A frio
Em busca da Quitéria perdida
Pergunta
As Portas
Por causa da teimosia dela, dei comigo fechado na Pousada de Juventude de Guimarães. Não vou revelar tudo já, mas a "viagem" que fiz para sair foi melhor do que qualquer outra que tivesse feito, com ou sem passe social. Tão boa que as Pousadas de Juventude a gravaram para comemorar os 50 anos e lhe deram um nome. AS PORTAS é um filme-jogo interactivo e não linear produzido pelo Bode Expiatório. Estreia a 4 de Junho em http://www.pousadasjuventude.pt/.
Até lá, podes ir lendo o meu blog e visitar as minhas páginas no Facebook e no Hi5, onde encontrarás material de making-of, fotografias, teasers e muito mais.
Achas que me consegues ajudar a encontrar a saída? Vamos ver...
Pedro
Vergonha na cara?
Dias Loureiro saiu do Conselho de Estado.
Gettysburg
A maior, mais difícil batalha, que alguém pode travar é contra si próprio. E o pior é quando se perde a batalha. Como combater alguém que nos conhece? que conhece todos os nossos recursos, mecanismos de defesa e ataque? como se esquiva um golpe que sabemos ser certeiro?
Günter Grass
Sentido de ridículo
Sem dúvida que é necessário parar um pouco e pensar. Quando não se pensa, e se diz logo, há um grande risco de cair no ridículo. Penso que isso já aconteceu a muita boa gente: cair no ridículo. A mim acontece-me muitas vezes. É um dom que tenho.
Clamava violentenmente o meu coração contra todos estes meus fantasmas
Nestes últimos dias tive a tentação de começar a escrever os meus verdadeiros pensamentos sobre a humanidade. Desisti. Não há pensamentos suficientes que a possam salvar (a humanidade, entenda-se). E quem é que, afinal, ainda quer salvar a humanidade? Compreendê-la já seria muito bom. Ou melhor: seria o suficiente. Mas tentar compreender a humanidade será o equivalente a tentar provar a existência de Deus – ou o inverso: a sua não-existência. Como podem ver só fiz bem em não escrever nada. Afinal, para escrever apenas sete linhas (tenho como referência o Word) levei dez minutos (sete linhas até aqui). E vendo bem nada ou quase nada daquilo que escrevi faz grande sentido. Não tenho a capacidade de organizar o pensamento, como não tenho a capacidade de organizar os meus livros e a minha casa (dez linhas). Talvez me tenha feito falta a Matemática. É que nunca fui bom aluno a Matemática. Ainda hoje, às vezes, conto pelos dedos (não, não tenho vergonha), e engano-me (caso não tenham reparado esta última parte é uma hipérbole). E depois há a filosofia. Desde que me obrigaram a estudar Kant e Hegel que nunca mais fui o mesmo. E isto não quer dizer que mudei para melhor: não, isso não aconteceu. Kant e Hegel não me serviram para nada. Ainda no outro dia tentei ler Kant e fiquei na mesma. É muito difícil para mim. Não o entendo e não entendo onde ele quer realmente chegar. Talvez Kant não quisesse chegar: apenas partir.
Lí por aí
Pensamento do dia
Radiohead - Ceremony
(versão original da Joy Division)
Unknown Pleasures
The Eternal
E há ainda Tony Wilson. Sem ele o mundo nunca conheceria a Joy Division. Se Martin Hannett é o responsável pelo "som à Joy Division", Tony Wilson é o responsável pela imagem da Joy Divison: foi ele quem, pela primeira vez, levou o grupo à televisão. Tony Wilson fundou a Factory Records. Apoio e gravou grupos como A Certain Radio, Happy Mondays, James, Cabaret Voltaire, Durutti Column, Electronic, Orchestral Manoeuvres in the Dark, Quando Quango, entre outros. Tony Wilson morreu em 2007 de cancro. Não tinha dinheiro para pagar os tratamentos.
Pensamento do dia
Joy Division - Twenty-four Hours
Leaders of Men
Não podemos ignorar o contexto histórico em que a Joy Division esteve inserida: o movimento punk, Margaret Thatcher, o desemprego, a revolução islâmica no Irão, os restos da Guerra do Vietname, a Guerra Fria – que chegou a inspirar alguns textos a Ian Curtis – com o seu Muro de Berlim, o falhanço do Maio de 68. Todas as promessas de um mundo melhor pouco ou nada significavam. A música da Joy Divison era apenas um reflexo de tudo isso.
The Sound of Music
Disorder
Pensamento do dia
Joy Division - No Love Lost
An Ideal For Living
A aventura punk da Joy Division durou pouco tempo. É claro que a matriz punk está lá, mas Martin Hannett, genialmente, soube explorá-la de uma outra maneira, dando-lhe consistência. Warsaw foi o primeiro nome do grupo. Só mais tarde, quando decidiram avançar com a gravação do primeiro E.P. (ver imagem), o nome Joy Division foi adoptado. É claro que o nome é provocatório e a capa idem. Mas o objectivo estava conseguido: agitar consciências.
Heart and Soul
Pensamento do dia
Joy Division - Wilderness
Som à Joy Division

Love Will Tear Us Apart
Shadowplay
O primeiro contacto que tive com a música da Joy Division foi através dum colega do secundário. Passou-me para a mão uma cassete com o nome Shadowplay – Joy Division. Era um concerto pirata, com péssima qualidade, mas quando ouvi os primeiro acordes de Shadowplay fiquei em estado de choque: como era possível música daquela ter-me passado ao lado durante aqueles anos. Dos discos que trouxe muitas vezes da casa dum dos meus muitos primos havia The Cure, Clan of Xymox, The Jesus and Mary Chain, Love and Rockets, Cocteau Twins, entre outros. Nunca Joy Division. Depois daquela cassete posso afirmar, com toda a certeza, que nunca mais fui o mesmo. Posso não me ter tornado numa pessoa melhor. Mas nunca mais fui o mesmo.
Pensamento do dia
Joy Division - Colony
Yukio Mishima
Tell me why, I don't like Thursdays
Lí por aí
Há dias assim
Hoje o dia está fácil para a reflexão inútil.
Marcos 14, 34-36
Em jeito de justificação
No outro dia perguntaram-me por que razão eu era pessimista. Essa é uma pergunta que me custa muito responder. Mas penso que não é difícil imaginar algumas das razões. O colapso do Homem é evidente. Todos os dias temos provas de que o ser humano é um animal feroz e atroz. Considero, até, que o uso do termo humano é um eufemismo. O século XX foi um século repleto de guerra e atrocidades: I Grande Guerra Mundial, II Grande Guerra Mundial, Holocausto, Hiroxima, Dresden, Vietname, Guerra Iraque/Irão, I Guerra do Golfo, Guerra dos Balcãs, valas e valas comuns. O século XXI, que se queria um século de mudança e esperança – algo que ainda poderá vir a acontecer (o que duvido)–, foi iniciado com a II Guerra do Golfo. Que mais esperar do ser humano?
Pensamento do dia
Tori Amos - Crucify
Letras
Indignar-me é o meu signo diário (7)
Lí por aí
Apresentação da colecção Palavra Ibérica
Os Animais da Cabeça – Rui Dias Simão
Uma Ânfora no Horizonte – Maria do Sameiro Barroso
O Pequeno-almoço de Carla Bruni – Rui Costa
Agência do medo – Santiago Aguaded Landero
Privado – Fernando Esteves Pinto
Lisboa: dia 15 Maio na Livraria Pó dos Livros, às 18:30.
Porto: dia 16 Maio na Fnac NorteShopping, às 18:00.
Um poema de João Luís Barreto Guimarães
Decepção à regra
Sentar-me e
ver os outros passar é o
meu exercício favorito. Entretém.
Não esgota.
É gratuito. Neste meu jogo-do-não
são os outros que passam
(é aos outros que reservo a tarefa
de passar). Lavo daí os pés.
Escrevo de dentro da vida.
Pode até parecer que assim não
chego a lugar algum mas também quem
é que quer ir
ao sítio dos outros?
Vila
Tiago Araújo ou Tiago Araújo?
Um poema de Carlos de Oliveira
Descida aos Infernos
16.
Juro pelos meus olhos
que te venho pedir
o apocalipse da esperança:
a carícia da peste,
as patas dum cavalo,
o incêndio duma lança;
os dentes arrancados
à cárie da fome;
a dolorosa guerra
nos túmulos dos mortos
e dos vivos sem fome.
Hoje: Labirintos de Maria João Fernandes
Prefácio por escrever
O sol de frente
Tori Amos
A meu favor
Cada vez mais me distancio de tudo. Não sei se é pelo facto de estar a SW de (quase) tudo. É certo que este lugar também não ajuda. Na escola onde trabalho há três tipo de pessoas: as que tiveram uma depressão, as que têm uma depressão e as que estão perto de ter uma depressão. Nunca vi tanto consumo de antidepressivos. Começo a pensar que quase todos vieram para aqui trabalhar para fugir a tudo o resto. Não sei, no entanto, o que é tudo o resto. Eu cá pretendo terminar o ano lectivo com algum juízo. A meu favor (como no poema de O’Neill) tenho a Sagres de litro a um euro no hipermercado mais próximo. É claro que vou tentar não abusar: já tenho barriga suficiente e o verão está quase a chegar.
E eis que começa o dia
O dia começa com a visão de várias garrafas de cerveja numa mesa de esplanada. São nove da manhã. À volta da mesa um grupo de homens ri e fala alto. O sol começa a apertar, eles pedem mais cerveja e para acompanhar qualquer coisa para comer. Eu sigo o meu caminho. Entro no café e peço a bica de sempre e não deixo de pensar naquilo que li antes de adormecer. Durante a noite acordei várias vezes com calor. Ou seriam preocupações? Não sei. Os homens lá fora continuam a rir e falar alto. É só mais um dia: penso.
Solar
Apesar de ter uma escrita visceral e atormentada, não consigo deixar de considerar Mishima um escritor solar. Não sei se estará relacionado com o facto de só o ler em dias de sol e à beira-mar. O único livro que dele não li à beira-mar e em dias de sol foi Depois do Banquete, livro fortíssimo e bastante diferente do Mishima a que estava habituado. Mishima é, para mim, um escritor solar. É claro que a escrita solar de Mishima é mais semelhante a um clarão, que ofusca e queima, do que à luz tépida do fim da tarde. Quando falo de Mishima também poderia falar de Ícaro. Penso que os dois são em muitos aspectos semelhantes. Poderei estar enganado. Mas continuarei a ler Mishima em dias de sol.
Dia da Asma
80's
Definitivamente sou um moço do anos 80. Ouço The Sound, Tuxedomoon, Magazine, Joy Division e penso: eu não sou daqui. Definitivamente não sou daqui.






