10.8.09

Abstenção


Ontem, no café do costume (Casa da Árvore – quando estou em Manteigas), confessei aos meus amigos que tinha deixado de votar. Ficaram todos muito admirados com a situação e alguns deles mostraram a sua indignação. Alegaram que a partir daquele momento eu não me poderia queixar mais sobre a situação do país, pois ao não votar perdia a moral toda para dizer o que quer que seja. Para eles o descontentamento é demonstrado nas urnas, com o voto em branco. Não me é fácil defender a abstenção como forma de descontentamento. Não voto por uma simples razão: deixei de acreditar no nosso sistema democrático e “representativo” que só perpetua o poder centralizado nas mesmas pessoas. Deixei de acreditar num sistema que promove a corrupção, o laxismo, a injustiça social, que nivela por baixo na educação, no saber. Por isso deixei de votar.

3 comentário(s):

Valério disse...
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Valério disse...

“Não me é fácil defender a abstenção como forma de descontentamento” porque não é, é uma relaxação, é um deixa andar, é um “estou chateado mas paciência”.
Por muito que deixes de acreditar, e que tenhas razão quando falas no estado do sistema tens que te lembrar que é esta a realidade em que vivemos e bem ao mal é com ela que temos de lidar.
O facto de não votares é ignorares essa realidade e isso não te serve de nada, nem nunca iras ganhar nada com isso. No mínimo queixamo-nos do estado das coisas, e queixamo-nos ou não, votando.

Anónimo disse...

Os anarcas diziam que o voto era a arma do povo e se devia não votar pois assim ficar-se-ia desarmado.
Desiludido com os políticos? Também eu! Com os pseudo políticos porque os que o querem ser são medíocres para não dizer maus!
Sobre o post de Fátima... há razões insondáveis Manuel que nos levam a agir assim... "a fé é que nos salva".
Talvez por isso ainda acreditte em meia dúzia de políticos. boas férias e muita escrita
Luis Bruno Tavares