FÉRIAS
Lábio Cortado - Rui Almeida
Lábio Cortado, de Rui Almeida, é uma edição Livrododia.
Indignar-me é o meu signo diário (8)
ASSUNTO: Convite - Posse do Novo Pró-Reitor da U.C.
A cerimónia terá lugar no próximo dia 24 de Julho, pelas 12 horas, na Sala do Senado da Reitoria.
Malcolm Lowry nasceu há 100 anos
Não, isto não é elitismo ou pedantismo: é a realidade
Verão Orwelliano
Lí por aí
Migalhas
Surgiram em pouco tempo dois blogues que defendem as cores dos partidos que têm pretensões governativas. Digo pretensões pelo simples facto de os sucessivos governos, ora PS ora PSD, não terem feito mais nada do que desgovernar o país. Apesar de poderem ser blogues de ruptura, são antes blogues que apostam na continuidade: o SIMplex pelas razões óbvias; o Jamais pelas razões, também elas, mais que óbvias. Não vou aqui discutir a questão de alguns dos elementos dos respectivos blogues estarem a ver as tampas dos tachos a voar pela janela fora, pois quero acreditar que ainda há pessoas que acreditam em causas e que não têm medo de dar a cara por elas. Tal facto é louvável, aprecio-o e anoto-o aqui. Contudo, pela leitura que fiz (um tanto ou quanto na diagonal, devo confessar) parece-me que o principal mote dos textos, até agora publicados, é o mesmo: atirar as culpas do estado a que isto chegou para o campo adversário, enumerando as sucessivas trapalhadas – passadas e presentes – de cada um dos lados. Até agora ainda não foram apresentadas propostas concretas de mudança. Nada. No fundo a mudança não interessa. Está tudo bem como está. Desde que as migalhas cheguem para todos.
Teoria da Conspiração
Não sei se já repararam: sou um adepto das chamadas teorias da conspiração. Algumas delas são completamente absurdas e inacreditáveis. Contudo, todas elas têm algo em comum: questionam, não aceitam aquilo que nos dão. Quem não se lembra de ver aquele documentário conspirativo sobre o 11 de Setembro e ficar a pensar nele durante alguns dias. Ele questionava certos aspectos. Questionar é a chave de todas as teorias da conspiração. Aquelas que afirmam não me interessam, apesar de eu depois poder questionar. Questionar é fundamental. Comer e calar pode ser mais fácil. Mas questionar o que se come não tem mal nenhum.
Pensamento do dia
LF Bray - Let it die Charles Bukowski
Paulo da Costa Domingos
Gavetas
Ofertas
Pandemia de Lucro
No mundo, em cada ano morrem milhões de pessoas vítimas da malária, que se podia prevenir com um simples mosquiteiro…
Os noticiários, disto nada falam!
No mundo, por ano morrem 2 milhões de crianças com diarreia, que se poderia evitar com um simples soro que custa 25 cêntimos.
Os noticiários, disto nada falam!
Sarampo, pneumonia e enfermidades curáveis com vacinas baratas provocam a morte de 10 milhões de pessoas em cada ano.
Os noticiários, disto nada falam!
Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves…
… os noticiários mundiais inundaram-se de notícias…
Uma epidemia, a mais perigosa de todas…Uma pandemia! Só se falava da terrífica enfermidade das aves. Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10 anos… 25 mortos por ano.
A gripe comum, mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25...
Um momento, um momento! Então, por que se armou tanto escândalo com a gripe das aves? Porque atrás desses frangos havia um “galo”, um galo de crista grande: a farmacêutica transnacional Roche, com o seu famoso Tamiflu, vendeu milhões de doses aos países asiáticos. Ainda que o Tamiflu seja de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a sua população. Com a gripe das aves, a Roche e a Relenza, as duas maiores empresas farmacêuticas que vendem os antivirais, obtiveram milhões de dólares de lucro.
Antes com os frangos, agora com os porcos.
Sim, agora começou a psicose da gripe porcina. E todos os noticiários do mundo só falam disso… Já não se fala da crise económica nem dos torturados em Guantánamo… Só a gripe porcina, a gripe dos porcos… E eu pergunto-me: se atrás dos frangos havia um “galo”, atrás dos porcos… não haverá um “grande porco”?
A empresa norte-americana Gilead Sciences tem a patente do Tamiflu. O principal accionista desta empresa é nada menos que um personagem sinistro: Donald Rumsfeld, secretário de Estado da Defesa no tempo de George Bush, artífice das guerras contra o Afeganistão e o Iraque… Os accionistas das farmacêuticas Roche e Relenza estão esfregando as mãos, felizes pelas suas vendas novamente milionárias com o duvidoso Tamiflu.
A verdadeira pandemia é de lucro, os enormes lucros destes mercenários da "saúde", à custa da saúde de pessoas concretas.
Não nego as necessárias medidas de precaução que têm que ser tomadas pelos países. Principalmente tratando-se de uma gripe com carácter experimental, visando a população mundial como cobaias não pagas... e assustadas e até gratas por alguém vir seu socorro terapêutico. Mas se a gripe porcina é uma pandemia tão terrível como anunciam os meios de comunicação, se a Organização Mundial de Saúde se preocupa tanto com esta enfermidade, por que não a declara como um problema de saúde pública mundial e autoriza o fabrico de medicamentos genéricos para combatê-la? Prescindir das patentes da Roche e Relenza e distribuir medicamentos genéricos gratuitos a todos os países, especialmente os pobres... essa seria a melhor solução.
Um poema de Adília Lopes
O poema
sai barato
já não se escreve
com pena de pato
Um poema
é um poema
é um poema
Uma rosa
não é uma rosa
não é uma rosa
O rabo
é abstracto?
o poema
sobre o poema
(este poema)
engonha
mas não envergonha
32
Disseram-me que nasci às quatro e meia da tarde num dia de muito calor. Hoje não está assim tanto calor, mas também ainda não são quatro e meia da tarde.
Kropotkine
Ser bonzinho
Uma das tarefas que se revela difícil para mim nos dias de hoje é ser bonzinho. Ser bonzinho dá trabalho. Requer concentração – o mais difícil de tudo – pois a qualquer momento pode sair um “vai pró caralho e não me fodas mais os cornos seu imbecil de merda”, e ninguém quer que isso aconteça. Por isso temos de estar sempre concentrados. E atentos também. Principalmente a uma qualquer velhinha que deseje atravessar a rua (nota: não é necessário estar vestido de escuteiro). Ser bonzinho é um trabalho a tempo inteiro. O pior é que não há subsídio de desemprego quando deixa de haver trabalho (ou quando nos fartamos de ser bonzinhos). Há antes olhares de desdém, dedos apontados que dizem “aquele além já não é bonzinho”, café queimado quando vamos beber a bica ao sítio do costume, pastéis de nata com quinze dias, e todas as coisas más que possam imaginar. Ser bonzinho é mesmo díficil.
Resumo dos dias
Um poema de António Gregório
O meu amor por ela é o meu corpo deitado
nos carris. Já não avisto adiante a terna
locomotiva – o caminho de ferro curva –
nem vislumbro – pelo mesmo motivo – lá
mais atrás o fim da composição. Às vezes
suspeito que estes últimos vagões sou eu
a inventá-los que podia ir-me embora
mas amortece-me a toada vagarosa
e monótona dos rodados o acalento
do óleo morno que amiúde goteja
e acima de tudo a penumbra aqui em baixo
uterina coando a luz da manhã – essa
sim sem favores real e dilacerante.
Lí por aí
A angústia (às vezes) de ler
Linguagem
No outro dia estive quase a comprar um livro de Wittgenstein. Mas quando abri o livro e li, questionei-lhe a linguagem.
L'enfant terrible
Entro numa livraria e dou com um destaque: Biblioteca António Lobo Antunes. Não me importava nada de comprar o romance de Balzac. É um bom livro para as férias do verão. Mas não compro, pois não quero ter um livro que diz Biblioteca António Lobo Antunes. O que também não pode ser esquecido é que António Lobo Antunes já tinha iniciado a sua biblioteca na colecção de livros de bolso, mas depois houve uma birrinha do senhor e a colecção foi suspendida. Surge agora uma nova, mas noutro formato, que, a bem da verdade, é cuidado no seu grafismo. O que terá levado a esta mudança de postura de Lobo Antunes? Logo ele que, quando o grupo Leya tomou conta da Dom Quixote, ameaçou sair da editora e passar a ser editado só no estrangeiro?



