Para ti, amor



Astor Piazzolla - Libertango

Hoje na Trama: 3 Poetas Tramados


(clicar na imagem para aumentar)

Quarto com Ilhas, de Manuel Moya
apresentação de Luís Filipe Cristóvão
Antologia Drink River, de Fancis Vaz
apresentação de Tiago Nené
Os Animais da Cabeça, de Rui Dias Simão
apresentação de Vitor Cardeira

Eno


Ontem não foi um dia muito porreiro. Tive que engolir um sapo do tamanho de um boi. Nem duas saquetas de Eno me ajudaram a digeri-lo.

Dá-Lhe com força!


«All right, God, say that you are really there. You have put me in this fix. You want to test me. Suppose I test you? Suppose I say that You are not there? (…) I am thougher than You. If You will come down here right now, I will spit into your face, if You have a face. And do You shit? The priest never answered that question. He told us not to doubt. Doubt what? I think that You have been picking on me too much so I am asking You to come down here so I can put You to the test!»


Charles Bukowski, Ham on Rye, New York: Ecco, 2002, p. 141.

Arrastado pela corrente


Há algum tempo o Miguel tinha-me desafiado. Não respondi. Hoje foi o Henrique. Decidi responder aos dois. Acho que não cumpri muito os requisitos. Não acorrento ninguém.

1 - És homem ou mulher?
Macho Macho man! – Village People.

2 - Descreve-te
I dont wanna grow up – (versão do) Tom Waits

3 - O que as pessoas acham de ti?
You Sexy Motherfucker - Prince

4 - Como descreves o teu último relacionamento?
¡Loco! ¡Loco! ¡Loco!/Cuando anochezca en tu porteña soledad,/por la ribera de tu sábana vendré/con un poema y un trombón/a desvelarte el corazón. - Astor Piazzola

5 - Descreve o estado actual da tua relação
¡Loco! ¡Loco! ¡Loco!/Cuando anochezca en tu porteña soledad,/por la ribera de tu sábana vendré/con un poema y un trombón/a desvelarte el corazón. - Astor Piazzola

6 - Onde querias estar agora?
A bar under the sea - dEUS

7 - O que pensas a respeito do amor?
Love Will Tear Us Apart – Joy Division

8 - Como é a tua vida?
Day afterday/I get angry - Violent FemmesItálico

9 - O que pedirias se pudesses ter um só desejo?
Why cant I get just one fuck/Why cant I get just one fuck - Violent Femmes

10 - Escreve uma frase sábia
Planet earth is blue/And there's nothing I can do - David Bowie

(...)


Este texto, leitor, foi escrito a pensar no texto que poderia ser escrito caso eu escrevesse com a mão esquerda. É claro que isso pouco importa, pois na realidade estou a escrevê-lo no processador de texto. Escrevo o texto com as duas mãos, que é algo bem diferente de escrevê-lo só com uma, embora só utilize alguns dedos das mãos: indicador da mão direita (às vezes também o polegar) e indicador da mão esquerda. Nunca tive aulas de dactilografia e por isso habituei-me a escrever assim. Não sei, no entanto, quantas palavras consigo escrever por minuto. Também não estou preocupado com isso. Não quero escrever um romance em tempo recorde. Não quero escrever um romance. Estou mais preocupado com o texto que agora estou a escrever com alguns dedos das duas mãos. Estou mais preocupado em saber como seria escrevê-lo com a mão esquerda. Estou mais preocupado com o facto de me estar a repetir. É claro que posso sempre tentar escrevê-lo no processador de texto só com a mão esquerda. Mas eu estava a referir-me escrevê-lo com caneta, sobre o papel, e com a mão esquerda. Sim, leitor. Eu sei que tu já tinhas chegado a essa conclusão.

Das (quase) semelhanças


Este blogue está cada vez mais parecido com os últimos tempos do Estado Civil: repetitivo e chato, mas mal escrito.

John Updike



John Updike
1932-2009

Carta Aberta aos Membros do P.E.N. Clube Português


No contexto da minha entrevista à Lusa (aqui) e tendo em conta que até agora não nos foi facultado o acesso aos emails dos membros do PEN, agradeço aos membros do PEN que lerem este texto que entrem em contacto connosco (email abaixo). São estes os nossos principais objectivos:

1. DEMOCRATIZAR O PEN

Consideramos que a actividade do PEN nos últimos anos se centrou demasiado nos elementos com funções directivas, em vez de estimular a participação de todos os seus membros e a interacção destes com a sociedade em geral.

Queremos maior rotatividade no que diz respeito à composição dos júris dos prémios literários patrocinados pelo PEN.

2. PROMOVER UMA LITERATURA VIVA

Gostaríamos de contribuir para que argumentos de autoridade valessem cada vez menos no estabelecimento do mérito literário.

Queremos que os membros do PEN tenham maior oportunidade de divulgar o seu trabalho, e solicitaremos a sua participação em eventos que possam despertar o público para obras de qualidade.

Agradeço a TODOS os leitores deste blog a divulgação deste texto.

Para sugestões, críticas e o mais que entenderem (sejam ou não membros do PEN), o meu email é: msgtorc@hotmail.com


Rui Costa

Duas pequenas notas e não volto mais a estes assuntos (9)


1. Há aqueles que começam a apregoar o fim da blogosfera portuguesa. Dizem que está decadente e a desviar-se da democraticidade dos primeiros tempos, onde se procurava o debate de ideias e não o conflito (esta frase é uma clara referência a um texto de João Lopes, caso não tenham percebido). Concordo em parte que o debate de ideias tem diminuído muito na blogosfera portuguesa, mas ainda há excepções que, mesmo minadas por anónimos prontos a descarregar todo o seu fel, lá vão resistindo. Mas pergunto: quando é que houve um verdadeiro debate de ideias na blogosfera? Não podemos esquecer que os dinamizadores dos ditos blogues de referência são os mesmos que dinamizam a dita imprensa de referência (que isto em Portugal é tudo de referência). Chegaram ao mundo dos blogues numa tentativa de minimizarem os danos colaterais, numa tentativa de não perderem o pé, numa tentativa de manter tudo como estava. Não conseguiram. Razão? A blogosfera dá a hipótese de resposta imediata, de debate de ideias imediato, algo que não acontece na imprensa. E para isso eles não estavam preparados. Daí o declínio, o desgaste, a desmotivação. É que o debate de ideias é muito bonito, mas desde que seja o nosso debate sobre as nossas ideias.

2. O recente caso Freeport é, tão só e apenas, mais do mesmo. A este caso podemos juntar o do BPN, BCP e BPP. A justiça quer-se célere. E nós todos já conhecemos a celeridade da justiça portuguesa: todos os casos resolvidos entre os 5 e o 10 anos foram resolvidos à velocidade da luz. É um caso tão igual aos outros que já ninguém liga e pessoas como Luís Delgado chegam ao cúmulo de dizer, em directo na televisão, que neste país sempre houve “cunhas” (de acordo) e que só resta saber se esta foi uma “cunha benigna” ou uma “cunha maligna” (desculpe?). Não sei se uma cunha pode ser benigna ou maligna, mas sei que não deixa de ser um cancro.

Não confio nem acredito


Todos os criminosos de colarinho branco portugueses dizem que confiam na autoridade e acreditam na justiça. Começo a acreditar que confiam e acreditam pelo simples facto de saber que tudo fica na mesma. Pois eu digo: não confio na autoridade nem acredito na justiça, pelas mesmas razões dos anteriores.

(...)


Escrevo este texto 15 minutos antes de começar a leccionar. Estou tão cansado, mas tão cansado, que a vontade era ir para casa deitar-me na cama e acabar de ler o livro que ando a ler. Adormecer a fazer isso, a ler. Preciso de descansar e o pior é que o meu horário actual me permite fazer isso. Se eu quiser posso ficar na cama até ao meio-dia, levantar-me, tomar um duche e tomar o pequeno almoço descansado. Só que eu não faço isso: não me quero tornar num mandrião. Todos os dias o despertador toca às 8.30 e eu levanto-me lá para as 9.00. Não me quero tornar num mandrião. Assim tenho tempo para ler e escrever. Algo que sempre quis ter: tempo. Mas ter tempo, afinal, não é tudo. Quanto mais tempo tenho para fazer as coisas que mais gosto, menos me apetece fazê-las. Venho antes para a escola e preparo as aulas, para depois ficar a vaguear pela net e por blogues que leio todos os dias. E assim vou passando o tempo. Não sei se este texto faz muito sentido, leitor. E, sinceramente, estou-me a cagar.

Começar o dia


«o mal de muita gente é que anda aos gritos
o mal de alguns de nós é já a esgana»

Fernando Assis Pacheco, A Musa Irregular, Lisboa: Assírio & Alvim, 2006, p. 145.

Em Fevereiro


Xavier Queipo, Árctico, Livrododia.

Pequenos prazeres


Dos vários textos existentes por aí há uma série que gosto sempre de ler: Ocasionalmente ocupado a tomar notas, de Jorge Fallorca, no blogue frenesi (blogue que foi, recentemente, alvo de uma filha da putice). Sempre tive uma espécie de fascínio pela escrita dita “intimista” (diário, memórias, epistolografia). Os textos de Jorge Fallorca estão cheios de vida, ou melhor, da vida. A ler, definitivamente.

E assim concluo


Que está toda a gente à espera de toda a gente para, no fundo, toda a gente perder o autocarro.

Olha, paciência! (2)


Está para aqui um representante sindical que pensa que o PREC ainda está em vigor. Já estou farto dos sindicatos mascararem a sua incompetência com a "tirania" e a "prepotência" dos outros. Porra, pá!

Pensamento do dia



Violent Femmes - Add it up

A Noite e o Riso - um estudo (8)


Desde que entrei na vida
em queda livre,
comecei a perder
dela o horizonte
a conhecer.

A todo o pano
procurei: fiquei
na dúvida.

E tudo
se transformou
num sopro.

A opinião pública


«A opinião pública tem sempre razão, sobretudo quando é bastante estúpida...»


Louis-Ferdinand Céline, Castelos Perigosos, Lisboa: Ulisseia Editora, 2008, p. 133.

Mas, consideram-te?


Se disser que nunca vi um único filme de Godard, deixam de me considerar um pseudo-intelectual de esquerda?

Olha, paciência!


A verdade é que não tenho grande paciência. Sou como aquele gajo da anedota: «Meu Deus, dá-me paciência. Mas quero-a já!!». Tentei meditação transcendental, como o David Lynch, mas adormeço lá pelo meio (como também já aconteceu com alguns filmes do senhor). Sou assim: um gajo sem paciência.

Hoje não vou ser queixinhas


Hoje não me vou queixar. Esta coisa de um gajo estar sempre a queixar-se é uma grande treta. Um gajo nunca está contente com nada. Por exemplo: estou cheio de sono e foi muito difícil dar aulas. Mas não me vou queixar. Hoje não! Talvez amanhã isso aconteça. Mas hoje: não!

Comentários?


Privar


É só uma palavra de que gosto.

A Noite e o Riso - um estudo (7)


Depois de dias e noites
de sonambulismo
as paredes,
uma após outra,
vão ruindo.

Assim, para viver:
invisto em artes

de mergulho.

João Aguardela


João Aguardela
(1969-2009)


Mais valia estar
um parvo
no teu lugar.

VPV


Depois de jantar decidi ir esticar as pernas dando uma voltinha por S. Teotónio. Andei que me fartei e entrei novamente na escola para vir aqui dar uma vista d'olhos (sempre quis escrever isto assim). E quem é que vejo na TVi? Vasco Pulido Valente. Não sei se hoje é a sua primeira intervenção. Mas gostei de o ouvir. Como gosto de o ler.

Os senhores da Inspecção


Os senhores da Inspecção estão cá na escola. Fui chamado. A última vez que fui à Inspecção foi com o meu carro. Dizem que os senhores da Inspecção são como o homem-do-saco e como o papão. Eu nunca acreditei nessas histórias, mas uma vez chumbaram-me o carro e eu fiquei lixado.

A quase certeza de uma possibilidade


José Gil, no livro Portugal, Hoje – O medo de existir, defende que Portugal é o país da não-inscrição. O autor define inscrição como tudo aquilo que produz real e que se inscreve nesse mesmo real. Assim, segundo este autor, em Portugal pouco ou nada se inscreve, pouco ou nada produz real.

Desta maneira, talvez se entenda melhor o facto de uma revolução como o 25 de Abril não ter sentado no banco dos réus 50 anos de ditadura. A impunidade é total e absoluta. Quantos agentes da PIDE foram julgados e condenados pelos crimes que cometeram? Não nos podemos esquecer que muitos desses agentes torturaram e mataram pessoas, mas hoje são feitas biografias sobre alguns desses agentes. Onde estão os julgamentos dos responsáveis pela irresponsabilidade que foi a Guerra Colonial? Como se entende que um ditador como Salazar tenha sido o vencedor, já em plena democracia, de um “concurso” de popularidade? Como se entende que um ex-ministro da educação do Estado Novo – que, por muito mérito que possa ter, pactuou com um regime ditatorial – tenha um programa de televisão onde conta estórias sobre Portugal, sendo considerado por muitos como um grande e brilhante comunicador, quando tem no seu currículo a primeira (e única) carga policial sobre estudantes alguma vez ordenada por um ministro da educação?

Ora, o Portugal de hoje é reflexo do Portugal de ontem, isto é, de 50 anos de ditadura que não foi julgada por uma revolução. Repito: re-vo-lu-ção. Na realidade, a impunidade de um ditadura foi legitimada por uma revolução que instalou uma democracia.

É claro que não podemos esquecer que a revolução de Abril foi festejada e recebida de braços abertos, apesar da incerteza dos primeiros anos e da possibilidade de ela ser apenas «uma simples mudança de cenários gastos que não alteraria o pacatíssimo e delicioso viver à-beira mar plantado» (Eduardo Lourenço). No entanto, passados todos estes anos, essa possibilidade é hoje quase uma certeza.

texto originalmente publicado aqui.

Lí por aí


«Há gente morrendo em Gaza, o cardeal de Lisboa adverte para os malefícios do casamento de moças cristãs com marmanjos muçulmanos e os juízes conservadores iranianos voltam a condenar adúlteros à morte por apedrejamento, mas o mundo é suficientemente surpreendente e diverso para gerar também bons exemplos e motivos para, apesar de tudo, mantermos alguma esperança relativamente ao destino da degenerada espécie a que pertencemos.»

Manuel Jorge Marmelo, em Teatro Anatómico

Esclarecimento


Não gosto e nunca gostei de Xutos e Pontapés. Mas 30 anos são 30 anos.

Coisas que acontecem


Um gajo vai almoçar e pede um vinho da casa. Sai uma bomba do caraças e ao fim do primeiro meio copo já a coisa anda na cabeça e tolda os olhos, mas mesmo assim arrisca-se mais meio e está o burro nas couves. O pior é que na televisão passa o programa da Fátima Lopes e aparece uma senhora que acolhe crianças em casa, dando-lhes mimos, sem receber qualquer compensação monetária em troca. Está tudo bem até ao momento em que aparecem algumas das crianças (já homens feitos) e desata a choradeira. Quando dou por mim estou também a chorar feito uma Madalena arrependida. O vinho, apesar de ser uma bomba, nem era mau de todo.

Mas, ainda é para levar a sério?




Depois da operação de marketing que foi A Faca Não Corta o Fogo, eis que chega Ofício Cantante. Não tenho paciência para estas coisas. Ridículo? É pouco.

Last Breath


O regresso mais esperado para 2009.

É muito mau?


Um gajo tomar consciência aos 31 anos que está, irremediavelmente, a envelhecer.

Eu queria encontrar aqui ainda a terra: o livro




Depois da peça que a estrutura de produção teatral do TMG, Projéc~, apresentou em Maio de 2008, é agora a vez do Teatro Municipal da Guarda e do Centro de Estudos Ibéricos editarem em livro os textos da autoria de António Godinho e de manuel a. domingos, no âmbito da Colecção Cadernos TMG. “Eu queria encontrar aqui ainda a terra” é uma peça teatral baseada nas narrativas cruzadas de duas figuras de peso da cultura portuguesa: Vergílio Ferreira e Eduardo Lourenço.

Trata-se do número 10 desta colecção e será apresentado no Sábado, dia 10 de Janeiro, no Café Concerto, pelas 21h30. A entrada é livre.


do blog do Teatro Municipal da Guarda

Lembrete


Fantasmas


Falemos de fantasmas. Da força que têm para atormentar a vida de qualquer um. Quem não tem fantasmas, quanto a mim, não é humano. É inerente ao ser humano defrontar-se com fantasmas, combatê-los, derrotá-los. Ou não. Eu tenho a minha boa dose de fantasmas. Às vezes parece que são demasiados. Os confrontos são violentos e podem durar vários dias. E quando terminam nunca terminam com uma vitória ou derrota. Terminam, isso sim, devido ao cansaço de ambos. E um dia mais tarde é retomado. Pois um combate com um fantasma nunca está terminado.

Trabalhar


No primeiro intervalo do turno da manhã disse, alto e bom som, que não gosto muito de trabalhar. Disse, ainda, que se pudesse viver do ar que respiro seria o ideal para mim. É claro que dizer isto numa altura em que os professores são acusados de tudo e mais alguma coisa, não caiu bem em alguns dos meus colegas. Vieram com filosofias da treta a dizer que rapidamente me cansaria de não fazer nada, que iria ser o marasmo e o tédio. Não concordo, disse. O marasmo e o tédio são uma consequência directa da rotina, da vidinha minimal e repetitiva (como diz um amigo meu), expliquei. Não senhor, disseram. E cada um ficou com a sua opinião. Mas eu, aqui, reitero: não gosto muito de trabalhar e não me dou bem com a rotina quotidiana do trabalho. Considero-o cruel e vil. Entediante. Mas não pense o leitor que sou um sorna. Sei quais as minhas responsabilidades, os meus deveres. Tento cumpri-los, dando o meu melhor todos os dias. Mas não gosto muito de trabalhar.

Ar frio


Pensa no silêncio quando de manhã sais. Sim, há sempre um silêncio, principalmente quando fechas a porta de casa. Depois, pensa no ar frio que respiras, no ar frio que sentes na cara, no ar frio que te estala os ossos, no ar frio que.

Dedicatória


Não sei se aqui vens muitas vezes. Mas este post é dedicado a ti.

Veia


No fundo, no fundo, todos nós temos uma veia estalinista.

Português para Estrangeiros


Todos os dias chegam novos alunos para Português para Estrangeiros. Parece que agora é necessário um papel qualquer para renovarem a autorização para pernamecer no nosso país. E eles vêm.

a vida neste país aqui agora


Ideia: juntar os contributos de alguns portugueses sobre a situação de viver num país como o nosso neste determinado momento histórico pelo qual estamos a passar. A proposta não podia ser mais abstracta: cada um terá um país diferente (geográfica e culturalmente, cada um fez os caminhos que fez), e o seu momento histórico será deveras influenciado pelos seus interesses pessoais. Estará aí mesmo o interesse deste exercício: gerar algum debate em volta da forma como sentimos e vivemos o nosso país e os nossos tempos.
Porquê: a falta de um pensamento que seja enraizado na experiência de um viver no nosso tempo. Não nos reconhecemos nas análises que são feitas, nem nos movimentos que se constituem em volta do poder. Não queremos poder, mas queremos perceber. Pensando em conjunto, pode ser que se encontre alguma coisa. Pode ser que não.

Modo: cada um dos autores será desafiado a escrever pequenos textos sobre diversos temas. O primeiro desafio é escrever uma apresentação do que é a vida neste país aqui agora para cada um. Neste desafio, para além da apresentação do ponto de partida de cada um, esperamos que possam propor uma direcção para a reflexão que vamos fazer. Essas propostas constituirão os desafios seguintes do grupo.

Planificação diária


Manhã: Ensaio.
Tarde: Poesia.
Noite: Romance.

Como se isso importasse a alguém


Contei como passei a passagem de ano mas ainda não contei como comecei o ano. Comecei o ano com um grande pêlo encravado no queixo. E hoje uma dor de coluna – fruto da viagem de carro (eu sei, sou uma flor de estufa*).

*dito assim não soa lá muito bem, pois não?

SW


A viagem lá foi feita. Encontrei a casa fria. Tomei um duche, desfiz a barba. Almocei. Parece que vêm aí dias frios, principalmente a partir da próxima quarta-feira. Tenho um radiador a óleo. Deve chegar. Também trouxe livros suficientes para 3 meses de leituras. Talvez não leia metade. Talvez os leia todos. Tanto faz. Estou cansado. Só me apetece dormir.

Versões


Antes do Hip Hop

Antes do
Hip Hop
já existiam

Nat
King
Cole

Sugar Ray
e
Miles

Ter estilo
definia-se
pela maneira

como
seguravas

um cigarro entre
os dedos ou entravas
num ringue ou simplesmente

encontravas o palco
e viravas as costas
ao mundo.

E. Ethelbert Miller, «Before Hip Hop», inédito (retirado do site oficial do autor).
versão de manuel a. domingos

Questões por resolver



Rowan Atkinson - A Warm Welkome


A partir dos 16 anos comecei a ter algumas questões por resolver com Deus. Coincidiram, de certa forma, com o crisma. Sim, sou crismado (sempre quis ser padrinho de alguém mas nunca ninguém me convidou). E, coincidiram, também, com as primeiras leituras de Kierkegaard e Nietzsche. A partir dessa altura tem sido um carrossel. Não sei se já repararam mas não acredito muito na existência de Deus ou de deuses. Tal facto devia, por si só, resolver todas as questões por resolver com Deus: se não acredito Nele não deveriam existir questões com Ele, deveria viver a minha vida em plena Liberdade, sem me preocupar com castigos e com o fogo eterno. Só que não consigo. Até hoje não consegui eliminar toda a tradição romano-cristã em que fui educado. Resumindo: não me consigo ver livre do padre que há em mim.

(...)




Ao contrário daquilo que podem estar a pensar, a minha vesícula não está a sofrer devido aos excessos de ontem. A passagem de ano foi calma. Um bacalhau grelhado ao jantar – que estava divinal – e um pouco de champanhe quando soaram as doze badaladas. Depois, um pouco de televisão e às três da manhã já estava na cama. Acordei hoje às nove da manhã. Não vou continuar a dizer como foi o resto do dia, pois o principal problema deste local é a tendência para o seu autor se revelar demasiado, para se expor sem, na realidade, se expor. Tudo o que eu posso estar para aqui a dizer pode ser, na realidade, uma grande mentira. Quem garante ao leitor que o eu que escreve é, na realidade, o eu que vive. É a velha questão de sempre.

Para começar o ano


Ontem fiz as últimas compras de 2008. Aproveitando um cheque-oferta, comprei livros. São eles que me vão acompanhar nas primeiras semanas de 2009 (ou meses, pois sou um leitor muito lento e indisciplinado). Prosa: A Ruína do Anjo, O Templo da Aurora (os últimos dois volumes da tetralogia O Mar da Fertilidade) e Depois do Banquete, todos de Yukio Mishima*. Poesia: Folclore Íntimo, de valter hugo mãe. E ainda ali tenho, na área do ensaio, Heterodoxia I e II, de Eduardo Lourenço.

*o meu fascínio pela escrita deste senhor não acaba.

O 1º de 2009


O primeiro post de 2009 serve para agradecer ao Eduardo Pitta , ao Sérgio Lavos e ao PMRamires as referências nos respectivos blogues. Eu nem sou muito destas coisas, mas devo dizer que fiquei babado. Serve também para dar os parabéns ao Eduardo Pitta e ao João Paulo Sousa por 4 anos de Da Literatura.