16 Horsepower - For Heaven's Sake
Branco
Aqui a neve ainda está a cair. E aí?
Duas pequenas notas e não volto mais a estes assuntos (7)
2. O caso BPN e o caso BPP são um exemplo do marasmo a que este país chegou. O primeiro, pelo facto de toda a gente saber a marosca que foi feita e ninguém fazer nada em relação a isso, pois pouco me importa que o outro senhor tenha sido preso preventivamente (o mais certo é ser considerado inocente – oxalá me engane –, ser posto em liberdade e ainda pedir uma indemnização ao Estado). O segundo, pelo facto de ser tratar de um banco privado cuja única função é gerir fortunas. Se não soube gerir convenientemente as fortunas o problema é deles. E depois ainda têm a lata de vir pedir a ajuda do Estado (dinheiro de todos nós) na quantia exorbitante que pediu. Não há (também) paciência para estes senhores!
Texto sem revisão posterior ao momento em que foi escrito
2. Não preciso de ler Cioran ou todos os outros pessimistas de merda – que na realidade nunca souberam fazer mais nada na puta da sua vida senão “filosofar” – para perceber/saber que o mundo é uma merda, um lugar péssimo para viver e um aglomerado enorme de bestas (e nesse aglomerado enorme de bestas eu também estou incluído, pois é muito bonito vir para aqui arrotar postas de pescada e depois sacudir a água do capote tipo: eu sou um santinho). Basta abrir a janela do meu quarto e inspirar bem fundo para saber que o mundo é uma merda e não é pequena. E não pense o leitor que andam a espalhar por aqui estrume nos quintais. O mundo cheira mesmo mal devido à podridão dos homens e só um imbecil é que não consegue senti-lo. Só um imbecil ou alguém que não vê um palmo à frente do nariz e anda muito preocupado com o seu umbigo, que no fundo no fundo está cheio de cotão malcheiroso. Mas fique a saber o leitor que o meu umbigo não tem cotão, pois tomei banho antes do jantar e verifiquei tudo muito bem verificadinho.
3. Mas o que eu queria mesmo era ter os tomates para mandar foder toda esta merda e cagar em tudo e em todos e desaparecer deste país de merda. Eu sei que alguns dos leitores pensam: era um bem que nos fazias. Pois bem, caros leitores que assim pensam: vão apanhar no cu e que vos faça muito proveito. E digo-vos mais. O problema deste país de merda é ter muito sol. Se não tivesse muito sol já tinha havido mais gente na rua a pedir a cabeça de alguns senhores. Só num país com muito sol é que se coloca a questão de salvar um banco privado cuja única função é gerir fortunas. Não souberam gerir as fortunas como deve ser? Puta que os pariu! Que vão todos à merda com pauzinhos à roda! Os realíssimos e alternadíssimos camelos! Só num país com muito sol é que um ditador como Salazar – que foi em grande o que de mais medíocre tem o país – governa durante tantos e tantos anos.
4. E desengane-se o leitor se pensa que o primeiro ponto deste texto é verdade, servindo ele de justificação para alguma coisa.
Não gosto da palavra, mas aqui vai: obrigatório.
A Noite e o Riso - um estudo (6)
Tento deter a mão
que escreve,
para que encontre
o meu tom.
Meio termo é estoiro!
Descer sem medos
até ao fundo
e aí buscar
esse exílio temporário.
Lí por aí
«As pessoas são tão estranhas. Falam muito de amor, de emoções, de afectos, como se fossem coisas imperecíveis, que ficassem na nossa vida para sempre e, no entanto, a facilidade com que estas coisas se evaporam é uma verdade da qual ninguém nos avisa.»
Rita F., em Rua da Abadia
Autor ou obra?
Às vezes certas gavetas deviam ficar fechadas
Mishima
Pensamento do dia
Onde é que você estava no 25 de Novembro de 1975?
Pelos vistos nem a cinco anos de distância nem hoje
Dois 25 de que gosto muito
Vergílio Ferreira, Conta-Corrente I, Lisboa: Bertrand Editora, 3ª edição, 1982, p. 294.
First we take Manteigas, then we take New York
Bat For Lashes
Uma questão de civilidade
Chá, só com leite.
Fidelidade e adaptação cinematográfica
Defender uma fidelidade literal ao texto literário supõe que a verdade de cada texto existisse e fosse possível através de uma leitura atemporal. Adaptar nestes termos seria um processo orientado por um conjunto de princípios objectivamente válidos, para aproximar o filme do livro, o que significaria uma actividade concebida como operação de descodificação racional e objectiva de um objecto literário, objecto esse que teria que ser entendido como uma entidade de sentido estável e verificável.
Exigir uma fidelidade literal na adaptação também consiste numa forma de fundamentalismo. Alguns escritores censuram e acusam o cinema cada vez que a adaptação não transmite o sentido literal do texto literário. Muitos chegam a negar a visão pluralista dos textos que escreveram, rejeitando a possibilidade de estes serem lidos de maneira diferente. Porém, esta pluralidade de leituras é incontornável, e o cinema pode ser usado na elaboração de leituras possíveis do texto literário. Assim, adaptar cinematograficamente um texto literário assume-se como um reescrita.
O que se coloca saber é se, em situação de adaptação cinematográfica, a literatura tem em si a legitimidade de resguardar possíveis relativismos do sentido textual do objecto literário. Uma resposta a esta pergunta obriga a uma separação entre o ler e o adaptar. Ora importa saber que o objecto literário deve ser sempre entendido como algo passível de várias leituras, daí a sua pluralidade. No que diz respeito ao conceito de adaptação, o fenómeno da adaptação está sempre ligado à relatividade e à criatividade: o realizador que adapta literatura distancia-se do leitor que a lê, pois redimensionou o livro para uma nova obra de arte. No entanto, muitas vezes a falta de fidelidade é propositada. Não esquecer a questão do mercado, pois a adaptação para cinema de textos literários dá normalmente lugar a operações de transacção comercial: a literatura negoceia a cedência ao cinema de direitos de autor. Qual seria a vantagem de uma fidelidade literal para o mercado literário? Não podemos esquecer que quando um texto literário é adaptado ao cinema a venda desse mesmo texto dispara em flecha, e tal não aconteceria se esse mesmo texto fosse literalmente adaptado ao cinema.
O caminho menos percorrido e toda essa treta
Pensamento do dia
Santogold - Lights out
Jeropiga
Poesia Incompleta
Através do Henrique chego à Poesia Incompleta, uma livraria inteiramente dedicada à poesia. E o dia de sábado ganha outra cor.
Sexta-feira à noite
1º Aquele senhor do BPN levou com prisão preventiva, mas já se sabe que isso em Portugal para crimes de colarinho branco é o mesmo que dizer ao indivíduo: vais ali descansar um pouco, para ver se isto acalma e depois sais em liberdade;
2º Ando um pouco farto de ver a cara dos senhores da FlorCaveira em tudo o que é sítio. Eu até nem desgosto da música do João Coração e até acho piada à sua pose, mas fico sempre a pensar que são meia dúzia de “meninos bem” que decidiram entrar na música para haver tema de conversa nas tardes entediantes de chá em casa das tias. E depois há aquela coisa de serem Baptistas! E se fossem Testemunhas de Jeová? Também eram primeira capa?
3º Como me meto a pensar nestas coisas e venho para aqui dizê-las em voz alta, dá-me vontade de sair e ir apanhar com o ar frio na cara. E acho que é isso que vou fazer.
Ó da Guarda!
Hora do duche
* menos agora, altura em que escrevo este texto e penso no país em que vivo. E vem-me à cabeça a ideia de se estar a hipotecar toda uma geração que estava bem era a procriar, para que o país não seja constituído por um grupo de velhos rabugentos a dizer que era bom interromper a democracia durante seis meses – que não acredito que a ideia seja só a Manuela Ferreira Leite a tê-la, pois deve haver por aí muito boa gente a pensar o mesmo e à espera do momento oportuno para atacar. Mas que se lixe. À merda com eles todos, bando de gansos!
Mãe há só uma e é bem verdade
Cheguei
Dos livros
Tenho as caixas, os caixotes
e os sacos grandes tipo IKEA.
Tenho o papel que diz que estou
oficialmente desempregado.
Tenho o carro atestado,
para a viagem de amanhã.
Tenho a tua fotografia
a olhar para mim.
Farol
«O que é preciso é reinventar o começo, ocupar o espaço da inquietação.»
A Noite e o Riso - um estudo (5)
Cada palavra em mim
assopra contra
essa morte
que nos acomete,
de boca seca
e frio no estômago.
Apesar disso,
nunca soube
ganhar à vida.
Afinal, o que é uma casa? (3)
Chama-me pai, mas não me peças dinheiro
Parece que é de vez
Do sentido
«Porque, na verdade, o homem tinha pressa de alijar de qualquer modo o fardo de si próprio. Sabia que às leis ele as fizera, que os deuses ele os criara e os matara. Mas assim mesmo, tinha medo de ficar a sós consigo, como diante de um muro.»











