O que leva o escritor a exilar-se? Existem as questões políticas, é certo. Mas o que leva um escritor a auto-exilar-se? Paul Bowles passou a viver e a escrever em Marrocos, longe dos grandes centros (Paris e Nova Iorque). George Orwell, quando Animal Farm vendeu tanto nos Estados Unidos da América que nunca mais teve problemas com dinheiro, refugiou-se na ilha de Jura na Costa Ocidental Escocesa. Sobre Laurence Durrel há rumores de que nunca teve nacionalidade britânica, ou outra qualquer, e foi definido como sem pátria em 1968. Teixeira de Pascoaes refugiou-se em São João do Gatão. Fernando Pessoa foi um exilado de si mesmo. A ideia romântica do escritor exilado e auto-exilado – digo romântica pelo facto de me lembrar sempre de Shelley e Byron (e até Keats) como percursores – atravessou grande parte da grande literatura do século XX. É claro que as grandes perturbações sociais, aliadas a uma maior capacidade de mobilidade, muito contribuíram para isso. Mas o que leva mesmo um escritor a auto-exilar-se?
1 comentário(s):
Exercer a estranha vocacao de nascer estrangeiro.
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