Dia 31 de Janeiro
Gato Vadio, 17h
Apresentação de Rui Lage
(clicar na imagem para aumentar)
Ontem não foi um dia muito porreiro. Tive que engolir um sapo do tamanho de um boi. Nem duas saquetas de Eno me ajudaram a digeri-lo.

No contexto da minha entrevista à Lusa (aqui) e tendo em conta que até agora não nos foi facultado o acesso aos emails dos membros do PEN, agradeço aos membros do PEN que lerem este texto que entrem em contacto connosco (email abaixo). São estes os nossos principais objectivos:
1. DEMOCRATIZAR O PEN
Consideramos que a actividade do PEN nos últimos anos se centrou demasiado nos elementos com funções directivas, em vez de estimular a participação de todos os seus membros e a interacção destes com a sociedade em geral.
Queremos maior rotatividade no que diz respeito à composição dos júris dos prémios literários patrocinados pelo PEN.
2. PROMOVER UMA LITERATURA VIVA
Gostaríamos de contribuir para que argumentos de autoridade valessem cada vez menos no estabelecimento do mérito literário.
Queremos que os membros do PEN tenham maior oportunidade de divulgar o seu trabalho, e solicitaremos a sua participação em eventos que possam despertar o público para obras de qualidade.
Agradeço a TODOS os leitores deste blog a divulgação deste texto.
Para sugestões, críticas e o mais que entenderem (sejam ou não membros do PEN), o meu email é: msgtorc@hotmail.com
Rui Costa
«o mal de muita gente é que anda aos gritos
o mal de alguns de nós é já a esgana»
Violent Femmes - Add it up
Desde que entrei na vida
em queda livre,
comecei a perder
dela o horizonte
a conhecer.
A todo o pano
procurei: fiquei
na dúvida.
E tudo
se transformou
num sopro.
«A opinião pública tem sempre razão, sobretudo quando é bastante estúpida...»
É só uma palavra de que gosto.
Depois de dias e noites
de sonambulismo
as paredes,
uma após outra,
vão ruindo.
Assim, para viver:
invisto em artes
de mergulho.
Não gosto e nunca gostei de Xutos e Pontapés. Mas 30 anos são 30 anos.
Depois da operação de marketing que foi A Faca Não Corta o Fogo, eis que chega Ofício Cantante. Não tenho paciência para estas coisas. Ridículo? É pouco.
O regresso mais esperado para 2009.
Um gajo tomar consciência aos 31 anos que está, irremediavelmente, a envelhecer.
No fundo, no fundo, todos nós temos uma veia estalinista.
Ideia: juntar os contributos de alguns portugueses sobre a situação de viver num país como o nosso neste determinado momento histórico pelo qual estamos a passar. A proposta não podia ser mais abstracta: cada um terá um país diferente (geográfica e culturalmente, cada um fez os caminhos que fez), e o seu momento histórico será deveras influenciado pelos seus interesses pessoais. Estará aí mesmo o interesse deste exercício: gerar algum debate em volta da forma como sentimos e vivemos o nosso país e os nossos tempos.
Porquê: a falta de um pensamento que seja enraizado na experiência de um viver no nosso tempo. Não nos reconhecemos nas análises que são feitas, nem nos movimentos que se constituem em volta do poder. Não queremos poder, mas queremos perceber. Pensando em conjunto, pode ser que se encontre alguma coisa. Pode ser que não.
Modo: cada um dos autores será desafiado a escrever pequenos textos sobre diversos temas. O primeiro desafio é escrever uma apresentação do que é a vida neste país aqui agora para cada um. Neste desafio, para além da apresentação do ponto de partida de cada um, esperamos que possam propor uma direcção para a reflexão que vamos fazer. Essas propostas constituirão os desafios seguintes do grupo.
Manhã: Ensaio.
Tarde: Poesia.
Noite: Romance.
Antes do Hip Hop
Antes do
Hip Hop
já existiam
Nat
King
Cole
Sugar Ray
e
Miles
Ter estilo
definia-se
pela maneira
como
seguravas
um cigarro entre
os dedos ou entravas
num ringue ou simplesmente
encontravas o palco
e viravas as costas
ao mundo.
Rowan Atkinson - A Warm Welkome
A partir dos 16 anos comecei a ter algumas questões por resolver com Deus. Coincidiram, de certa forma, com o crisma. Sim, sou crismado (sempre quis ser padrinho de alguém mas nunca ninguém me convidou). E, coincidiram, também, com as primeiras leituras de Kierkegaard e Nietzsche. A partir dessa altura tem sido um carrossel. Não sei se já repararam mas não acredito muito na existência de Deus ou de deuses. Tal facto devia, por si só, resolver todas as questões por resolver com Deus: se não acredito Nele não deveriam existir questões com Ele, deveria viver a minha vida em plena Liberdade, sem me preocupar com castigos e com o fogo eterno. Só que não consigo. Até hoje não consegui eliminar toda a tradição romano-cristã em que fui educado. Resumindo: não me consigo ver livre do padre que há em mim.