21.10.09

Thomas Bernhard


«(…) eles são, num país assim, incapazes de desenvolvimento e têm também permanentemente consciência dessa incapacidade de desenvolvimento, um país assim precisa de pessoas que não se revoltem contra a pouca-vergonha de um tal país, contra a irresponsabilidade de um tal país e de um tal Estado, de um Estado, como Roithamer repetidamente dizia, perigoso para o público, absolutamente degradado, no qual só o que prevalece é a situação caótica, se não a mais caótica possível, este Estado é responsável por um sem-número de pessoas como Roithamer, responsável por uma história vil e ignóbil, esta permanente perversidade e prostituição como Estado, como Roithamer dizia com frequência e de forma desapaixonado, com a segurança de julgamento que lhe era inata, que não se baseava senão na experiência, e Roithamer não tolerara jamais qualquer outro valor que não o da experiência, como ele dizia muitas vezes, sempre que se atingia o limite do suportável, no que referia a este país e a este Estado (…)»

Thomas Bernhard, Correcção, s.l.: Fim de Século, trad. de José A. Palma Caetano, 1ª edição, 2007, p. 34.

0 comentário(s):