30.10.09

José Martins Garcia


«É certo que, numa sociedade onde todos eram iguais perante a lei, os competentes podiam passar à classe dos reformados. Mas a percentagem de tais casos foi sempre assaz limitada. Só se atingia uma competência magna depois dos oitenta anos e tal competência tinha de ser unanimemente reconhecida pela classe dos reformados. Era preciso, além disso, que o competente, candidato a reformado, se lembrasse minuciosamente da todas as fases da sua virtude. Ora, depois dos oitenta, os competentes não possuíam, geralmente, boa memória. E, quando a possuíam, encaravam a «performance» com tal emoção que, ao serem informados da aprovação, normalmente morriam.»


José Martins Garcia, Katafaraum é uma nação, Lisboa: Assírio&Alvim, Cadernos Penínsulares (5), 1974, p. 77.

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