No estágio não me prepararam para isto
Pensamento do dia
Nick Cave and the Bad Seeds - Bring It On
Ficar sem palavras
Que fique claro
Todos merecem o meu respeito, mas uns mais do que outros.
Fel, mas não o de José Duro
Quando me sinto bastante amargo evito aqui vir. No entanto, e como o fel se acumula, é melhor escrever alguma coisa. Escrever por escrever é a coisa que eu mais faço. É raro ter uma intenção quando escrevo. Mas hoje abro uma excepção: a minha intenção é despejar o fel. Por isso, caro leitor, antes de ler este post até ao fim, é melhor prevenir-se com um anti-ácido.
Big man, pig man, ha ha charade you are
Pensamento do dia
T-Rex - Children of the Revolution
Revolução
Daí a ausência
Um poema de Jorge Fallorca
Ah, deixem-me passar.
Os textos respiram sobre a mesa. Uma casa explode algures, na beira alta, como uma morte inteligente dentro da infância.
Pensamento do dia
Pink Floyd - Echoes (part I)
Indignar-me é o meu signo diário (6)
Vírgulas
O que salva o dia são os Fleet Foxes
Caso leias isto ficas a saber que...
um fim-de-semana sem ti não é grande coisa.
Apresentação de Versos Olímpicos de José Ricardo Nunes

Pensamento do dia
José Mário Branco - Inquietação
Um poema de Glória de Sant'Anna
Egoísmo
Eu,
estudar apenas
o sentido estético da tarde.
Nem grandes sentimentos,
rolando
em alinhamentos compactos
das reminiscências
dos factos, ou não.
Nunca atitudes suspensas,
vindas de conhecimentos
vastos,
da grande multidão das coisas
com sequência.
Nada.
Apenas eu, estudando
através do gozo de estar ao sol
numa cadeira vermelha
já velha,
o sentido estético da tarde.
Qualquer dia o meia-noite todo o dia é o blogue mais lido (2)
Agora foi a vez deste.
Ruben A.
Indignar-me é o meu signo diário (5)
Ouço a notícia e não quero acreditar (o que começa a ser habitual com as notícias neste país, mas depois de ler que a palavra de deputado faz fé, já acredito em tudo): as famílias das vítimas da queda da ponte de Entre-os-Rios vão ter que pagar as custas judiciais do processo que absolveu os seis técnicos, que, supostamente, eram responsáveis por verificar o estado da ponte Hintze Ribeiro, que acabou por cair a 4 de Março de 2001. Parece que vão ter que pagar entre 350 a 400 mil euros.
Mas que raio de país é este? Desculpem lá cair na mesma ladainha de sempre. Mas que raio de país é este? Existem técnicos responsáveis pela verificação do estado estrutural de uma ponte. A ponte cai, o que, pela lógica, indica que a sua estrutura não estaria nas melhores condições (e não é preciso ser técnico ou engenheiro para chegar a essa conclusão). Os técnicos são absolvidos, apesar da ponte ter caído. Afinal, de quem é a culpa? Morre novamente solteira? A culpa será de todos aqueles que iam no autocarro? Tivessem escolhido outro dia, não é? Ora quem os mandou passear num dia assim? Chovia tanto e o rio estava tão bravo! Olha o descaramento!
Um poema de Luís Miguel Nava
Atirávamos pedras
à água para o silêncio vir à tona.
O mundo, que os sentidos tonificam,
surgia-nos então todo enterrado
na nossa própria carne, envolto
por vezes em ferozes transparências
que as pedras acirravam
sem outro intuito além do de extraírem
às águas o silêncio que as unia.
em Poesia Completa: 1979-1994, Lisboa: Publicações D. Quixote, 2002.
Separadas à nascença ou upgrade da Conceição Lino?
Qualquer dia o meia-noite todo o dia é o blogue mais lido
O nascer do sol é mais um que fecha as portas
Lí por aí
Imparcialidade
Um poema de José Ricardo Nunes
Nós, as crianças
Trocamos as cores,
desconhecemos onde acaba a mão direita
e recomeça a esquerda.
Inventamos novas palavras sem saber
que desde sempre havia mundo para elas.
Ou roubamos as sílabas.
Mas somos ainda menos do que crianças,
muito menos do que aquelas crianças
que levam tudo à boca.
SW
Cheguei cansado. Cinco horas de viagem (pois eu sou um condutor dentro dos limites) deram cabo de mim. Um duche rápido, desfazer a barba e almoçar uma bifana no prato. E depois é chegar aqui e ter que enfrentar uma casa vazia, sem nada de meu que me prenda a ela. O tempo também não ajuda. Se ao menos o sol brilhasse um pouco.
Irene Lisboa
Um poema de A.M. Pires Cabral
As Prostitutas
Naquele tempo,
elas desciam à vila, as prostitutas –
a única saída,
exactíssima resposta para a nossa
angústia seminal acumulada.
Vinham de Vale da Porca, ou outra
terra assim pasmada.
Traziam na cabeça lenços garridos,
na carteira de mão a triste história:
a sedução primária, a miséria espessa,
mas jamais o vício mercenário.
Nas eiras recebiam as nossas águas,
de permeio plantados como reis.
Procuravam lisonjeiras acertar
seu êxtase fingido com o nosso.
Beijavam-nos, diziam: tão novinho!
Suportavam-nos insultos e arremessos.
Com a mão experiente (mas não habituada)
guiavam-nos na bela, impreterível,
urgente aprendizagem,
concediam-nos crédito e carinho –
as tão castas mulhers,
as prostitutas.
Daqui até lá são 500km certinhos
Eno, não o Brian: os sais de fruto
Um poema de Helder Moura Pereira
Eu ateio fogo a estes jornais,
quase sem querer estou
dentro de alguém, discordo
em absoluto da necessidade
de termos tido de aturar
Freud. Não era decerto
isto o que queriam dizer
quando falavam da tal liberdade
dos poetas. Acontece que há poetas
e poetas, os direitos de uns
não são os direitos de outros.
O único território que, sem ser
sistema, maneja o fundamento
da justiça em a-propósito
radical. Podes atirar os pensamentos
na fácil confusão destas palavras
ou mesmo achá-las muito claras
mas servirás o mundo
como o não-servir e na atitude
humana aguardarás o impossível.
Influências
Janela
Um poema de Paulo da Costa Domingos
Pelo amor da morte dissera: eu
não quero trinta dinheiros
múltiplo do santo
indulgência não
quero vingança paga em esperma
e enforcou
- se o desfile das sombras não fosse um jogo espirita de
ninar
condenados o lintel da greta gótica de Platão,
seriam rabos de fogo? Ex
tinta luz nesta era intermédia e
ninguém nos ouvirá Bem, a corrente vibra
fios na sensualidade da forca.
Parker
Lí por aí
Um poema de Helga Moreira
Estamos num quarto branco ou cinzento
assumindo a solidão e o prazer.
Apenas algumas vogais enternecendo sílabas,
sinais, ó noite de rimas!
Visito-te de púrpura, ponho um nome na rua
de qualquer dia, entre o dever
e a capacidade de sonhar.
Amo-te vestida de carne e suor.
Da realidade
Texto
Um poema de Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Poema Tipicamente Masculino
Até porque em geral
não estão demasiado connosco
no dia seguinte
não nos deverá desagradar a ideia
de andar com a mulher dos outros
Uma vez imiscuídos em seus lares
achemos excelentes os trens de cozinha
da Filipa Valha-nos Deus.
Adoremos ver repetidamente
a recepção no claustro
e a lua de mel
no vídeo do casamento
do D. Duarte e da Dona Isabel.
E a ideia realmente inteligentíssima
de irem às compras de produtos dois-em-um
levando nos sapatos
as palmilhas do Dr. Metz
atingindo assim um moderno três-em-um
dever-nos-á deixar profundamente apaixonados
A mim
andar com a mulher dos outros
dá-me uma certa satisfação
não digo que não
Resta-me uma dúvida
será dever-nos-á
ou será deveranos
não sei porquê mas dever-nos-á
soa melhorzinho
Sol (3)
Sol (2)
Sol
Um poema de João Habitualmente
Canção Alentejana
A menina estava à janela
com o seu cabelo ao vento
Pus-me nela
mas nem mesmo da vidraça
da minha própria janela
lhe podia ver a graça espelhada no relento
E nem mesmo a vi a ela
Não me vou daqui embora
(nem que chovam canivetes)
sem levar uma prenda tua
sem levar a roupa dela
Pode ser que seja bela
e enquanto estiver nua
hei-de à noite pôr-me nela
na minha pobre janela
com o meu cabelo à lua
Uma questão de intimidade
On the road
Um poema de Fernando Guerreiro
Crítica do sentimento
Não há juízo poético, apenas algumas luzes perdidas
pela planície onde os corvos vêm escurecer os vícios.
Não deixarei contudo que o pensamento estrague a paisagem
ou que as palavars atapetem, de rosas, o precipício.
Em poesia, não há verdadeiramente sentimentos,
apenas combóios que passam e que com a sua lentidão
interrompem o discurso. No côncavo da vaga, ecoando
no seu centro, o oceano substitui-se à palavra
que rasura o destino. Porque não há leis
para a paixão e quem a experimenta, aprende
quão anónimo é o seu sentido. Por isso,
o sentimento, na poesia, não é um recorte
na paisagem, nem com a Natureza se confunde.
Mais interiormente, tem que ver com a forma
como as garças se perdem no horizonte,
alucinando com os seus gritos o voo do Futuro.
Plano Nacional de Escrita SMS
Nota: enviado pelo Henrique Manuel Bento Fialho via e-mail.
Da poesia (18)
Indignar-me é o meu signo diário (4)
Pequeno texto sobre coisa nenhuma mas com um pequena referência ao tempo e onde se pretende alertar o leitor para o surgimento de uma nova ciência
Um poema de João Camilo
A olhar para os Alpes
Tu ias ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra,
eu estou aqui sentado a olhar para os Alpes.
Tu ias ao café Martinho falar de poesia,
eu estou aqui sentado a olhar para os Alpes.
Tu vias da janela o Esteves da tabacaria,
eu estou aqui sentado a olhar para os Alpes.
Como uma vaca lenta e sonolenta, eu
estou aqui sentado a olhar para os Alpes.
João Camilo
Pensamento do dia
Morrissey - Jack the ripper
Ao cuidado do Senhor Anónimo
A canga
Dia porreiro
Estou por Coimbra
Vai um café?






