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pernoitas em mim
e se acaso te toco a memória… amas
ou finges morrer
pressinto o aroma luminoso dos fogos
escuto o rumor da terra molhada
a fala queimada das estrelas
… é noite ainda
o corpo ausente instala-se vagarosamente
envelheço com a nómada solidão das aves
já não possuo a brancura oculta das palavras
e nenhum lume irrompe para beberes…
em «Rumor dos Fogos» (1983), in O Medo, Lisboa: Contexto, 1987, p. 371.
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