àquele blogue de culinária. só que há um problema. Vivo sozinho. E não gosto de cozinhar só para mim.
Ponto da situação
Há três noites que não durmo como deve ser.
Pensamento do dia
Foals - Spanish Sahara
The Man Who Shot Liberty Valence (10/10)
1.8 milhões
A pior coisa que pode acontecer a alguém é deixar de saber o que fazer ou dizer. Parece que de pouco ou nada serve uma pessoa fazer ou dizer. Por exemplo: uns Senhores receberam 1.8 milhões de euros de indemnização. Pelos vistos receberam a indemnização após abandonarem, repito: abandonarem, os cargos que ocupavam na Portugal Telecom. Não deixa de ser curioso que tal aconteça. Corrijo: já não é curioso que tal aconteça. Sinceramente não sei que raio de contratos estes Senhores arranjam. Sempre ouvi dizer que quando uma pessoa abandona o emprego/trabalho que tem, não recebe ou não tem direito a indemnização. Alguns nem direito a subsídio de desemprego têm. E outros ainda têm de pagar uma indemnização ao patrão. Mas estes Senhores não: abandonam o cargo que ocupam e recebem, em conjunto, uma indemnização de 1.8 milhões.
Odisseia
Não há paciência
Charles Bukowski
«some men hope for revolution but when you revolt and set up your new government is still the same old Papa, he has only put on a cardboard mask.»
em Notes of a Dirty Old Man, London: Virgin Books, 2008, p. 55.
Pisístrato
Helena
Homero?
Natália Correia
Versões: Elizabeth Bishop
Quatro poemas
II / Chuva ao Encontro da Manhã
A grande e leve gaiola partiu-se em pelo ar,
libertando, penso eu, perto de um milhão de pássaros
cujas erráticas sombras nunca mais irão regressar,
e todos os arames caíram pelo chão.
Sem gaiola, sem pássaros assustados; a chuva
começa agora a brilhar. O rosto pálido
tentou o puzzle que os aprisionava
e resolveu-o com um beijo inesperado,
cujas mãos sardentas iluminou.
Elizabeth Bishop, «Four Poems» de A Cold Spring (1955), em Complete Poems, Londres: Chatto & Windus, 2004, p. 77.
Pensamento do dia
Arcade Fire - Ready to Start
Businessmen drink my blood
Like the kids in art school said they would
And I guess I'll just begin again
You say can we still be friends
If I was scared, I would
And if I was bored, you know I would
And if I was yours, but I'm not
All the kids have always known
That the emperor wears new clothes
But to bow to down to them anyway
Is better than to be alone
If I was scared, I would
And if I was bored, you know I would
And if I was yours, but I'm not
Now you're knocking at my door
Saying please come out against the night
But I would rather be alone
Than pretend I feel alright
If the businessmen drink my blood
Like the kids in art school said they would
Then I guess I'll just begin again
You say can we still be friends
If I was scared, I would
And if I was pure, you know I would
And if I was yours, but I'm not
Now I'm Ready to Start
If I was scared, I would
And if I was pure, you know I would
And if I was yours, but I'm not
Now I'm Ready to Start
Now I'm Ready to Start
I would rather be wrong
Than live in the shadows of your song
My mind is open wide
And now I'm ready to start
Now I'm Ready to Start
My mind is open wide
Now I'm Ready to Start
Not sure you'll open the door
To step out into the dark
Now I'm ready!
Um poema de Rose Miller Stuart
the American Way is
the sacrament of foul mouth
the devil of mental-dictators
the duty of a factory foreman
the replica production of helpless young doctors
the victory of being born old
the purposeful limitless of something sad
the feeding of their Young
the burden of dissatisfaction
the essential smile of the weight of the world
I am telling you!
the American Way is
a miracle
burning with purity
em Lashes, introdução e notas de Allen Cohen, Boston: Marrow Press, 1985, p. 23.
Rose Miller Stuart (1920-1941)
I stand
under silver wing
the dark light
in the dark thin gas clouds
and I look up at silver
eyeball.
born here
where the lights
are people.
I am a raincoat
cigarette in mouth
hat over hand.
I cross the street
full of lost watches.
dragonflames licking
green
dry wasteland
scratched by
beaten / jailed / coccyx
broken men.
Thorsten Silberschatz (1890-1920)
A propósito de Cartesius, que, segundo a nota de rodapé, é Descartes
Sinceramente não sei se faço aquilo que digo e se digo aquilo que faço. É difícil. Tento ser honesto, lá isso tento. Humilde, não sei. É um discurso que me irrita: o da humildade. É como os jogadores de futebol: temos de ser humildes. É recorrente. Irrita-me. A humildade, e todo o seu discurso, é mais um mecanismo de opressão. Explico: ninguém pode dizer que é bom quando é realmente bom. Não. Tem de ser humilde. A humildade sempre foi vista como característica de quem é sábio. Os verdadeiros sábios, aprendemos logo de pequeninos, são humildes. Quanto a mim o verdadeiro sábio é aquele que se cala quando sabe que nada há mais a dizer, para não cair no ridículo. Qual é, afinal, a humildade em se declarar humilde?
Nota: a foto que ilustra este post foi encontrada no Google depois de pesquisar a palavra “humildade”. Alguém, na internet, lembrou-se de dizer que estas são as “verdadeiras sandálias da humildade”. Arre! Como é que alguém pode dizer isso? Caramba! Gostava de ver essa pessoa usar humildemente estas "sandálias".
Kierkegaard
«Cartesius, um pensador venerável, humilde e honesto, cujos escritos ninguém é seguramente capaz de ler sem a mais profunda comoção, fez o que disse e disse o que fez. Ai! Ai! Ai! Que grande raridade é esta, a do nosso tempo.»
Coisas que faço para parecer inteligente
William Gaddis
Sociedade Anónima Desportiva
A Nova Poesia Portuguesa - Manuel de Freitas
Lí por aí
«De facto, o quotidiano algodoado faz muito mal às cabecinhas. Num país que nunca sofreu devastação (como aconteceu em Espanha, na Polónia, na Rússia, na Alemanha, no Japão, na Bósnia, etc.), o valor da liberdade é coisa nenhuma. Nas últimas 48 horas, a leviandade dos media tem sido eloquente a tal respeito.»
Eduardo Pitta em Da Literatura
Sentido
Pensamento do dia
Echo and The Bunnymen - The Puppet
Gaddis
Lí por aí
William Gaddis*
Ágape, Agonia, tradução de José Miguel Silva, Porto: Ahab, 2010, p 27.
. da situação ou ao estado a que isto chegou
Pensamento do dia
Bauhaus - Double Dare














