Amanhã é um novo dia e também um novo mês


Amanhã, bem cedo, lá estarei na porta do Centro de Emprego. A senhora será simpática, como sempre. Falará do filho que terminou o curso e que está a fazer um estágio profissional, não sabendo ao certo o que fará depois disso, pois as coisas vão muito mal, principalmente para os jovens, dirá. Ao fim de sete anos um gajo já devia estar habituado, mas na realidade nunca chega a habituar-se.

O meu futuro próximo


Não-colocado.

Passa ele!


Como não sou muito de pirataria, vim agora de ver Tropa de Elite no cinema. Falar do filme seria chover no molhado. O filme é muito bom: bons actores, boa direcção de actores, boa fotografia, boa realização, um argumento fabuloso e bem escrito. Nisso os brasileiros são melhores que nós: pegam na realidade e não fazem um Zona J ou um Crime do Padre Amaro.

Reedição


Uma das coisas que me deixou feliz nestes dias foi ver que a Dom Quixote reeditou Os Nús e os Mortos, de Norman Mailer.

Sexo entre mentiras




Depois da primeira edição em 2005 pela editora Leiturascom.Net, o livro Sexo Entre Mentiras acaba de ser publicado em Espanha na Baile Del Sol, editora das Canárias. A tradução é de Manuel Moya, autor que, desde 1996, tem vindo a traduzir parte do trabalho literário de Fernando Esteves Pinto.

A apresentação do livro será no dia 29 de Agosto na Biblioteca Municipal de Punta Umbría, pelas 21h (hora espanhola).

Um amor proibido


Por estranho que pareça está calor a esta hora. Em Agosto é um pouco estranho aqui. Estou em casa, pois só em casa é que consigo escrever. E enquanto escrevo ouço os vizinhos da frente a falar francês, pois tenho a janela do quarto/escritório aberta. Na aparelhagem toca Forbidden Colours. Nunca tive um amor proibido. Às vezes parece que sinto falta disso: um amor proibido. Não sei se me levaria a algum lugar. Penso que esse é o seu encanto: não saber onde ele nos poderá levar. Conheço quem já teve um amor proibido. Não sei se hoje estão mais felizes devido a isso. Pouco ou nada interessa. O que verdadeiramente interessa é que o viveram. E é isso que faz toda a diferença.

Lí por aí


«A pior coisa que pode acontecer a uma pessoa é tornar-se um escritor conhecido, famoso, estudado. Nunca mais param de contar histórias sobre a sua vida e a sua pessoa, nunca mais param de interpretar tudo o que pretendem que ele escreveu, disse, pensou e fez, nunca mais param de viver à sua custa e à custa da sua vida e da sua obra como provavelmente ele nunca viveu à custa dos outros. É uma destino maldito ser vítima de tantos abusos. Há escritores que prepararam para si mesmos esse futuro. Mas há muitos outros que se limitaram a escrever e a querer que os deixassem em paz.»
João Camilo, em nada.niente

Serve cerveja como se fosse um casamento*


É a frase que melhor define os últimos dias. E mais não digo.


*a frase não é da minha autoria, mas não deixa de ser uma grande frase.

Mais um dia


Podia começar um texto a dizer que isto anda mau e coisas desse género. Lamentar-me é a coisa que melhor sei fazer. Passo o tempo a lamentar-me. Lamento-me do calor que faz. Lamento-me do calor que não faz. Ainda hoje apetecia-me ir até ao rio, mas o sol começou a ficar encoberto e passei a tarde a lamentar-me pelo sucedido: é que apetecia-me mesmo ir até ao rio, dar um mergulho e depois esticar-me ao sol. Passo o tempo a lamentar-me. Por exemplo: estive vai-não-vai para sair esta noite. Decidi não sair. Pensei: vou mas é ficar por aqui a ler qualquer coisa, relaxar um pouco, coisa e tal. Conclusão: até agora ainda não li porra nenhuma e já estou arrependido de ter ficado por casa.

No Future



Tenho para mim que o fim das utopias começou com o Maio de 68 e com a invasão de Praga pela URSS (também em 68, faz hoje 40 anos) e terminou com o nascimento do movimento punk em Inglaterra, que foi, quanto a mim, o golpe de misericórdia. O que veio depois disso foi/é o zero absoluto.

Foto: Josef Koudelka

Revista Malagueta n.º 10



aqui

Um gajo fica a olhar para as pedras da Serra toda a tarde e as dúvidas começam a surgir


Comecei hoje a ler Ham on Rye de Charles Bukowski. Alguém consegue explicar a razão pela qual este romance ainda não está traduzido cá em Portugal? Será para gajos como eu se armarem em pedantes e dizerem que andam a ler Bukowski, mas em inglês? Será essa a mesma razão para não existir uma antologia decente da poesia de William Carlos Williams? Ou de Zbigniew Herbert? Ou será pelo facto da Carolina Salgado ser “escritora” e tudo o resto ser paisagem?

Da dúvida


«Duvidar das palavras é duvidar de tudo, mas duvidar de tudo é só conceder crédito às palavras.»

Ernesto Sampaio, Ideias Lebres, Lisboa: Fenda Edições, 1999, p. 37.

Boys Will Be Boys


Hoje fui até ao rio dar um mergulho. Há muito que não fazia tal coisa. Razão: estou aburguesado. A piscina é mais fashion. Mas hoje lá fui até ao velho Poço dos Moinhos. A última vez que lá tinha dado um mergulho tinha eu 23 anos. Fui mais um grupo de amigos. Depois do banho jogámos um pouco às cartas. Bela cartada, uma coisa chamada “bisca italiana”. No final, fomos até à taberna que fica lá perto e pedimos uma dose e meia de moelas e algumas minis. Foi uma tarde bem passada, sim senhor.

Da generosidade


Quando estive em Santa Cruz para a apresentação do Mapa, tive a oportunidade de conhecer duas pessoas que acompanho nesta coisa dos blogues: a Rita Faria e o Rui Almeida. Foi bom conhecê-los pessoalmente e falar com eles. O Rui, num gesto generoso, trouxe-me livros. Disse-me que costuma andar por alfarrabistas e sempre que encontra um livro interessante, e a um preço apelativo, compra vários exemplares para depois dar aos amigos. De um momento para o outro fiquei com uma mão cheia de livros e sem palavras.

Lí por aí


«Alguém devia fazer um poema sobre isto (mas falem baixo, porque o Manuel Alegre pode estar a ouvir).»

José Mário Silva, em Bibliotecário de Babel


Tóquio Ano Zero - David Peace


Nunca li muitos romances policiais, pois nunca fizeram o meu género. Nunca me atraíram os nomes de Rex Stout, Agatha Christie ou Arthur Conan Doyle. Tive amigos que passaram os grandes dias de verão a ler policiais, a comentá-los entre eles. Eu fiz algumas tentativas, sempre com pouco sucesso e sem vontade de repetir. Assim, quando me foi oferecido o romance Tóquio Ano Zero, de David Peace (1967), agradeci e coloquei-o na estante, com a promessa de que seria a minha leitura de férias. No entanto, ao contrário do habitual, cumpri a promessa.

Passado na Tóquio ocupada pelo exército aliado, este romance de David Peace centra-se, principalmente, no tema da maldade humana. É claro que está lá o crime, mas ele é dado ao leitor sobre várias formas: temos os crimes cometidos pelo famoso serial killer Kodaira Yoshio, conhecido como o Barba Azul japonês; temos os crimes cometidos pelo exército de ocupação; temos os crimes cometidos por todos nós, todos os dias. David Peace explora esse lado mais sombrio da mente humana, o lado capaz de cometer um crime, seja ele o crime de roubar para comer, o crime de matar para sobreviver (como é o caso do Detective Minami, veterano de guerra), o crime de humilhar pelo simples facto de eu ser o vencedor e tu o vencido. Outro tema que sobressai é aquele que diz respeito à identidade: ninguém é quem diz ser. Todas as personagens usam máscaras, todos os dias, tal como todos nós.

A escrita de David Peace poderá não agradar a todos. São constantes as repetições de frases, de ideias, como se de uma lengalenga se tratasse. Contudo, não podemos esquecer que o narrador (o Detective Minami) é alguém que sofre de insónias e só consegue dormir à base de doses massivas de Calmotin (comprimidos para dormir). Entende-se, desta maneira, a escrita telegráfica, repetitiva, como se o narrador quisesse contar a sua história o mais rápido possível para poder ir descansar.

Li algures que um bom romance policial não é aquele que se centra somente no tema crime. E é isso que David Peace faz.

David Peace, Tóquio Ano Zero, Lisboa: Tinta-da-China, 2008, 486 pp. (tradução de Rita Graña do original: Tokyo Year Zero, Faber and Faber, 2007)

Autores de A a Z e Literatura


Em Malta entrei em várias livrarias. Procurava poesia maltesa traduzida em inglês. Não encontrei nada. Toda a poesia está em maltês. Mas uma coisa saltou à vista: existem as prateleiras de A a Z – onde encontramos autores como Nora Roberts, Stephen King, entre outros – e as prateleiras dedicadas à Literatura – onde encontramos Kafka, Proust, Homero, Mishima...

So tell the girls that I am back in town


Cheguei. Depois de uns dias passados em Malta. Depois de passar pela Feira do Livro de Faro e de Santa Cruz. Regresso a Manteigas. Sou recebido em casa pelo aroma do frango a assar no forno. É bom estar de volta.

Hoje




14 de Agosto (22h)

Apresentação: Luís Filipe Cristóvão

Leitura de poemas: Mário Lisboa Duarte

Faro

Como sempre bem recebido pelos membros do Sulscrito (Fernando Esteves Pinto, Pedro Afonso e João Bentes). Rever um amigo. Noite agradável. Conversa agradável. Foi porreiro, pá!*

*(não, não é uma piada ao Exmo. Senhor Primeiro Ministro, é uma expressão muito minha.)

Amanhã


11 de Agosto (21h30m)
Feira do Livro de Faro
Stand Sulscrito

Sulscrito n.º 2



Dossier Palavra Ibérica: Diana Almeida, Elisa Yorch, manuel a. domingos, Antonio Orihuela, Miguel Godinho, Francis Vaz, Cármen Camacho, Eládio Orta, Luís Pons Moura, Rafael Delgado, Pepe Varos e Luís Filipe Cristóvão.

Destaque: Vencedores do Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2008 Amadeu Baptista e Rafael Camarasa.

Pré– Publicação: Espelho Negro de Miriam Reyes com tradução de Jorge Melícias.

Outras colaborações: Miguel Real, Manuel Garrido Palacios, Eduardo Halfon, Ondjaki, Rui Dias Simão, Arturo Accio, José Rui Teixeira, Paulo Bandeira Faria, Agustín Calvo Galán, Rodrigo Miragaia, Fernando Aguiar, Berónica Palacios Rojas, José Emílio-Nelson, Maria do Rosário Pedreira, Rita Grácio, André Sebastião, Ivo Machado, José Luís Tavares, José Manuel Vasconcelos, Pedro Gil-Pedro, Rui Costa.